De segunda a quarta-feira (6 a 8) rolaram os desfiles da temporada de alta-costura. Pela primeira vez, a Semana de Alta-Costura de Paris aconteceu virtualmente, devido à pandemia de Coronavírus.

A temporada começou quente já, com um discurso de Naomi Campbell logo na abertura. No vídeo gravado em sua casa, a modelo, numa fala mais que acertada, cobrou dos grandes nomes da indústria da Moda por mais diversidade e igualdade nesse meio que ainda é tão excludente e preconceituoso; cobrou também a equiparação dos salários entre modelos brancas(os) e negras(os). Ela lembrou ainda que, além de cobrar (e dizer que isso deve ser feito de forma coletiva e incisiva) é preciso também pensar em ações que façam a diferença para que essas mudanças possam, de fato, acontecer.
“Visão com ação pode mudar o mundo. Estávamos esperando por essa conversa que começa agora e que vai acontecer pelo tempo que for necessário.”, frisou a top model.
Inspirada por esse discurso, me preparei para o que vinha a seguir. E, bom, se eu venho reclamando da falta de sonho e escapismo que a moda traz (lembram que sobrou até para as presilhinhas na coluna passada?), fiquei bem satisfeita com tudo que vi.

A maioria das grandes marcas decidiu, sem dúvida, apostar no sonho – Caso da Dolce & Gabbana. Pensando em viagens a destinos paradisíacos, a label usou e abusou da inspiração do mar e da praia. Os tecidos, as cores, as estampas… tudo evoca uma viagem de férias perfeita! E combinou muito conforto com elegância, mas sem deixar perder o contato com a sensualidade leve – uma característica da marca.

As cores vibrantes de Portofino, Capri, Taormina e Palermo aparecem em lenços, tops, macacões, caftãs e também no revestimento de chapéus. Muita flor, muita bola – quase tudo maxi – muita alcinha, pernas de fora e sandálias que deixam os pés quase no chão. Lembra verão, lembra férias e tem cheiro de tranquilidade com drink na mão.

Já a Dior apostou em outra vertente do sonho: criou um mundo de fantasia, alquímico, uma atmosfera de encantamento: o vídeo de apresentação mostrou uma espécie de floresta encantada, com um lago no qual ninfas e outros seres fantásticos se apaixonam pela descoberta das roupas (que são as peças da nova coleção) – e do novo mundo de descobertas que vem com elas.
“Estou interessada em mistério e mágica, que também são um jeito de exorcizar as incertezas do futuro”, disse Maria Grazia Chiuri sobre sua nova coleção de Alta-Costura para o inverno 2020-2021.
Drapeados, volumes leves; cores sóbrias e delicadas aliadas a uma modelagem marcante, marcada e bem estruturada. Dior sendo Dior, linda e simplesmente impecável. A simplicidade irretocável e fina da Dior é uma coisa que continua me impressionando. Isso sim é mágica!

O vídeo é cheio de toques de superprodução e é muito bonito, vale a pena ver – as peças da coleção muito bonitas também. (Clique aqui)
A meu ver, a grande pergunta que se fazia antes dessa temporada foi respondida: os desfiles e apresentações virtuais conseguirão impressionar? O virtual vai dar conta do encantamento que é proporcionado pelas apresentações ao vivo? Eu diria que sim e sim. E ainda bem!

Dolce & Gabbana/Divulgação
Vendo a luta por justiça social acontecer em alto e bom som, encantada com o mundo mágico de Dior e inspirada pelas férias coloridas de Dolce & Gabbana eu consigo sorrir, respirar um pouco de sonho e até imaginar um futuro. Puro escapismo? Provavelmente. Mas o que é o ser humano sem um sonho? Obrigada, mundo da moda.
Ana Paula Barcellos

Formada em História pela UEL, trabalhou 10 anos como escritora para blogs e sites sobre cultura e lazer. Atualmente, trabalha com marketing digital e pesquisa de tendências e, junto com Angela Diana, é proprietária da Rosita, marca de acessórios.
Foto principal: Dior/Divulgação

