Cresce números de conflitos entre sócios no Brasil; saiba como evitar e se resguardar

Winners. Young african and caucasian men and women sitting at office and working on laptops. The business, emotions, team, teamwork, workplace, leadership, meeting concept. different emotions of colleagues

Principais causas de conflito são distribuição de lucros, falta de planejamento e regras claras desde o início

O LONDRINENSE com assessoria

De acordo com dados do Conselho Regional de Contabilidade (CRC), o número de conflitos entre sócios no Brasil vem crescendo nos últimos anos. As varas empresariais de São Paulo recebem 60 novas ações por mês, um crescimento de quase 25%. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Direito Empresarial (IBRADEMP), o número de inconformidades entre societários no país também está em alta.

Segundo a pesquisa Conflitos Societários e a Atuação do Advogado, realizada pela entidade em 2020, 63% dos escritórios de advocacia consultados afirmaram ter atuado em pelo menos um processo de dissolução de sociedade nos últimos dois anos. Além disso, 37% dos escritórios afirmaram que conflitos societários são o segundo tipo de processo mais frequente em suas atividades.

Giovani Beirigo, advogado e sócio do escritório Baum, Beirigo & Milani, que atua tanto na prevenção quanto na negociação depois do conflito instaurado, alerta para as soluções: “Existem diversas alternativas. Utilizar o Acordo de Sócios ou Acordo de Acionistas ajuda a regular as relações entre os sócios e a relação dos sócios para com a sociedade. Outros instrumentos como o Memorando de Entendimentos (ou M.O.U.) e os Acordos de Confidencialidade também são ferramentas muito utilizadas em momentos prévios a uma operação societária de investimento, venda e compra de participações, fusões, aquisições e afins. Todas estas ferramentas visam proteger os sócios e a empresa de possíveis conflitos”, explica.

Perguntas precisam ser respondidas desde o início

Beirigo também alerta para problemas que os sócios devem antecipar, respondendo, desde o início, perguntas como: “O que acontece se um dos sócios falecer? O que acontece se alguém quiser sair da sociedade? E se alguém sair da sociedade, poderão ser concorrentes? O que a sociedade entende que um sócio não pode praticar sem o consentimento dos demais? A sociedade admite o ingresso de herdeiros? O que acontece se confiança entre os sócios for rompida?”.

Para evitar estes tipos de conflito é fundamental a consulta de profissionais que apoiem na redação de acordos de sócios que tratem sobre sucessão, remuneração, responsabilidades, concorrência, dentre outros temas sensíveis à operação da sociedade. “Advogado que não apresenta saídas criativas e não tem um atendimento próximo e personalizado em casos assim, pode apenas ampliar o problema. O advogado tem um papel fundamental nesse processo, ajudando a afastar os ânimos e trazer transparência”, aponta Beirigo.

“Após os conflitos instaurados dentro de uma sociedade, sofrem os sócios e sofre a empresa. O sucesso do negócio entra em jogo quando há conflito societário. Por isso a importância de prevenir sempre”, acrescenta o profissional.

Distribuição de lucros

“Muitas discordâncias nascem na formatação da sociedade. Distribuir lucros, assumir as dívidas e determinar os rumos da empresa são pontos normalmente sensíveis”, prossegue o advogado. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) aponta que, entre os desacordos mais comuns entre partes, estão as questões relacionadas à administração, remuneração e distribuição de lucros. Além disso, outros fatores que podem contribuir para o surgimento de discordâncias entre sócios incluem a falta de transparência na gestão da empresa e a falta de alinhamento entre os objetivos dos envolvidos.

A falta de planejamento e de estabelecimento de regras claras desde o início da sociedade é apontada como uma das principais causas das desavenças entre integrantes. A falta de alinhamento de objetivos e de comunicação eficaz também contribuem para o surgimento de problemas.

Outra causa comum é a falta de clareza na distribuição de responsabilidades e alçadas financeiras entre os sócios. Isso pode levar a desentendimentos sobre a gestão do negócio e a divisão dos lucros. Sete em cada 10 sociedades no Brasil desaparecem devido a conflitos entre as partes. Isso demonstra como esses desacordos podem afetar significativamente os negócios, causando grandes prejuízos.

O presidente da Comissão de Sociedades Anônimas e Sociedades Limitadas do CRC, João Paulo de Castro, sinaliza que essas divergências surgem, principalmente, de fato, devido à falta de planejamento e de acordos prévios entre os associados.

Segundo o Boletim Mapa de Empresas do Ministério da Economia, o Brasil registrou 3.838.063 novas empresas abertas somente em 2022. Muitas delas não sobreviverão aos conflitos societários. “Se bem planejada, a prevenção do conflito pode significar o sucesso e longevidade de um negócio”, finaliza Beirigo.

Foto: FreePik

Compartilhe:

Respostas de 2

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse