Hoje, a maior tendência de moda no mundo e a mais assertiva de toda a história da humanidade (ouso), é a individualidade e reconhecer seus próprios gostos. Seja você mesmo, faça suas escolhas, crie sua moda, você tem seu próprio estilo. As vitrines já não são mais incisivas ordens de consumo ditando o que devemos usar, agora elas se tornaram sugestões. Alegria para uns, preocupação para outros.
Depois de anos aprisionados em estereótipos de “certo e errado”, muitas pessoas deixaram de acreditar em suas próprias escolhas e BOM gosto (em caixa alta mesmo), desistiram de serem exuberantes e agentes enriquecedores da cultura para serem o “certo”. E aquele “certo” da revista, da tv, do blog, do Face, do YouTube e do Insta é um “certo” tão incerto, seja franca: quantos modismos você assimilou para depois dar risadas e perguntar: “Como foi que usei isso?” Ah, amiga, a resposta é: Era o certo. E agora é errado porque a indústria de moda precisa que você continue insegura quanto aos seus gostos e confie cegamente nos mandamentos dela.
Parece contraditório, a mesma moda que diz: Seja você! é a mesma quem dita visagismos e tipos de roupas e acessórios certas para seu biotipo? A moda, como indústria, não quer ficar fora de nenhum nicho, então dialoga com todos os segmentos: dos mais ousados e libertos cheios de personalidade e independência até os inseguros que precisam de “regras e dicas”. Mas, pela primeira vez na história das tendências da moda, fazer suas escolhas, fazer seu estilo é CERTO. Então, se você pode escolher o que quiser, por que se apegar a essas regras ultrapassadas?
Mas o visagismo e o biotipo não são estudos desenvolvidos para harmonizar nossas características? São e devemos respeito a todos os profissionais que trabalham de forma séria orientando seus clientes a alcançarem sua melhor versão exaltando positivamente seus atributos físicos.
Aos profissionais que submetem seus clientes a regras como: “Você tem quadril largo, NÃO pode usar estampa nas saias “, “Você tem muito busto e precisa disfarçar usando tal decote”, a esses que impõem padrões estéticos que não querem te realçar, mas sim te camuflar criando uma aparência “ilusória” do que você não é, a esta qualidade de profissional fica nossa sugestão: cresça, mude. Essas regras são abusivas porque induzem a uma compulsão por uma autoimagem irreal, reforçando que suas características são defeitos a serem corrigidos.

Vamos usar os acessórios como exemplo: “Sou baixa, adoro brincos grandes, mas o senso comum diz que pessoas baixas não podem usar brincos grandes”. Pode sim, não é um brinco que vai te fazer parecer mais alta, mesmo porque ser baixa não é um problema. Entendeu? Você não tem que parecer mais alta. “E quem tem seios grandes pode usar Max Colar? Sim, fica extremamente poderosa.
“Minhas mãos são pequenas, sou baixa e tenho dedos curtos… Posso usar anéis grandes?” Pode sim, problema é se ele não se ajustou no dedo e ficou caindo.
Tudo isso se resume assim: Não seja uma Vítima da Moda falecida pela doença do senso comum. A Moda deve ser um canal para que, através do vestuário e acessórios, você comunique sua essência e realce o Ser de todo corpo.
Esther Eugenia Martins

Graduada em Moda pela UEL e Técnica em segurança do trabalho pelo Senac. Atuo no Mercado de Moda há 10 anos com ênfase em PCP e Desenvolvimento. Pesquisadora da contracultura, underground e estereótipos, amo as danças árabes, música, meditação, plantas e a bicharada. Minhas referências estéticas preferidas são a Art Nouveau e a Art Déco.
Fotos: Angela Diana, Ana Paula Barcellos e Luiz Jacobs

