Ciúmes exagerado? Corra!

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Por Telma Elorza

“Meu namorado tem ciúmes até dos meus primos. Não posso conversar com qualquer homem. Os únicos que ele aceita são meu pai e irmão. Estou ficando sufocada, mas o amo muito. O que posso fazer para que ele confie em mim?”

Minha querida, você não deu detalhes sobre seu relacionamento e nem disse a sua idade. Então, vou pressupor que você seja jovem, entre 16 e 25 anos – a faixa etária mais vulnerável entre mulheres jovens, porque ainda estão iniciando a vida sexual e mantendo o primeiro relacionamento. Inexperientes da vida e com os homens. Também não especificou a idade dele, mas acho que deve ser pelo menos um pouco mais velho que você, com mais experiência.

Então vamos lá. Mas antes, uma pergunta sincera. Você quer que ele confie em você ou aprender a conviver com a falta de confiança dele? Porque, se fosse eu, com a minha experiência de vida, eu já teria fugido correndo desse relacionamento.

E você mesmo disse que está se sentindo “sufocada”. Quando alguém se sente sufocado num namoro, ainda mais por ciúmes, é uma tremenda RED FLAG.

Muitas mulheres, principalmente quando se é jovem e está vivendo os primeiros grandes amores, acreditam que o ciúme exagerado é prova incontestável de amor e paixão. Não é. A ciência já mostrou que o ciúme é uma emoção comum (até animais de estimação sentem ciúmes de seus humanos). Mas quando passa a controlar a vida do casal, deixa ser um sentimento normal e se pode se transformar em um fator de risco para violência psicológica e física.

Perceba uma coisa muito importante: você perguntou o que pode fazer para que ele confie em você. Mas quem precisa mudar é mesmo você?

Confiança não nasce porque a outra pessoa deixa de conversar com homens. Daqui a pouco, ele estará pedindo para você mudar suas roupas, cortar relações com amigas, sair das redes socais, deixar de lado a família, abandonar a faculdade, o emprego etc. Só que, mesmo fazendo tudo isso, ele vai querer controlar cada segundo do seu dia, da sua vida. Você só vai poder sair de casa com ele e mesmo assim, nunca para uma festa ou qualquer diversão. A lista não vai terminar nunca.

Pesquisas sobre relacionamentos entre adolescentes e jovens mostram que controlar amizades, impedir contatos e limitar a liberdade do parceiro – por ciúmes – são formas de violência psicológica que costumam aparecer muito antes da agressão física. Na maioria dos casos, o controle começa justamente disfarçado de cuidado ou de amor ciumento.

Seu namorado ciumento é má pessoa? Não necessariamente, mas….

Ele pode ser um rapaz inseguro, pode ter medo de abandono, pode carregar experiências difíceis da infância ou de relacionamentos anteriores. Pode até amar você sinceramente. No entanto, existe uma diferença enorme entre ter um problema e fazer do problema uma obrigação para o outro resolver. A insegurança dele pertence a ele e precisa resolvê-la sozinho. Você não pode sacrificar sua liberdade para tentar curar algo que não foi você quem causou.

Se fosse uma amiga sua contanto essa mesma história para você, o que você acharia dela? Romântica? Eu acho que ficaria indignada com a situação e chamaria o namorado da amiga de babaca, né? Então, porque quando é com você, quer fazê-lo confiar em você?

Nós, mulheres, quando acreditamos que estamos amando e sendo amadas, costumamos defender nosso amor com unhas e dentes. E sempre arrumamos desculpas para justificar a situação. “Ah, ele tem ciúmes porque ama demais e tem medo de me perder”, “sou muito importante para ele”. “o ciúmes só prova que sou o ar que ele respira”. Vai nessa toada indefinidamente. E quando você perceber que não dá mais para justificar, a coisa já escalou e você está apanhando porque respirou sem permissão dele.

Tenha uma coisa na sua cabeça: amor e controle são coisas totalmente distintas. Eles caminham em direções opostas.

Um relacionamento saudável permite que cada um continue sendo quem é. Nesse tipo de relacionamento, você pode sair com suas amigas, rir com os colegas de faculdade e de trabalho, visitar parentes e continuar sua vida sem precisar prestar contas de cada respiração, sem que isso signifique que está desrespeitando o parceiro. Significa apenas preservar sua individualidade.

Como eu disse lá em cima, eu já teria fugido correndo. Mas, em nome do seu amor, você pode tentar conversar com ele. Escolha um momento calmo, onde os dois estejam bem e comece dizendo que você entende os sentimentos dele, mas que não consegue mais viver sob vigilância. Pergunte se ele percebe como esses ciúmes e atitudes machucam você. E se ele estiver disposto a reconhecer o problema e buscar mudanças – inclusive com ajuda psicológica – existe a possibilidade para que o relacionamento possa dar certo.

Porém, se ele não quiser ouvir e justificar dizendo que a culpa é sua, que você “provoca” e que precisa abrir mão da sua liberdade para provar seu amor, fuja! O mais rápido e para mais longe que puder.

Há, inclusive, uma boa possibilidade que ele não aceite o término. E vá ficar tentando fazer você voltar, jurando que vai ser diferente. Vá por mim, sem ajuda psicológica, ele não vai ser diferente. Pode até tentar por uns tempos, mas depois vai voltar no velho padrão de comportamento.

Guarde uma frase para sua vida: “amor saudável faz a gente respirar melhor e ciúmes não é problema, não sufoca, não tira sua liberdade”. Ciúmes doentio é sintoma de um controle maior está vindo por aí. Cuide-se.

Espero ter ajudado.

Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

O namorado da leitora morre de ciúmes dela e a proibiu até de conversar com os primos. Será que essa relação tem possibilidades de sobreviver?
Tia Telma versão IA

Quem é a Tia Telma

Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.

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