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Três jovens escritoras são a cara da literatura londrinense no prêmio Outras Palavras

Amanda Damásio, Camila Mossi e Samantha Abreu venceram com livro de poesias, de crônicas e de contos, respectivamente.

O prêmio Outras Palavras, estabelecido pela lei Aldir Blanc, e promovido pela Secretaria Estadual de Comunicação e Cultura do Paraná, divulgou seu resultado nessa segunda-feira (14), no qual seleciona os 20 melhores livros de autores radicados no Paraná, em oito categorias: romance; contos e crônicas, poesias, ensaios críticos, roteiro de cinema, dramaturgia, pesquisa de cultura alimentar e livro ilustrado.

Publicada pela primeira vez aos 16 na Folha de Londrina, Amanda Damasio, 22 anos, continua a se envolver nas amarras da literatura. É licenciada em Letras pela Universidade de Londrina, onde agora estuda literatura e políticas públicas como mestranda. Também foi publicada em antologias (Concreticidade, pela editora Madrepérola) e revistas (Revista Saracura, ed. de 2019) recentemente.

Foi classificada na categoria poesia com seu livro inédito ”À beira de um abismo espelhado”, um livro curto de poemas que, escrito exclusivamente dentro de casa, esmiúça a poesia infiltrada dentro dos detalhes do cotidiano e da memória.

Ela diz: ”o livro que escrevi foi produzido durante o isolamento, de forma despretensiosa, mas inédita. Tentei focar em todas as reflexões que me estavam presas na cabeça e que eu não podia, por exemplo, desabafar em uma mesa de bar. Não pensava que iria ganhar o prêmio e me surpreendi muito. Editais como esse ajudam o escritor a entender seu valor, finalmente, e poder vestir a carapuça de autor sem muita timidez. Foi o que aconteceu comigo.”

Camila Mossi, 33, é mestre em Letras pela Universidade Estadual de Londrina e doutoranda em Letras pela Universidade Estadual de Maringá. É servidora do Instituto Federal do Paraná campus Londrina e autora do livro Agora Sapiens, lançado em 2018, pela editora Penalux. A autora ficou em primeiro lugar na categoria contos e crônicas com o livro de crônicas inéditas Anticonstitucionalissimamente.

Na primeira parte do livro, “Quarentena, pandemia e outras pestes”, discute-se o isolamento social ocasionado pela pandemia do coronavírus e outras pestes que nos assolam, como a corrupção, a desigualdade social, o racismo, a homofobia e o consumismo desenfreado. Na segunda parte, “Amor, morte e outras banalidades” reflete-se sobre os relacionamentos pós-modernos; a relação do homem com a finitude e outras banalidades.

“Quando eu estava pesquisando para escrever a crônica que dá nome ao livro, li uma colunista dizendo que quem conseguisse usar a palavra Anticonstitucionalissimamente em um discurso, deveria ser eleito presidente. Pensei: desafio aceito. Usei várias vezes no texto e nomeei o livro. Aguardo a faixa presidencial (Risos).” Comenta Camila Mossi.

Samantha Abreu, 40, é mestre em estudos literários pela UEL e se dedica à pesquisa da autoria feminina na literatura. Há alguns anos trabalha com curadoria e produção de eventos literários, buscando ações que movimentem a cena literária em Londrina. Publicou os livros Fantasias para quando vier a chuva (Orpheu, 2011); Mulheres sob Descontrole (Atrito Arte, 2015); A pequena mão da criança morta (2018, Penalux) e o mais recente Debaixo das Unhas (Olaria Cartonera, 2020).

No prêmio Outras Palavras, Samantha inscreveu a coletânea de contos Mulheres sob Descontrole, revista e com a inclusão de novos textos.

A série Mulheres sob Descontrole foi inaugurada em 2006, quando Samantha venceu um concurso nacional com o conto ‘Por Conta do Horóscopo’. A partir deste primeiro texto, a autora (que se dedica sobretudo à escrita de poemas) passou a narrar de forma irônica e satírica as experiências cotidianas de mulheres, provocando o leitor por meio de monólogos e diálogos. Na época, a série era publicada em um blogue homônimo e, em 2015, os textos foram reunidos para publicação em livro físico.

“Esse livro sempre me trouxe um retorno muito bacana, divertido e satisfatório em todos os sentidos. A ideia de uma continuação vinha surgindo em minha cabeça e agora, com o prêmio, eu acho realmente que farei isso”.

As premiadas são bastante ativas no cenário cultural londrinense. Camila Mossi e Samantha Abreu participam do coletivo Versa, que discute a autoria feminina e fomenta o protagonismo das mulheres na Literatura. Em 2019, Camila, Samantha e Amanda Damasio, junto ao coletivo de escritores londrinenses, organizaram duas edições da Manifesta – Festa da literatura londrinense, que ocorre no bar Valentino. As edições de 2020 da festa foram adiadas devido à pandemia do novo cornonavírus.

“A ideia da Manifesta é reunir a boemia londrinense, colocar os escritores, novos e das antigas, em sintonia. Incentivar a criação literária e, quem sabe, trazer Londrina novamente à posição de celeiro literário que já ocupou no passado”, finaliza Camila.

Além do protagonismo feminino, três londrinenses também foram agraciados no prêmio Outras Palavras: Eduardo Baccarin-Costa ficou na primeira colocação na categoria romance com o recém-lançado Apenas três palavras (Madrepérola, 2020); Luis Henrique Mioto foi classificado com o livro, ainda inédito, Contos tridimensionais; e Renato Forin Junior com a obra Samba de Uma Noite de Verão na categoria dramaturgia.

Foto: Acervo pessoal

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