Por Robson Moretão
Meu nome é Robson Moretão, jornalista apaixonado por videogames há mais de duas décadas e criador da coluna ALÉM DOS CONTROLES. E quero falar para vocês hoje que existe algo quase ritualístico na relação dos jogadores com a franquia Resident Evil Requiem. A cada novo capítulo, a comunidade mergulha novamente naquele misto de tensão, adrenalina e sobrevivência que a Capcom transformou em assinatura ao longo de décadas. Mas, desta vez, o estúdio japonês resolveu mexer em uma fórmula que parecia intocável: transformar o medo em pura agressividade.
O recém-lançado modo “Leon Must Die Forever” chega gratuitamente para Resident Evil Requiem e deixa claro que o foco agora não é apenas sobreviver. É dominar o caos. É entrar em uma arena onde cada segundo importa, cada munição faz diferença e cada corredor já conhecido pode se transformar em um pesadelo ainda pior.
E sejamos honestos: isso conversa diretamente com a cultura gamer atual.
Vivemos em uma era em que os jogadores passaram a valorizar experiências altamente rejogáveis. Games como Hades, Returnal e até o clássico modo Mercenaries da própria franquia Resident Evil mostraram que repetir uma experiência não significa viver exatamente a mesma partida. Pelo contrário. O fator surpresa virou combustível para manter comunidades ativas durante meses — às vezes anos.
E é exatamente aí que Leon Must Die Forever encontra sua força.
Resident Evil troca o terror pela pressão constante
Depois de concluir a campanha principal de Resident Evil Requiem, o jogador desbloqueia o novo modo estrelado por Leon S. Kennedy, um dos personagens mais icônicos da história dos videogames.
A proposta é simples na teoria, mas brutal na prática: revisitar áreas já conhecidas enfrentando inimigos muito mais fortes, em uma corrida contra o tempo até o confronto final.
Só que a Capcom adicionou elementos extremamente inteligentes nessa estrutura.
O modo possui cinco níveis progressivos de dificuldade, criando aquela sensação clássica de “só mais uma tentativa”. Além disso, cada partida muda a ordem das áreas exploradas, altera a progressão e também modifica as habilidades disponíveis ao jogador.
Na prática, isso aproxima Leon Must Die Forever de elementos modernos de roguelike sem abandonar completamente a identidade survival horror da franquia.
E isso muda completamente a experiência.
A familiaridade do mapa deixa de ser confortável. Ela vira armadilha. O jogador acredita que sabe exatamente o que existe atrás de determinada porta… até descobrir que agora há inimigos mais rápidos, agressivos e resistentes esperando por ele.
É quase como revisitar um pesadelo antigo, mas percebendo que alguém trocou todas as regras enquanto você dormia.
As enhancer abilities mudam o ritmo do combate

Outro destaque importante são as chamadas “enhancer abilities”, habilidades especiais desbloqueadas conforme o jogador elimina inimigos e preenche uma barra de aprimoramento.
Aqui, Resident Evil Requiem abraça de vez a sensação arcade.
O combate ganha velocidade, agressividade e uma camada estratégica que lembra sistemas vistos em jogos como DOOM Eternal, onde mobilidade e eficiência são tão importantes quanto acertar os tiros.
Não basta apenas sobreviver. É preciso jogar bem.
Isso conversa diretamente com um comportamento muito forte da comunidade gamer atual: o desejo constante por otimização. Speedruns, builds perfeitas, estratégias de dano máximo, combos eficientes… tudo isso virou parte central da experiência moderna dos jogos.
Leon Must Die Forever entende isso perfeitamente.
Cada partida se transforma quase em um laboratório de performance, onde o jogador aprende padrões, testa habilidades e tenta melhorar seu próprio desempenho.
É o tipo de conteúdo que alimenta vídeos no YouTube, clipes no TikTok e discussões infinitas em fóruns e redes sociais.
Resident Evil continua entendendo a força da nostalgia

A Capcom também confirmou novos produtos oficiais inspirados no modo Leon Must Die Forever, incluindo camisetas, moletons e hoodies. Além disso, os primeiros amiibos oficiais da franquia Resident Evil serão lançados em julho, trazendo Leon S. Kennedy e Grace Ashcroft.
Isso reforça algo que a indústria aprendeu muito bem nos últimos anos: games deixaram de ser apenas jogos.
Hoje, franquias se transformam em identidade cultural.
O jogador não consome apenas gameplay. Ele veste a marca, coleciona personagens, compartilha referências e transforma aquele universo em parte da própria personalidade digital.
Resident Evil entende isso como poucas franquias conseguem.
Mesmo após décadas, a série continua relevante porque consegue equilibrar nostalgia e reinvenção sem perder sua essência.
Quando os games nos ensinam sobre adaptação
Existe uma aplicação muito interessante nisso tudo fora das telas.
Leon Must Die Forever trabalha constantemente com imprevisibilidade. O jogador nunca encontra exatamente o mesmo cenário duas vezes. Ele precisa se adaptar, recalcular rotas e tomar decisões rápidas diante do inesperado.
E a vida real funciona exatamente assim.
A tecnologia muda profissões. Novas plataformas surgem o tempo inteiro. Redes sociais transformam comportamentos em poucos meses. Quem insiste em jogar sempre da mesma forma acaba ficando para trás.
Os games, muitas vezes, ensinam algo importante sem percebermos: adaptação virou sobrevivência.
Talvez seja por isso que experiências como Resident Evil continuem tão relevantes. Não apenas pelo terror, pela ação ou pela nostalgia, mas porque refletem uma sensação muito presente no mundo moderno: a necessidade constante de aprender, reagir e seguir em frente mesmo quando o cenário muda completamente.
No fim das contas, Leon Must Die Forever não é apenas um novo modo de jogo.
É mais uma prova de que os videogames evoluíram muito além do entretenimento. Hoje, eles são espaços de desafio, identidade, conexão social e até reflexão sobre a forma como enfrentamos nossos próprios “chefes finais” fora da tela.
Robson Moretão

Um maluco por games desde sempre – há mais de 30 anos! Sou fissurado em histórias incríveis, desafios “impossíveis” e gráficos realistas. Aqui, na minha coluna, vou falar sobre o avanço desta indústria fantástica e seus desdobramentos.
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