Depois de enfrentarem um incêndio no Centro Cultural, grupo de guerreiros Kaingang farão apresentação no sábado, às 10 horas
Telma Elorza
O LONDRINENSE
Mostrar um pouco da cultura Kaingang, “limpar” as coisas ruins que têm acontecido e chamar a atenção para os problemas que afetam os indígenas em Londrina e no Brasil são os objetivos da apresentação cultural-religiosa que acontece neste sábado (21), às 10 horas, no Centro Cultural Kaingang Varê (Avenida 10 de Dezembro). O Grupo Vãnh-Gan Kaingang, formado por guerreiros da Aldeia Índigena Água Branca do Apucaraninha, mostrará um pouco da cultura produzida na aldeia. A entrada é gratuita, mas a comunidade aceita doações de alimentos não-perecíveis. O evento é organizado pelos próprios indígenas e pelo Movimento Popular Anticorrupção Por Amor a Londrina, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Conselho Municipal de Transparência e Controle Social.
Segundo o vice-cacique Renato Kriri, o evento faz parte da manifestação nacional contra o projeto de lei 490, que traz novas regras de demarcação de terras indígenas e tramita no Congresso Nacional. Mas, principalmente, servirá para chamar a atenção para o abandono do Centro Cultural pelo poder público e da situação em geral dos índios da região. “Depois que construíram o centro, em 1999, nunca mais passou por reformas e manutenção”, diz.
Segundo ele, o incêndio ocorrido no local, no início do mês, destruiu as cinco casas de madeira. O local foi montado com objetivo de promover a cultura kaingang na cidade, com quiosques para venda de artesanato e divulgação da produção cultural dos indígenas. Mas isso ficou apenas no projeto. As casa eram usadas como residências. “E nós vimos em uma entrevista uma autoridade falando que o índios têm que ficar na reserva e não aqui. Mas essas casas serviam para receber famílias de aldeias de toda região, que precisam vir a Londrina para resolver problemas. Consultas médicas, coisas de educação, vender seus produtos, entre outras. A maioria não tem dinheiro para pagar hotel”, conta.
De acordo com Kriri, os indígenas também precisam trabalhar, seja em empregos formais ou vendendo produtos agrícolas e artesanato. “Assim como toda população, estamos sofrendo com a pandemia, os problemas econômicos. Isso é geral. Mas a reserva sofre com problemas específicos, já que a terra não está mais conseguindo sustentar toda a aldeia”, aponta.
Foto: Grupo Vãnh-Gan Kaingang/Divulgação
