Uma amizade de 40 anos se perdeu por política. O que eu faço?

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Por Telma Elorza

“Minha amiga há 40 anos me desconectou, mudou a forma como a gente se relacionava por causa das diferenças políticas. Antes vivíamos nos encontrando e, mesmo com as diferenças, conseguíamos manter a amizade. Mas agora, com o novo governo, mal nos falamos. Eu a procuro e ela me ignora. Mal conversamos e só pelas redes sociais. Isso me deixa muito mal, porque acredito que amizade é uma forma de amor. O que faço para reverter isso? Não quero perde-la.”

Infelizmente, a polarização política que o Brasil vive nos últimos anos destruiu amizades antigas e até famílias. São muitos os casos que a gente escuta, no nosso dia a dia, de pais brigando com filhos, amigos rompendo amizades, primos se desentendendo (aconteceu comigo). Enfim. Na minha opinião, tudo isso acontece porque não há o acolhimento de ambas as partes.

E o que seria esse acolhimento? Tentar entender a ideia do outro e respeitá-la. A gente pode discordar, mas com carinho e amor. Nunca tentando convencer o outro que você está certo e ele, errado. Por mais que doa ver alguém que você gosta com ideias frontalmente contrárias a tudo que você acredita, você tem que por na balança os anos de amizade, os laços afetivos construídos, o amor partilhado. E analisar se sua opinião política é mais importante para você do que tudo isso.

Se, nesta análise, você perceber que sim, a amizade importa, vá atrás dela. O que eu sugiro, nesse caso, é tentar uma nova aproximação. De forma suave, sem impor sua presença. Mas comece a mandar mensagens, nas próprias redes sociais, com algo do tipo: “estou com saudades de você”, “nossos papos me fazem falta”, “sinto sua falta”. Insista, persista, resista. Se a amizade de 40 anos for sólida de ambas as partes, é provável que ela também sinta sua falta, que também sofra com sua ausência. E uma hora ela vai se dobrar ao seu carinho e aceitar um novo contato.

Se, por outro lado, ela continuar rejeitando seus avanços de paz, lamento informar, mas ela nunca foi a amiga que você esperava. E, portanto, não vale a pena fazer tantos esforços. Dê um adeus melancólico e valorize as verdadeiras amizades que ainda mantém.

Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br

Quem é a Tia Telma

Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.

Arte: Mirella Fontana

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