Por Telma Elorza
“Tenho 26 anos, sou formada, mas não consigo trabalho em minha área porque, na minha cidade, meu setor está saturada. Estou trabalhando em telemarketing e Uber para conseguir pagar minhas contas. Ainda moro com os meus pais e me sinto frustrada, porque, na minha idade, eles já estava casados com bons empregos e construindo um futuro. Me sinto estagnada e sem coragem de abandonar tudo por aqui e me arriscar em outro estado com mais possibilidades. Me dá uma sugestão de como mudar as coisas internamente?”
Amiga, antes de qualquer coisa, tira esse peso das costas. Você tem 26 anos, um diploma, dois trabalhos e está enfrentando a realidade para pagar as próprias contas. Você não está parada, esperando as coisas caírem do céu, não. Calma. Vamos conversar um pouco.
O grande problema na sua história é que você está medindo sua vida por uma régua dos outros.
A história dos seus pais não é a sua. Não precisa ficar se comparando com eles. Na sua idade, eles viveram em outro contexto econômico, social e profissional. O mercado de trabalho era diferente, as exigências profissionais e sociais eram outras e até as possibilidades de crescer na carreira tinham outras dinâmicas. A gente precisa parar de comparar gerações, como se todos tivessem recebido as mesmas condições.
Houve um tempo em que um balconista de uma loja conseguia sustentar sozinho uma família grande. Hoje isso não é possível.
Além disso, você não sabe quantas dificuldades seus pais enfrentaram, assim como ninguém conhece todas as batalhas que você está lutando. Então, nada de comparações, por favor.
Trabalhar nesses dois empregos não diminui você, sua formação, inteligência ou capacidade profissional. Trabalho honesto não é motivo de vergonha. Pelo contrário. Demonstra que você tem disposição para sobreviver enquanto procura uma oportunidade melhor. Seu diploma não perde o valor porque você ainda não conseguiu trabalhar na sua área.
Entendido? Beleza! Sigamos.
Trabalho não cai do céu
Há uma coisa que precisa ficar claríssima: você não pode se acomodar e esperar que o universo resolva. Sua vida não está estagnada, talvez não esteja onde gostaria de estar, mas está em movimento. E movimento ajuda muito, mesmo que não seja na direção desejada. Ele pode ensinar muito sobre o que você quer e, principalmente, sobre o que não quer mais. Mas você precisa continuar se movimentando, se quer mudar as coisas.
Seu diploma pode abrir portas que você talvez não tenha considerado. Existem muitas empresas de vários setores que precisam de profissionais com formação superior, mesmo que não tenham vagas exatamente na sua profissão. Pense em atividades relacionadas, trabalhos remotos, consultorias, concursos (vai ter muito concurso nos próximos anos), especializações e oportunidades em áreas complementares.
E se tiver que mudar de estado, não tenha medo. Primeiro que você não precisa mudar amanhã para provar para você mesmo que é corajosa. Comece pesquisando sobre o mercado de trabalho em outras cidades, converse com profissionais de sua área, atualize seu currículo, faça contatos e comece a fazer uma reserva financeira. Se encontrar uma oportunidade concreta, a mudança deixa de ser uma fuga e passa a ser uma escolha.
Como você pedir uma sugestão para trabalhar internamente, experimente começar a se perguntar algo como “o que posso fazer esta semana para chegar mais perto dos meus objetivos”? Parece simples, mas lhe dá um foco para a ação/movimento.
E não deixe de reconhecer as pequenas conquistas. Você está se sustentando com dois trabalhos. Isso exige esforço, responsabilidade e resistência, o que diz muito sobre você. Agora, o que você precisa é de estratégias.
Dê a si mesma um prazo – não muito longo, algo em torno de quatro meses, por exemplo – para organizar seus próximos passos. Não para resolver para resolver sua vida inteira, mas para estudar as possibilidades, ampliar seus contatos e avaliar oportunidades.
E, principalmente, não tenha vergonha de onde você está, mas trabalhe para chegar aonde deseja, sem se maltratar pelo caminho.
Espero ter ajudado.
Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

Quem é a Tia Telma
Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.
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