Londrina tem o menor número de criação de empresas da década

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Município registrou abertura de apenas 601 novas empresas em 2018, número 72% inferior que 2017 e o menor nos últimos 10 anos

Telma Elorza
Equipe O LONDRINENSE

Londrina vem perdendo empresas e não está conseguindo atrair novas. Em 2018,  o Município registrou o menor número de abertura de novas empresas na última década. Foram abertas  apenas 601 novas empresas – exceto MEIs –, um número 72,89% menor que o computado em 2017, quando foram criadas 2.217 empresas no município.  Por outro lado, o índice de fechamento de empresas também foi o menor da década, com a extinção de 379 empresas no ano passado contra 1.678 em 2017. Em todo o Paraná,  foram abertas 45.810 empresas (6% a mais que 2017) e fechadas 43.606 (+2%). Os dados são da Junta Comercial do Paraná (Jucepar).

Cidade caiu 17 posições em ranking estadual

No ranking estadual, a cidade caiu de 3º. para 20º. lugar no índice de novas empresas, bem menos que outras cidades da Região Metropolitana como  Arapongas (4º. Lugar), Cambé (8º. Lugar) e Rolândia (15º. Lugar). Arapongas registrou 1.664 novas empresas, 31,44% a mais que 2017; Cambé ficou com 986 novas empresas, 34,70% a mais que o ano anterior; e Rolândia, 782, novas empresas, um índice 29,90% superior a 2017.

Esse é o pior saldo na abertura de empresa nos últimos 10 anos. O melhor registro foi em 2015, quando foram criadas 4.658 novas empresas no ano; seguido por 2016, com 3.119 empresas abertas. O ano de 2016 também registrou o maior número de empresas encerrando atividades, 2.318.

Faltam incentivos concretos para atrair empresas

“O problema de Londrina é que uma cidade prestadora de serviços e os novos governantes não criam mecanismos para atrair outros tipos de empresa para o município. Na área de T.I (Tecnologia de Informação), sim, vem empresas para cá. Mas são também prestadoras de serviços”, diz o contabilista Paulo Porto. Segundo ele, os parques industriais oferecidos na cidade não são suficientes para atrair empresas sem benefícios fiscais anexados. “Se conseguirmos atrair uma metalúrgica para cá, outras empresas que fornecem serviços ou produtos para ela também viriam”, avalia.

Para Porto, é preciso massificar política de atratibilidade de empresas em diversos segmentos. “Londrina está sobrevivendo por conta de ser um polo regional no qual os moradores da macro-região vêm fazer suas compras aqui. Mas sem indústrias pesadas para que aumente a renda, aumente a qualidade de vida, para que se fortaleça o comércio instalado e aí sim vamos ver criação de empresas e, consequentemente, empregos”, diz.

Mais desempregados

A  redução na abertura de empresas pode ter influenciado negativamente a empregabilidade na cidade. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2018 houve mais desligamentos (50,35%) que admissões em Londrina. No total, foram 68.191 pessoas que perderam o emprego contra 67.253 que conseguiram novas colocações.

ACIL quer criar ouvidoria

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Fernando de Moraes, diz, por sua vez, que a entidade está preocupada com a queda no número de aberturas de empresa. “Tudo isso está ligado à enorme burocracia do Município.  “Precisamos facilitar que o empresário possa abrir sua empresa mais rapidamente”, afirma. Para ajudar no processo, a Acil quer lançar o serviço de ouvidoria para atender reclamações do empresariado sobre isso. “Com isso, vamos poder  mensurar exatamente onde os serviços estão emperrando e agir sobre ele, cobrando soluções do Município, Estado ou União”, explica.

O que diz a prefeitura

A administração pública de Londrina diz que está investindo em desburocratização para reduzir o tempo de alguns processos, inclusive no alvará de licença das empresas. Segundo o secretário de Governo, Juarez Paulo Tridapalli, a parceria com o Núcleo Interdisciplinar de Gestão Pública (NIGEP) da UEL já vem dando resultados. “Simplificamos o licenciamento sanitário para casos de menor potencial de risco, implantamos o processo eletrônico de licença ambiental e simplificamos o processo de aprovação de projetos na Secretaria de Obras para construções de até 500 metros quadrados. A partir de segunda-feira, vamos regularizar esse  processo e passar para o sistema eletrônico”, aponta. De acordo com ele, a redução na fila de espera será enorme. “Hoje, o tempo médio de espera para aprovação de uma obra é de 360 dias. Queremos deixar em 60 dias”, diz.

Tridapalli diz que não haverá prejuízos para a comunidade. “Em todos, os interessados terão que assinar um termo de compromisso de se adequar às legislações. E vai haver fiscalização. Se não estiver de acordo, serão responsabilizados de acordo com a lei”, explica.

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