Para celebrar três décadas de trajetória, grupo de teatro londrinense lança projeto de memória e prepara espetáculo em meio à pandemia
O LONDRINENSE com assessoria
O grupo de teatro Boca de Baco acaba de lançar o projeto de memória de suas três décadas em Londrina. O registro da trajetória do grupo começou a ser divulgado nas mídias sociais e no site www.bocadebaco.art.br, que reúne fotos, cartazes, programas, vídeos e matérias veiculadas na imprensa local e nacional, reunidos e arquivados. “São recortes da memória do Boca de Baco. Mas também da história do teatro e da cultura de Londrina”, explica a atriz e jornalista Jackeline Seglin, que também é produtora executiva do projeto e responsável pela pesquisa e arquivamento do material.
O site e o projeto foram lançados oficialmente na noite de quinta-feira (25), quando o Boca realizou um encontro virtual reunindo fundadores, ex-integrantes, parceiros de trabalho, artistas, apoiadores e pessoas que acompanham a história do grupo.
Criado no início da década de 1990, por bancárias, bancários e estudantes, o grupo Boca de Baco chegou aos 30 anos a bordo de um projeto que prevê montagem de espetáculo, oficinas teatrais, festas (após a pandemia), registro histórico e ações de mídia.
O encontro foi conduzido pelo entrevistador colombiano Alfonsín Cuentas, personagem do ator Reinaldo Zanardi, e teve participação de Bernardo Pellegrini, secretário municipal de Cultura, e de Jair Pedro Ferreira, diretor da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), patrocinadora do projeto.
Atores e ex-atores do Boca apresentaram performances a partir de cenas dos espetáculos montados pelo grupo ao longo de sua trajetória. O diretor Luiz Valcazaras, de São Paulo, e o dramaturgo Renato Forin Jr., de Londrina, também falaram sobre os trabalhos com o grupo e o novo espetáculo, ainda sem data de estreia definida.
O projeto traz as marcas do tempo presente: a pandemia do Coronavírus, a crise agônica pela qual passa o país e as profundas transformações culturais e tecnológicas vividas no mundo. “Mais do que nos reunir virtualmente por causa da pandemia, estamos refletindo e criando em meio à tempestade da nossa época”, aponta a atriz e jornalista Jackeline Seglin, que também é produtora executiva do projeto.
O grupo está fazendo esse exercício de “memória viva” desde março de 2020. Em reuniões virtuais, integrantes novos e de outras fases do grupo se debruçaram sobre a “jornada de heróis e heroínas” de mitos e tragédias gregas. O fio condutor é o adivinho e cego Tirésias, personagem secundário que atravessa a jornada de figuras mitológicas como Narciso, Édipo, Antígona, Baco.
“Tirésias funciona como um espelho invertido para essas figuras, que
passam a olhar para a profundidade de si mesmos e assim passam por provações e
realizam as transformações que marcam a jornada de heroínas e heróis”,
explica Luciano Bitencourt, jornalista aposentado, deficiente visual e um dos
fundadores do Boca de Baco. O grupo que está montando este trabalho é formado
também por Beto Passini, Nivaldo Lino, Jackeline Seglin, Antônio Júnior,
Reinaldo Zanardi, Fátima Sgrignolli Carreri e Sílvia França.
As reflexões sobre o mito servem de base para os participantes do projeto
recontarem suas próprias histórias de vida. Essa “prospecção” de
histórias é feita sob a coordenação de Luiz Valcazaras, que trabalha com o
grupo há 20 anos com a metodologia “Contadores de Imagens”, do seu
NITe (Núcleo de Investigação Teatral).
As histórias pessoais, “refletidas no espelho de Tirésias”, serviram tanto à dramaturgia da futura montagem, criada por Renato Forin Jr, dramaturgo e pesquisador teatral de Londrina, como também ao trabalho de atores e atrizes.
Projeto Boca de Baco 30 e Uns
Realização: Boca de Baco
Produção: Kan
Patrocínio: Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae)
Foto: Print do site

