Tem sido uma questão pra mim desde o ano passado, tem sido uma questão para muitas pessoas nos últimos meses, principalmente. Em um momento delicado como esse, de onde tirar ânimo para se arrumar, para colocar uma roupa bonita? Faz sentido se vestir para ficar em casa, abrir o armário e escolher uma roupa diferente todo dia?

Mas a verdade é que pode fazer sim. Geralmente faz! Isso porque o autocuidado, a própria capacidade de abstrair a dura realidade, nem que seja por uns minutos do dia, fazem toda a diferença: quem conseguir sonhar com dias melhores, mesmo nos momentos mais terríveis, tem inclusive chance de chegar mais inteiro nesse futuro que está por vir e que a gente ainda não sabe como vai ser.
Passei um tempão procurando a referência, mas não encontrei – quando conseguir deixo nos comentários dessa coluna. Há vários anos, li um livro de um especialista em traumas (algo assim) que dizia que as pessoas com mais chances de sobreviver a guerras e a outros tipos de períodos catastróficos não são as mais fortes fisicamente, mas sim aquelas que conseguem abstrair, por alguns momentos pelo menos, a situação que está vivendo, e pensar que haverá sim dias melhores. Ele usou o Holocausto como exemplo: disse que o que se verificou, em alguns campos de concentração, foi que algumas das pessoas mais fortes fisicamente definharam, enquanto pessoas consideradas mais fracas conseguiram resistir porque cantavam, porque se agarravam nas lembranças boas que tinham ou nas possibilidades de dias felizes que poderiam vir.

Claro, isso não significa que a gente deve negar a realidade, fazer de conta que nada está acontecendo. Porque ESTÁ. Mas olhar as coisas por outra perspectiva, se cuidar, buscar alegria em pequenos prazeres, pode sim fazer toda a diferença inclusive na forma COMO sobreviveremos, são formas de resistir.
Então sim, vale a pena! Se é muito difícil nesse momento, comece colocando um par de brincos, ajeitando o cabelo. Depois coloque aquele colar que você gosta tanto, troque o pijama por uma roupa confortável mais bonita. Pequenos passos, um dia de cada vez!

Por aqui começou como um exercício dificílimo. A Moda tem sido minha fuga, minha abstração deliciosa! Mas colocar isso em prática em mim mesma foi mais complicado. Tem sido bom, tem ajudado a viver de forma mais leve. Já estou conseguindo, inclusive, pensar novos looks – esses dias, descobri possibilidades nunca antes pensadas e me surpreendi! Isso me deu um gás que durou uns dois dias, rs.

Nas plataformas de streaming e no Youtube tem um sem fim de desfiles, documentários, filmes e reality shows sobre o tema. Nesse momento, a Moda pode ser uma superaliada nesse sentido. Pra mim, ultimamente, quanto mais leve e bobinho melhor! Na Netflix, maratonei Emily in Paris, reassisti aos desfiles da Chanel e da Schiaparelli no Youtube, na própria Netflix tem Next in Fashion, que é reality e acaba rapidinho. Bora respirar um pouco!
Ana Paula Barcellos

Escritora, mocinha do medalhão persa, marketeira e pesquisadora de tendências. Trabalha com as marcas Madame B., Maria Jujuba Rock e Pinacola.
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