Por Telma Elorza
Semana passada, publiquei a coluna Ele não quer os filhos dela na casa, falando sobre um homem que queria morar com a namorada, mas não queria que os filhos dela, de 15 e 12 anos, vivessem juntos com o casal. Dei minha opinião, sobre como achava errado um homem querer que uma mãe abrisse mão do convívio com os filhos por causa dele. Mas e se são filhos adultos?
Recebi a seguinte mensagem de um cara, que teve seu relacionamento infernizado por causa de uma filha adulta. O resultado? Eles se separaram. Veja:
“Nunca tive nenhum preconceito em me relacionar com pessoas que tivessem filhos – tanto que me joguei de cabeça num relacionamento que durou 2 anos e 3 meses. Porém, convivendo mais, acabei me deparando com algumas dificuldades com a filha – de 18 anos – da minha ex-namorada. Primeiro, acabei me sentindo intruso, num ambiente já formado. A filha, de forma velada, tinha ciúmes da mãe se relacionar, o que já havia acontecido em relacionamentos anteriores da mãe. Uma má vontade em interagir, criando situações para o nosso relacionamento não prosperar. E isso deixou o nosso relacionamento cheio de tensão, pois eu tinha de agradar a mãe e a filha. Era quase um combo. A mãe, por sua vez, era maltratada pela filha, que não a respeitava de forma alguma e exigia que fizesse todos as suas vontades e prazeres, debaixo de muita chantagem emocional. A minha intenção era casar, construir uma família, mas, dada a situação, eu vi que futuramente aquilo não se sustentaria. Aos poucos, fui assimilando as coisas e, de certa forma, abandonando o relacionamento. Sentia que, se me casasse naquela situação, seria apenas um figurante da minha própria história. Era cobrado frequentemente que deveria fazer as vontades da filha dela, mas, por outro lado, não podia opinar em nada. Essa filha consumia muita energia da mãe, o que de certa forma, tirava o foco da mulher no nosso relacionamento. Mesmo tendo algumas afinidades com a minha ex, resolvi que seria racional não continuar o relacionamento, pela falta de autoridade da mãe, pelo comportamento da filha e pela minha falta de paciência e vontade em lidar com tudo isso. Reitero: sabia das condições, mas, quando o filho já adulto influência no relacionamento, fica uma situação delicada de lidar. Foi um duro aprendizado. Tenho 41 anos e a ex, 45”.
E isso me fez ver que, nem sempre, o homem está errado, em relacionamentos onde há filhos – principalmente adultos – de outros casamentos. Então, esta coluna é para vocês, mães solo com filhos adultos, que buscam um relacionamento que valha a pena.
A primeira coisa que as mães precisam entender é que seus filhos adultos não podem mandar nas suas vidas! Se é isso que está acontecendo, é preciso repensar essa dinâmica.
Criar filhos é um compromisso para a vida toda, mas isso não significa que eles tenham o direito de decidir sobre seus relacionamentos. Eles precisam entender que você tem direito a uma vida amorosa plena. Muitas mães sentem culpa ao se relacionar depois que os filhos crescem, como se estivessem traindo o papel materno. Mas a verdade é que ser mãe não significa abrir mão da sua felicidade. Seus filhos já são adultos e têm suas próprias vidas – e você tem direito à sua também.
Quando me separei, meu filho tinha 16 para 17 anos, uma idade bem complicada para um menino. A primeira coisa que fiz, depois da separação homologada, foi sentar com ele e ter uma conversa franca e objetiva. Expliquei que, entre outras coisas, eu era uma mulher jovem (tinha 36 anos na época, mas mesmo que tivesse 60, como agora, iria falar a mesma coisa), que queria e precisava ter relacionamentos com outros homens, porque era até uma necessidade física. Sim, falei para meu filho que precisava de sexo. Mas também garanti a ele que não iria por qualquer um dentro da nossa casa, a não ser que fosse alguém realmente muito especial (o que nunca aconteceu😂). Essa conversa franca permitiu que meu filho entendesse o meu lado como mulher, tanto que nunca palpitou na minha vida amorosa, nem quando eu apresentei um namorado que era mais jovem que ele (o namorado tinha 27 e meu filho, na época, 29).
Outro ponto é que mulheres/mães não podem permitir chantagens emocionais. Se seu filho ou filha tenta fazer você se sentir culpada por namorar ou casar de novo, isso é um sinal de manipulação emocional. Frases como “você não se importa mais comigo”, “você está escolhendo ele no meu lugar” ou “ele quer te afastar de mim” são táticas para controlar suas escolhas. Não caia nessa! Amor de mãe não deve ser medido por sua vida amorosa.
Você precisa colocar limites claros para seus filhos já adultos. Seu filho pode até não gostar do seu parceiro, mas ele precisa respeitar sua escolha. Se ele está sempre criticando, fazendo comentários maldosos ou criando conflitos, é hora de deixar claro: “Eu te amo, mas minha vida amorosa é uma decisão minha”. Ter um relacionamento saudável com seu filho não significa que ele pode mandar na sua vida.
Os ciúmes dos filhos adultos
Muitos filhos adultos sentem ciúmes quando a mãe começa um novo relacionamento. Isso acontece porque, por anos, a mãe foi a pessoa mais próxima deles. Quando entra um parceiro na história, eles sentem que estão perdendo espaço. Mas o papel de “filho” é diferente do papel de “companheiro” – e ele precisa entender isso.
Pode ser que, em algum momento, você tenha reforçado essa ideia sem perceber. Talvez tenha dado muita abertura para ele se envolver nos seus relacionamentos, tenha deixado ele mandar mais do que deveria ou tenha evitado conflitos para não magoá-lo (sim, mães são bobas e põe os sentimentos dos filhos à frente dos seus). Mas nunca é tarde para mudar isso!
Se você tem um companheiro que quer a fazer feliz, ele não pode ser tratado como um intruso. Se seu filho não gosta dele, tudo bem – mas ele precisa respeitar. Deixar um filho adulto boicotar seu relacionamento é desrespeitar seu parceiro e a si mesma. Um filho que a ama de verdade, vai querer lhe ver feliz. Ele pode precisar de um tempo para se adaptar, mas, no fim, vai entender. Se ele se recusa a aceitar seu relacionamento, a questão está nele – e não em você.
Seja firme e tenha coragem. Muitas mães cedem por medo de perder o carinho do filho. Mas amor não deve vir com condições. Se você precisa abrir mão da sua felicidade para agradar seu filho, algo está errado. Confie que, ao estabelecer limites, seu filho vai cair em si e entender.
Espero ter ajudado.
Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

Quem é a Tia Telma
Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.
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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.

Respostas de 2
Bom dia!
Sou viúva há 7 anos, tenho 66 anos , mas tenho um espírito mais jovem e sempre dinâmica. Somente agora conheci um homem e estamos nos conhecendo. O apresentei ao meu filho, mas conversei muito com ele primeiro, ele não aceita eu em outro relacionamento, mas o tratou com educação.
Tenho pesquisado sobre este assunto para ser orientada e foi exatamente o que vc postou disse TUDO o que eu precisa, me esclareceu e me orientou de forma clara e objetiva. Parabéns, que Deus te ilumine sempre!
Inaví
Boa noite. Eu tenho 3 filhos ja são de maior 24 outra 27 outro 34 anos. So dois mora comigo granca do tempo par car com vivências com ele fui melhorado eu não poço fala ter outro homem na minha vida que meus dous filhos não quer não aceita não fica do meu lado não mim da apoio eles quer eu so trabalhando faz as coisas para eles para casa nem fala sobre casa ou. Namorado não poço não sei e ciúme egoísta masgista deles queria saber que faz pois vivo essa situação eles não quer um tem medo outro tem vergonha do povos ficar sabendo da que fala não sei