Por Edra Moraes
Curitiba entre os maiores do IDPEC: um modelo para a Economia Criativa
Um relatório recente sobre o Índice de Desenvolvimento Potencial da Economia Criativa (IDPEC) destacou Curitiba como uma das capitais brasileiras com maior potencial para impulsionar setores criativos, como cultura, tecnologia e design. O IDPEC é uma ferramenta desenvolvida para estimar o potencial de desenvolvimento da economia criativa em capitais brasileiras, com base em características territoriais específicas. O índice é composto por nove variáveis organizadas em três dimensões: capacidades humanas, atratividade e conectividade espacial, e ambiente cultural e empreendedorismo criativo. A validação do índice foi feita por meio de uma correlação com o Quociente Locacional (QL), que mede a especialização regional das indústrias criativas.
O desempenho de Curitiba: educação, segurança e conectividade
Com base em dados públicos, Curitiba se destaca em áreas como educação e segurança (indicadores de capacidades humanas), infraestrutura de transporte e acesso à internet (conectividade), e investimentos em eventos culturais e empreendedorismo. A correlação de 70% entre o IDPEC e o QL sugere que a cidade já colhe os frutos de políticas públicas alinhadas a essas áreas, como programas de formação técnica e incentivos a startups. Essa correlação indica que cerca de 70% da especialização regional em economia criativa pode ser explicada pelos fatores considerados no IDPEC.
A matriz de Políticas Públicas: um guia para as cidades brasileiras
A matriz de políticas públicas proposta no relatório é particularmente relevante, pois oferece um framework para a intervenção pública, considerando as diferentes realidades das cidades brasileiras. Por exemplo, cidades com alto IDPEC e baixo QL têm um potencial reprimido que pode ser explorado com políticas de fomento e atração de investimentos. Já cidades com baixo IDPEC e alto QL enfrentam desafios que podem limitar seu crescimento futuro. Essa abordagem multidimensional é essencial para o desenvolvimento da economia criativa, considerando não apenas a concentração atual de empregos e atividades criativas, mas também as condições estruturais e territoriais.

Londrina Criativa: um potencial a ser explorado
O Movimento Londrina Criativa enxerga a cidade como um polo cuja economia criativa deve ser incorporada ao planejamento urbano estratégico e sustentável. Londrina, como um dos principais polos econômicos e culturais do Paraná, possui um potencial criativo vasto e diversificado, que abrange desde setores tradicionais, como cultura, artesanato, e gastronomia, até áreas mais contemporâneas, como tecnologia, design, audiovisual e moda. A integração dessas atividades ao planejamento urbano não apenas valoriza a identidade cultural da cidade, mas também gera empregos, atrai investimentos e promove a inovação.
Economia Criativa e Desenvolvimento Sustentável
A economia criativa, quando incorporada ao planejamento urbano, permite que a cidade se desenvolva de forma mais inclusiva e sustentável. Isso porque ela valoriza os talentos locais, fortalece as cadeias produtivas regionais e estimula a criação de espaços urbanos mais dinâmicos e conectados. Por exemplo, a revitalização de áreas históricas, a criação de hubs criativos e a promoção de eventos culturais podem transformar Londrina em um ambiente propício para o florescimento de novas ideias e negócios.
Redução das desigualdades sociais por meio da criatividade
Além disso, a economia criativa pode ser um instrumento poderoso para a redução das desigualdades sociais. Ao fomentar atividades que dependem mais da criatividade e do conhecimento do que de recursos financeiros ou infraestrutura pesada, é possível abrir oportunidades para jovens, mulheres e comunidades marginalizadas, contribuindo para uma sociedade mais justa e equitativa.
Londrina e a lição dos números: como aplicar o modelo de Curitiba
Para cidades não capitais, como Londrina, os dados de Curitiba oferecem um mapa estratégico. Aplicar a metodologia do IDPEC — cujas fórmulas e critérios são públicos — permitiria à Londrina identificar gargalos e oportunidades em sua economia criativa. Por exemplo, se Londrina apresentasse baixo QL (pouca especialização em setores criativos), mas alto potencial no IDPEC, poderia focar em atrair investimentos e qualificar mão de obra. Se, por outro lado, houvesse deficiências em conectividade ou segurança, seriam prioridades urgentes.
Adaptando a matriz de Políticas Públicas para Londrina
O relatório propõe uma matriz de políticas que classifica as cidades em quatro perfis, algo que Londrina poderia adaptar. Um desafio seria fortalecer eixos como a integração entre universidades e empresas ou a revitalização de espaços culturais, seguindo o exemplo de Curitiba. A mensagem é clara: métricas transparentes e diagnósticos precisos são o primeiro passo para transformar criatividade em desenvolvimento econômico.
O relatório reforça a importância de políticas públicas que considerem as especificidades locais, como educação, segurança, conectividade e investimento em cultura, para impulsionar o desenvolvimento da economia criativa. Londrina tem todas as condições para se tornar um exemplo de como a criatividade pode ser transformada em desenvolvimento econômico e social, seguindo os passos de Curitiba e adaptando as melhores práticas às suas próprias necessidades e potencialidades.
Edra Moraes

Profissional de marketing, produtora cultural e escritora. Agitadora cultural e idealizadora do Movimento Londrina Criativa. Prêmios: Obras Literárias Digitais 2020, “Antologia Poética | Seleção da Autora, Memorial Vivência, Literatura, Livro e Leitura Unespar, Cultura nas Redes 2020 e FCC Digital 2020. Me siga nas redes sociais: Facebook, Instagram @edra_moraes, YouTube @edra-moraes27. Contatos: e-mail edra.moraes27@gmail.com e fone/whatsapp: (41) 997722447.
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