FLAPE marca estreia como festival literário da Lapa e sonha com novas edições

Grupo de escritoras participantes

Por Edra Moraes

No último final de semana, a cidade histórica da Lapa (PR) viveu uma imersão literária e cultural com a realização da FLAPE – I Feira Literária Lapeana, nos dias 25 e 26 de outubro. Idealizado e organizado por Ná Silva e Neysi Oliveira, residentes na Lapa, o evento aconteceu no Palco Natural da Escola de Música João Francisco Mariano, reunindo escritores, artistas locais e regionais, coletivos culturais e a comunidade em torno do livro, da palavra e das diversas expressões artísticas.

Com entrada gratuita e programação diversificada, a FLAPE promoveu o encontro entre gerações, valorizou vozes locais e reforçou o papel da Lapa como destino cultural do Paraná. A programação da FLAPE se estendeu por dois dias intensos de atividades. Os grupos e autores foram selecionados através de um formulário nas redes sociais, e a curadoria cuidou para que a diversidade de atividades fosse o ponto alto do evento.

A FLAPE - Feira Literária Lapeana, realizada no final de semana, prova que o investimento em festivais e feiras culturais, além de fomentar a arte e a cultura, contribuem para movimentar a economia local

No sábado, o evento abriu com o relançamento de “Pé na bunda é impulso”, de Ive Bueno, seguido por oficina de Yoga com Cá Cortes, lançamentos de obras de Maristela Ono, Cintia Ishizaka, Lara Peter, Eduardo Forgiarini e Giovana Tisian Serena, além de mesas sobre violência contra a mulher e literatura infantil. A noite foi marcada por um sarau de poesias com os coletivos presentes, Batalha do Módulo e apresentação da banda Tropeiros do Rock.

No domingo, a programação da FLAPE incluiu a abertura da exposição de Rafa Artmiss, oficinas de escrita terapêutica com Melissa Reinehr e Francine Cruz, roda de capoeira com o Centro Paranaense de Capoeira, roda de conversa sobre Literatura do Quilombo| Pretas com Poesia, apresentações da Associação Literária Lapeana (ALL) e da União dos Artistas Lapeanos (UAL), além de lançamentos coletivos como “Cem poemas de gratidão” e a “Antologia Suja” (Editora Donizela). O encerramento contou com apresentação de dança do Studio Michelle Penkal e o lançamento do livro “Sem alarde, os poemas sangram”, de Edra Moraes, e sarau com sorteio de livros. Durante todo o evento, o público pôde visitar a exposição “As Lavadeiras”, com cartões poéticos gratuitos, e os stands da Editora Donizela e da Biblioteca Pública da Lapa.

FLAPE no estímulo de atividades criativas

Fotos: Divulgação

Agora que você já sabe tudo que aconteceu, preciso contar detalhes de como foi realizado. A FLAPE nasceu com o objetivo de promover a literatura, valorizar artistas e coletivos culturais e estimular a participação da comunidade em atividades criativas e educativas, e foi viabilizada de forma coletiva. São vários coletivos, alguns exclusivos de autoria de mulheres. E para não esquecer ninguém segue os agradecimentos a todos os que contribuíram para tornar realidade. Colégio Estadual Juvenal Borges da Silveira, o Colégio Estadual Professora Irma Antonia Bortoletto Bianchini, a Associação Literária Lapeana (ALL), o Coletivo Vozes Escarlate, o Mulherio das Letras Paraná, o Coletivo Marianas, a Editora Donizela, o grupo Pretas com Poesia, além da Prefeitura Municipal da Lapa e da Secretaria de Cultura.

No grupo de WhatsApp é possível ver a realização e alegria dos participantes. Foi um evento sem B.O. no inbox, e isto nos emociona muito. Pincei para você um dos depoimentos que deveria estar no privado, mas que eu acredito seria muito legal você, público, sentir esta realização com a gente:

“Que evento! Por muitos minutos eu ficava sentada, só olhando tudo e processando a informação. Pensava: é um sonho isto ou realidade? FLAPE é um sonho realizado. É tanto agradecimento que tenho para as organizadoras, pelo suporte (Larinha e as gêmeas cuidando dos detalhes, sem descanso), os lapeanos e lapeanas, as marianas e marianos. Berimbau, capoeira, quilombo, barulhinhos de páginas sendo folheadas, gaita sob a jabuticabeira, rimas no varal, as colchas de retalhos coloridos estendidas sobre a terra faziam ‘psiu, vem cá’! As cruellas trazendo a rua para o palco, tum, tum. Um evento sonoro e coletivo. Me sinto honrada por ter participado do primeiro episódio (o piloto) desta série que terá (tenho certeza) muitas temporadas. Muito grata a todos e todas.”

Andréia Carvalho Gavita, poeta, editora, web designer e diagramadora na Editora Donizela.

Assim fechamos o balanço da primeira FLAPE, o primeiro festival literário da Lapa-PR. Eu me senti feliz e honrada em participar. Fui público, participei da maioria das oficinas e apresentei meu trabalho. Posso dizer que foram dois dias de intensa alegria. Muitos dos trabalhos apresentados eu conheci através do festival: foram mesas, oficinas e lançamentos maravilhosos em termos de conteúdo. Prova de que a literatura e as artes em geral não acontecem só no eixo Rio–São Paulo ou grandes capitais.

Aqui tivemos escritoras e escritores de várias regiões do Paraná, incluindo a participação e o apoio da Associação Literária Lapeana (ALL), uma entidade histórica de Lapa, fundada em 1873, que impulsionou a cultura local com o Teatro São João e a biblioteca. Teatro lindo que está em reforma e que pode se tornar a casa da FLAPE, porque é muito bonito e carrega a literatura na sua alma, pois, como fiquei sabendo no evento, foi idealizado como biblioteca.

Aproveito o momento para destacar os festivais dentro da economia criativa. Amo festivais, sou cria deles. Londrina, minha cidade natal, tem mais de 15 festivais de arte, e reforço que é preciso um olhar mais atento à riqueza do que é um festival. Fonte de informação com curadoria, o que é importantíssimo na arte. Abrange programações que vão de apresentação de artistas nacionais, passando por oficinas de formação e vitrine para novos entrantes que ali encontram seu público.

Gestores públicos deveriam se informar mais sobre como festivais transformam cidades, agem diretamente no turismo e, se bem divulgados, atraem público de várias regiões. Os festivais têm um bom ticket médio de consumo e contribuem efetivamente na formação de público. Por isto, para mim, estudiosa da Economia Criativa, festivais deveriam ter apoio não só da pasta de cultura, mas de desenvolvimento e turismo e entidades comerciais da cidade. É preciso decidir se vamos pulverizar uma verba investindo sem estratégia ou se vamos investir milhões para produzir outros milhões e fomentar a arte e a cultura.

Gestores públicos devem atentar à Economia Criativa da sua região, e não é tirando foto com artistas que vamos fazer isto, é com objetivo definido, meta no papel, e equipe preparada para um desafio, como qualquer empreitada.

VIDA LONGA AO FLAPE!

“FLAPE: Um festival com a alma da Lapa”

Foto principal: Grupo de escritoras presentes na Flape/Divulgação

Edra Moraes

O PROMIC de Londrina está sob ataque e não existe economia criativa sem orçamento robusto e gestores comprometidos

Profissional de marketing, produtora cultural e escritora. Agitadora cultural e idealizadora do Movimento Londrina Criativa. Prêmios:  Obras Literárias Digitais 2020“Antologia Poética | Seleção da AutoraMemorial Vivência, Literatura, Livro e Leitura UnesparCultura nas Redes 2020 e FCC Digital 2020.

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Leia mais sobre Economia Criativa

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Respostas de 16

  1. Edra, seu trabalho pela Cultura é fabuloso. Acredite, você “toca vidas”, em todos os sentidos.
    Por mais Edras, Gavitas, Marianas.
    Avante!

  2. Foi um evento lindíssimo e forte! Sou grata às coordenadoras do evento, às escritoras e aos músicos. Amei TUDO! E aquela apresentação das meninas dançando foi fantástica. Muita arte e cultura na Lapa! Louca para ver as próximas edições.

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