Londrinenses que inspiram moda: Enriqueta Vizacaro, a pioneira das bijuterias e semijoias

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No início da década de 1970, ainda se costumava usar joias por aqui. Joias mesmo, de ouro. Os colares ainda eram de pérolas, ouvimos muitas histórias de mulheres que economizaram anos a fio para comprar o seu e de homens que também economizaram muito para poder presentear alguém especial com mimo tão requintado.

Nessa mesma época, Enriqueta Vizacaro saiu de Londrina para andar pelas ruas do centro de São Paulo em busca de uma loja famosa que vendia peças para relógios – ela e o marido trabalhavam com isso. Tinha o nome e o endereço em mãos, mas, por alguma razão, acabou virando a rua errada e dando de cara com outra loja que lhe abriria todo um universo!

Era uma loja de bijuterias. De imediato, ficou fascinada com a infinidade de opções que encontrou no lugar, uma vez que ainda não era fácil encontrar esse tipo de peça no norte do Paraná. E não teve dúvidas: encheu uma mala com elas e veio embora.

Chegando em Londrina, a fascinação deu lugar a outro sentimento: insatisfação. As peças eram lindas e totalmente diferentes das que eram vendidas na cidade, mas o acabamento deixava a desejar. Ela também percebeu que se desmontasse e remontasse alguns modelos e mudasse alguns detalhes, conseguiria peças ainda mais bonitas e refinadas para vender na loja que tinha com o marido.

E foi o que ela fez. Assim começou a revender e a montar as bijouterias que logo ganhariam espaço próprio, a Bijorhca Bijouterias, mais tarde referência em semijoias e réplicas de joias. O nome foi inspirado na maior feira internacional do segmento, que acontece duas vezes por ano em Paris.

O grande carro chefe da Bijorhca sempre foi o colar de pérolas Shell  com nozinho, que virou sensação instantânea na cidade, substituído mais tarde pelos de pérola de água doce, a perola barroca. Mas a loja também ficou conhecida pelas montagens exclusivas feitas por Enriqueta, que chegou a ter duas funcionárias que trabalhavam replicando os modelos que ela criava e sua loja viria a ser, durante muito tempo, a maior referência no assunto em Londrina.

Depois de 47 anos, os colares ainda fazem sucesso e os nozinhos seguiram como exclusividade da Bijorhca nas mãos do Rogério, filho de Enriqueta, e de Angela, sua nora. Mas a crise econômica não olha tradição e não respeita qualidade: a loja se prepara para fechar as portas até o final do mês, uma tristeza para quem acompanhou a trajetória fantástica desse negócio que inspirou e fez moda por aqui.

São muitas as histórias, como  a da cliente que voltou depois de 20 anos para comprar um brinco que fizesse par com o colar levado na compra anterior – e que continua perfeito. Ou da jovem que, empolgada, convidou sua mãe para conhecer a loja fantástica que ela tinha recém descoberto no centro da cidade e de quem ouviu: “Você quer me apresentar a Bijorhca? Eu compro lá desde que tinha sua idade!”

Histórias que ficarão na memória e nos colares de pérolas com nozinho  espalhados por Londrina. Ah, se esses colares falassem! Foi uma honra trabalhar com a senhora, dona Enriqueta! Foi uma honra fazer parte da família Bijorhca.

Foto: Acervo Bijorhca

Ana Paula Barcellos

Formada em História pela UEL, trabalhou 10 anos como escritora para blogs e sites sobre cultura e lazer. Atualmente, trabalha com marketing digital e pesquisa de tendências e, junto com Angela Diana, é proprietária da Rosita, marca de acessórios. 

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