Por Telma Elorza
“Tenho 18 anos e estou apaixonada por uma mulher de 45 anos. Nós nos damos muito bem, nosso relacionamento é incrível, mas nossas famílias não aceitam nosso amor, tanto por ser lésbico como pela diferença de idades. Com fazer para contornar isso?“
Ei, guria, senta aqui, vamos conversar. Eu sei que não está sendo fácil. Você está apaixonada, vivendo algo que a faz feliz, mas parece que o mundo está contra, né? A família resmunga, os amigos dão opinião sem ser chamados e, às vezes, até você mesma se pega questionando se vale a pena. Bom, deixa eu contar uma coisa: vale sim. Mas, como tudo na vida, vale se fizer sentido pra você.
Primeiro, vamos falar do óbvio: idade não mede sentimento. A gente cresce ouvindo que amor tem que ter “lógica”, mas o coração não entende de matemática. Você se conectou com uma mulher mais velha? Ótimo. Isso não significa que está errado ou que tem algo de estranho. Significa que encontrou alguém que a entende, que a completa e que faz seus olhos brilharem. E isso já é muita coisa.
Mas eu sei que o problema maior não está em vocês, está no entorno. Família é uma coisa complicada. Muitas vezes, eles têm medo, criam cenários na cabeça, acham que sabem o que é melhor pra gente. Às vezes, até querem nos proteger, mas acabam sufocando. Se for esse o caso, tentem conversar com as respectivas famílias. Expliquem que o relacionamento não é uma fase, que não é um capricho, que é algo que lhes faz bem. Mostra que vocês estão felizes. Porque, no fundo, é isso que eles querem: vê-las bem.
Preconceito com o amor lésbico?
Agora, se o problema for puro preconceito, aí a coisa fica mais difícil. Infelizmente, nem todo mundo vai entender ou aceitar. E tem horas que vocês precisam escolherem suas batalhas. Não dá para convencer todo mundo de que amor é amor. Mas dá para se cercar apenas de quem as apoiam, de quem torce por vocês, de quem quer vê-las sorrindo. E se, por acaso, as famílias fecharem as portas, saiba que vocês podem construir uma nova família – com amigos, com pessoas que respeitam esse jeito de amar.
Outro ponto que vale refletir: esse relacionamento está sendo leve pra você? Às vezes, a diferença de idade pode trazer desafios. São fases de vida diferentes, experiências diferentes. Você se sente respeitada, ouvida, valorizada? Se sim, siga firme. Se não, talvez seja hora de pensar se esse amor está te fazendo bem ou se está pesando demais. Não por causa dos outros, mas por você mesma.
E sobre o medo do futuro? Sei que já lhe falaram: “Mas e quando ela envelhecer mais? E se vocês não quiserem as mesmas coisas depois”? Olha, ninguém tem bola de cristal. Relacionamento é um dia de cada vez. Qualquer casal pode terminar, independente de idade, gênero, sexualidade ou qualquer outro detalhe. O que importa é se, hoje, você está vivendo um amor que vale a pena.
No final das contas, guria, as vidas são suas. Vocês é quem tem que decidir o que faz o coração bater mais forte. Não deixe que a opinião dos outros pese mais que a sua própria felicidade. Amem com verdade, com respeito e, acima de tudo, ame quem faz bem para alma. O amor sempre encontra um jeito. Sempre.
Espero ter ajudado.
Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

Quem é a Tia Telma
Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.
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