Sem saco para sair de casa

consultorio-sentimental

Por Telma Elorza

“Eu queria saber se é normal, aos 31 anos, não ter vontade de sair de casa, nem para se divertir. Trabalho home office e, nas horas de folga, cuido da minha casinha (moro sozinha), leio, assisto séries e curto meu lar. Meu amigos já cansaram de me convidar para baladas e festas porque eu declino todos os convites. Só aceito churrascos e reuniões íntimas nas casas deles. Eles me cobram um namorado, inclusive, mas me sinto feliz com a minha vida do jeito que está. Porém, todo mundo me acha muito reclusa. Tem algo errado comigo?”

Bom, amiga, eu acredito que você não está sozinha nessa. Há muitas pessoas na sua faixa etária que estão preferindo o conforto do lar ao invés de estar nas baladas, bebendo e ficando fora até tarde. Esse movimento não é incomum. E não, não tem nada de errado em ser caseira, gostar de ficar sozinha e priorizar o seu conforto. A vida não é um roteiro fixo e cada um encontra prazer e felicidade de um jeito. E se o seu jeito é com um livro no colo, série na TV e cheirinho de casa limpa, tudo certo,

Massssss…

Aqui vem um parênteses importante. É bom observar se esse comportamento é uma escolha tranquila ou, se no fundo, esconde uma ansiedade social que vem lhe limitando sem que perceba. Existe uma grande diferença entre preferir ambientes calmos e evitar qualquer tipo de convívio por medo, desconforto e insegurança.

Fobia social, ou ansiedade social, é quando a simples ideia de estar com outras pessoas, especialmente em lugares novos ou com muita gente, provoca angústia. Não precisa ser um pânico escancarado. Às vezes, a pessoa vai evitando aos poucos, diz “não” sem nem pensar, e acaba se isolando sem querer.

E olha só: isso não é frescura, e também não significa que você esteja quebrada ou com defeito. Mas se você perceber que sente um certo alívio em evitar sair, mesmo quando gostaria de ir; ou se só de pensar em socializar já bate um cansaço emocional, talvez valha a pena conversar com um psicólogo. Não pra mudar quem você é, mas pra garantir que suas escolhas estão partindo do bem-estar e não do medo.

Precisa sair de casa para namorar?

Voltando à sua vida: seus amigos insistem que você arrume um namorado, como se a felicidade estivesse exclusivamente nisso. Mas a gente sabe que relacionamento não é receita de bolo e, muito menos, obrigação. Você se sente feliz consigo mesma? Ok, tá tudo bem. A paz de estar bem sozinha é uma conquista, não um problema a ser resolvido. Mesmo que você frequentasse baladas, botecos e shows, quem garante que iria encontrar uma pessoa legal, que a compreendesse? Achar o amor, a pessoa que a completa, é uma loteria. Você pode dar a sorte grande num churrasco dos amigos. Por que não?

No fim das contas, o que mais importa é a autenticidade, ser como você é e não como os outros querem que você seja. Se o seu lar lhe acolhe, sua rotina lhe faz bem, você se sente realizada com suas escolhas, porque deveria mudar? Mas fique atenta também a uma coisa: não confunda conforto e paz com acomodação. Às vezes, a gente se fecha tanto no nosso mundinho que esquece de viver coisas novas, que poderiam nos surpreender positivamente. Que tal completar todo esse aconchego que você tem dentro de casa com uma atividade – diária ou semanal – fora dela? Um curso, um hobby, um esporte, cinema, teatro, até uma academia que a obrigue a sair e que, ao mesmo tempo, lhe traga alegria?

O importante é que você seja honesta consigo mesma. Se o seu “não quero sair” vem de um lugar de equilíbrio, ótimo. Aproveite e curta sua vida, sem deixar que os outros a pertubem por suas decisões. Mas se tiver um fundinho de medo ou desconforto, procure ajuda. Cuidar da saúde mental é um ato de amor próprio também. Não vale deixar o mundo inteiro fora da sua vida se o que você precisa é um pouco de coragem e apoio para testá-lo, ok?

Espero ter ajudado.

Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

A leitora gosta de ficar em casa, em vez de sair para as baladas com os amigos. Se não for uma fobia social, pode ser bem normal
Tia Telma versão IA

Quem é a Tia Telma

Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.

Siga O LONDRINE̅NSE no Instagram

Leia mais colunas do Consultório Sentimental da Tia Telma

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse