Por Telma Elorza
“Sou muito indecisa e sofro para tomar decisões, em todos os aspectos da minha vida. Já perdi um noivado por causa da minha indecisão e ele cansou. Mas agora enfrento o maior dilema da minha vida. Recebi uma proposta de trabalho muito boa, com grandes vantagens pessoais, mais dinheiro e possibilidade infinitas de crescimento. Só que teria que me mudar para longe de tudo que me é familiar, inclusive família e amigos. Gosto do meu trabalho, sou feliz aqui, mas sei que nunca vou crescer mais se ficar aqui. E agora estou dividida, sem saber o que faço. Preciso dar a resposta o mais rápido possível e ainda não sei o que quero. Me ajuda?”
Ai, amiga, a questão, para mim, seria tão óbvia. Mas beleza, vamos mergulhar no dilema da sua indecisão crônica. Primeiro, você tem que pensar bem, porque, aqui, não é aquele clássico em que você tem que escolher entre pizza de calabresa ou de quatro queijos. Aqui, a escolha vale o rumo da sua vida inteira. Então, senta, pega um café e leia com calma porque vou dar conselho direto e sem muita firula.
Então vamos lá, mas relaxa, você não é a única que trava quando precisa decidir coisas importantes. Muita gente se enrola com a indecisão porque tem medo de errar na escolha e ficar se culpando depois. Mas vou dar um spoiler: não existe escolha perfeita. O que existe é escolher, arcar com as consequências e se virar para fazer dar certo. E, cá entre nós, não decidir já é decidir e, geralmente, acaba com a pior delas, por acomodação. Você perdeu um noivado por indecisão e agora corre o risco de perder uma baita (talvez a maior delas) oportunidade profissional. Adivinha? O mundo não vai parar enquanto você fica nesse chove não molha. Então é hora de tomar as rédeas da sua vida nas mãos.
Vamos organizar essa bagunça mental e acabar com essa indecisão?
Ficar onde está
Ficar onde você já está é tipo aquele cobertor velho e quentinho que você ama, confortável, previsível e sem surpresas. Mas também cheio de bolinhas e muito gasto. Vamos avaliar então os prós e contras:
Prós
- Família e amigos por perto: aquele abraço e comida de mãe, a cerveja com amigos, a cidade conhecida (sabe onde gastar seu dinheirinho com economia), lar, conforto.
- Você já sabe como tudo funciona no seu trabalho atual, não terá que reaprender do zero, não vai ser a “novata” sujeito a erros, já tem um círculo de colegas próximos. Enfim, já criou seu “habitat”, o que significa conforto também.
- Não tem que se preocupar com mudança, (aquele estresse todo de achar um lugar para morar, levar ou comprar móveis, se organizar); não tem que se preocupar com adaptação em novo local, em novo trabalho, onde não conhece ninguém. E, principalmente, não a saudade batendo forte. batendo forte.
Contras
- Crescimento profissional já bateu no teto. Vai ser sempre mais do mesmo, tipo série que já perdeu a graça na terceira temporada.
- Dinheiro? Provavelmente não vai mudar muito em relação ao que já recebe. Dinheiro não traz felicidade, mas compra passagem de avião, vinhos bons e terapia, o que já ajuda bastante.
- Remorso? Daqui a alguns anos, você vai olhar para trás e perguntar: “E se eu tivesse ido”? E essa pergunta pesa mais que mala de viagem na volta do passeio.
Aceitar o trabalho
Agora vamos falar da proposta incrível que você recebeu. Ela é tipo aquele paquera novo que aparece de repente: empolgante, cheio de promessas, mas que também dá uma medo de se jogar. Então vamos avaliar também os prós e contras.
Prós
- Mais dinheiro no bolso. É um fator que não pode ser deixado de lado. Dinheiro abre portas, traz liberdade e dá poder de escolha.
- Crescimento profissional real. Pode ser a chance de virar protagonista da sua própria carreira, já que você mesmo disse que há possibilidades infinitas de crescimento. Onde você quer chegar?
- Sair da sua zona de conforto: sim, parece assustador, mas também é o que mais faz a gente crescer. Sair da rotina, dar uma chacoalhada nas coisas é ótimo para sua criatividade e produtividade. Ter novos desafios, conhecer novas pessoas, novos lugares é excelente para nossa vida que, na maioria das vezes, vamos levando no automático.
- A “futura você” vai lhe agradecer por ter tomado a decisão de mudar.
Contras
Saudades. Sim, vai bater a saudade da sua família, dos amigos e até da vidinha pacata que você levava. O coração aperta, o Whatsapp não resolve tudo.
- Novo lugar, nova cultura, novas pessoas: você pode demorar a se adpatar, ainda mais com sua indecisão crônica.
- O risco existe: e se tudo não for como prometeram? A captação de profissionais pode “exagerar” um pouco as coisas.
Hora de jogar essa indecisão fora
Agora vem a parte que ninguém gosta: você vai ter que escolher. O segredo é parar de esperar um sinal divino ou por certeza absoluta. Isso não existe. O que existe é você olhar para sua vida e pensar: qual a versão de mim que quero viver pelos próximos anos? A que escolheu o conforto do conhecido, com a galera perto, mas sem muita novidade e perspectivas? Ok.
Ou quer ser a que se jogou no desconhecido, tremendo de medo, mas com chance de explodir profissionalmente? Ok também.
O problema é ficar paralisada pela indecisão, no meio da estrada, olhando para os dois lados enquanto a vida passa.
Minha sugestão e sendo bem direta (como disse no começo, para mim é óbvio: VAI. A vida é feita de desafios e riscos e você já sabe que, onde você está, não tem muitas perspectivas nem por onde crescer. Vai dar medo, frio na barriga? Vai. Mas isso é justamente o sinal de que você está viva e pronta para evoluir. Mudar não significa desconectar para sempre. Você pode visitar, manter contato e, quem sabe, trazer até os mais próximos para visitá-la no seu novo mundo.
E, além disso, se as coisas não forem como você espera, sempre pode voltar atrás. Vai ter dificuldades para isso? Vai, mas também não é impossível.
No fim, a indecisão só some quando você entende que, qualquer escolha que faça, terá ganhos e perdas. Então, escolha aquilo que faz seu coração bater mais forte. Não a que lhe deixa menos assustada. Porque, se é pra ter medo, que seja por algo que lhe empurra para frente. Porque indecisão não paga boleto nem a faz crescer. Escolha e faça sua vida valer a pena.
Espero ter ajudado.
Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

Quem é a Tia Telma
Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.
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