Escritor londrinense lança livro de contos

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Wilhan Santin já publicou biografias, coletânea de crônicas, obras para o público infantil e agora apresenta “Um diamante no meio do Volp e outros contos”

O LONDRINENSE com assessoria

Em sua vivência de anos como repórter de veículos impressos e digitais, o jornalista Wilhan Santin percorreu milhares de quilômetros pelo Paraná e pelo Brasil para construir reportagens.

Tudo o que vivenciou, principalmente nas pequenas cidades interioranas, ficou em lugar especial na memória para servir de matéria-prima para o livro “Um diamante no meio do Volp e outros contos”, que ele acaba de lançar, pela editora Engenho das Letras (142 páginas, R$ 29).

São oito contos, que se passam em diversos cenários, de sala de emergência de hospital a competição de arrancada de tratores em uma pequena cidade do Oeste do Paraná.

Com linguagem fluida, Santin envolve o leitor em mistérios ou dilemas que os personagens de seus contos buscam resolver.

“Eu escrevo para quem gosta de ler, é claro, mas o objetivo maior é fisgar as pessoas que ainda não descobriram o quanto a leitura é fascinante, principalmente em papel, no livro. Por isso a linguagem fácil, simples, sem ser simplória. Além disso, apesar de não nomear todos os lugares nos contos e até dar nomes fictícios a outros, eu estive em cada ambiente que inspirou cada um dos contos: sala de emergência de hospital, alojamento de jogadores de futebol em cidadezinha, distrito que não se tornou município porque a rodovia asfaltada passou longe dali e até semiconfinado em um ônibus, de Londrina a Porto Velho, durante 47 horas”, explica o autor.

Na entrevista a seguir, ele dá mais pistas sobre o que os leitores vão encontrar no livro:

Por que o título “Um diamante no meio do Volp”?

Na minha opinião, é o melhor conto do livro, por isso foi escolhido para emprestar o título para a obra. Volp é a sigla para Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, um livrão que reúne todas as palavras do nosso idioma. No meio dele, uma médica que trabalha no pronto-socorro de um hospital vai encontrar um grande enigma.

Há personagens dos contos baseados em pessoas que você realmente conhece?

Sim. Escritores costumam ser observadores. Muitos dos personagens são inspirados em pessoas que eu entrevistei como repórter. Apenas troquei os nomes de alguns. Mas tem dois colegas jornalistas que eu admiro e aos quais presto homenagem em “O profeta de Mirandinha Velha”, cujos nomes originais mantive.

Por que a opção por ambientar a maior parte das histórias em cidades interioranas?

O Brasil tem 5.570 municípios. Vinte e seis são capitais de estados e tem Brasília, a capital federal. Todo o resto é interior. Eu sou apaixonado pelo jeito de viver do povo do interior, principalmente das pequenas cidades. As pessoas são mais próximas, se conhecem, tratam-se pelos nomes, cumprimentam-se nas ruas. Temos centenas de municípios brasileiros com menos de dez mil habitantes. Neles, parece que a vida passa mais devagar e é mais feliz. Tive a sorte de conhecer dezenas de municípios, sobretudo no Paraná, atuando como jornalista. Por isso, quis mostrar nos contos como é a vida e o comportamento desses brasileiros que estão longe dos holofotes, mas são fundamentais para o País. No conto “A cidadezinha” tudo isso fica muito explícito.

Você tem vários livros publicados, a maioria produzidos sob encomendas de pessoas ou empresas. Escrever contos foi uma experiência muito diferente?

Eu sou apaixonado por contos desde que, ainda adolescente, encontrei, por acaso, entre as coisas da minha mãe, o livro “Venha ver o pôr do sol e outros contos”, da Lygia Fagundes Telles. Ela é uma escritora fascinante e o conto que dá título a esse livro prende o leitor desde a primeira palavra. Durante mais de vinte anos fiquei nutrindo o sonho de escrever e publicar contos. Agora se tornou realidade. Dedico tudo isso à minha mãe, Rosemeire Simão Ávila Santin, que já foi morar em planos superiores.

Seus contos são modernos, se passam no século 21. A maioria dos personagens têm idades entre 20 e 40 anos. Você acredita que os jovens ainda se interessam por livros impressos?

Eu sou um entusiasta dos livros impressos. Quero convencer as pessoas de que vale muito investir neles, tê-los às mãos, desfrutar das boas histórias. A maioria de nós, incluindo-me, estamos vidrados nas redes sociais, presos às telinhas de celulares, que cansam as vistas e pouco acrescentam às mentes. Ler em papel é um descanso para os olhos e um tônico para o conhecimento. Quem lê boa literatura escreve melhor, argumenta melhor, torna-se um profissional com mais recursos. Percebo que muitas pessoas escrevem mal e até deixam de crescer profissionalmente por causa disso, justamente porque são não-leitores. Não demonizo as redes sociais. Seria uma hipocrisia da minha parte, até porque vou divulgar o livro também por meio delas. Porém quero incentivar as pessoas a dosarem melhor o tempo de conexão on-line para se conectar com a literatura, que vai oferecer mais conhecimento e estimular a criatividade e o conhecimento. Tudo é melhor quando bem dosado.

Por que escolheu a Editora Engenho das Letras?

Porque é uma editora londrinense, que valoriza a produção local. A Michele Bannwart fez um trabalho de edição muito caprichado e me incentivou bastante. Tenho que manifestar também a minha gratidão a ela e a todos os profissionais que trabalharam no livro.

Serviço:

O livro é vendido exclusivamente pelo site da Editora Engenho das Letras.

Foto: Divulgação

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