Lembram-se do trecho dessa música “No dia em que a Terra Parou”: “O empregado não saiu pro seu trabalho, pois sabia que o patrão também não tava lá, o aluno não saiu para estudar, pois sabia, o professor também não tava lá…”. Raul Seixas (1945/1989)
O fato é que de repente tudo foi proibido e que agora deveríamos seguir o lockdown. Um ano depois, nos encontramos na mesma situação.
Não quero comentar e discutir estratégias e nem ideologias políticas, mas indico o impacto econômico diante das medidas adotadas pelo governo.
Primeiro, vamos entrar na definição de “lockdown”. Trata-se de bloqueio total de uma região, imposta pelo Estado ou pela Justiça, como medida mais rígida adotada durante situações extremas, no caso, a pandemia. O cidadão é restrito de circular em áreas públicas sem motivos emergenciais, cruzar fronteiras e muitas vezes pode haver toque de recolher. A fiscalização é feita pelo Governo.
Atravesse algumas ruas como Duque de Caxias, Higienópolis, Sergipe, lojas, galerias e shoppings, você verá muitas placas de “aluguel” que não eram vistas desde a última crise econômica do Brasil, em 2016.
Diante desse fato, recebi o seguinte relato: “um conhecido tem fábrica de gelo e vendia para eventos e festas, hoje fechou as portas e um amigo, que tem revenda de carvão, não está dando conta da demanda”.
O que sabemos sobre essa distorção? Esta é uma mudança nos padrões e um novo de consumo dos lares. O delivery aumentou substancialmente por contas das famílias estarem reclusas em casa, assim o comércio com produtos exclusivo para atender os lares ficaram em vantagem. Claro que a partir daí, muda-se cenário, planejamento e novas oportunidades de negócios que as empresas estão vivenciando.
Mas e quanto ao comércio tradicional, lojas de rua e atividades consideradas não essenciais? A questão é que a conta não “fecha” de jeito nenhum, pois as despesas fixas continuarão sendo utilizadas como aluguel, salário, energia, água e outras despesas.
Se a empresa não puder vender o produto pessoalmente, não está gerando renda e a demissão de seus funcionários tornou-se inevitável e assim a taxa de desemprego aumentou. Na falta de renda devido ao desemprego, o consumo desacelera e a arrecadação impostos cairão.
Entenda que o raciocínio é muito simples e está ocorrendo o conhecido “círculo vicioso”, algo que não avança, que não progride e que não se resolve.
Em outros casos, em algumas pequenas cidades, os gestores públicos ordenaram o bloqueio nos fins de semana. Em suma, os moradores se obrigam a fazer compras nas cidades vizinhas. Quem perdeu?
Do ponto de vista estritamente econômico, isso é uma reflexão, e crises ainda maiores poderão vir. Mas o que é essencial? O que é para uns, pode não ser essencial para outros.
Pense nisso!
Tem alguma sugestão de pauta? Pode dizer que escrevo.
Cláudio Chiusoli

Professor de Administração na UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste /PR. Economista formado pela UEL. Pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR. Facebook: fb.me/claudio.luiz.chiusoli
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