Por Telma Elorza
“Tenho 42 anos, sou empresária bem sucedida e arrumei um namorado de 29 anos. Nos damos bem, ele me entende muito, temos amor aos montes. Mas agora ele quer morar junto, mas avisou que vai largar o emprego e ser sustentado por mim. Não quero isso, mas sou apaixonada por ele e tenho medo de falar não e perdê-lo. O que faço?”
Amiga, vamos recapitular: você tem 42 anos, é empresária bem-sucedida, venceu na vida com mérito próprio e, agora, se vê apaixonada por um rapaz de 29 anos que decidiu que vai morar com você, mas que quer ser sustentado por você. E, pior, você está considerando aceitar essa proposta absurda porque tem medo de perdê-lo. Sério? Cê jura mesmo?
Vou ser bem direta: isso não é amor, é autoengano. E, mais que isso, é colocar tudo que você construiu em risco por um cara que já chega deixando claro que quer viver às suas custas. Não existe romantismo nisso, existe oportunismo.
Se fosse o contrário — um homem bem-sucedido e uma mulher 13 anos mais nova dizendo que largaria o emprego para ser bancada — todo mundo estaria questionando a motivação dela. E com razão. Então por que, quando a situação é invertida, você hesita em ver o que está escancarado? Amor não pode ser uma desculpa para a perda de discernimento ou burrice completa. E acho que você não é burra, né?
Amor ou medo da solidão?
“Ah, mas eu o amo e não quero perdê-lo”. Amor, será? Eu acho que você está sendo manipulada pelo medo da solidão e isso é algo que precisa encarar com honestidade. Medo de ficar sozinha não pode ser o alicerce de uma relação. E nenhum relacionamento vale a sua paz, sua liberdade e – vamos falar bem claro – o seu dinheiro.
Homem que se propõe a largar tudo para ser sustentado pela parceira está avisando, sem rodeios, que quer conforto sem esforço. Que tipo de ambição é essa? Que tipo de homem olha para uma mulher bem-sucedida e vê ali uma oportunidade de aposentadoria precoce?
E por que você, uma mulher que venceu, que trabalhou duro, que é dona da própria vida, se sujeitaria a ser o plano de previdência de um namorado? Isso não é amor, é falta de autoestima disfarçada de romantismo. Não é coragem, é submissão emocional.
Sim, ele pode ser carinhoso, atencioso, pode a fazer sentir viva, mas esse tipo de encanto dura pouco quando a conta do cartão de crédito só vem no seu nome, enquanto ele dorme até mais tarde e “repensa a vida” enquanto você se esforça mais e mais. Cuidado. A linha entre ser generosa e ser feita de trouxa é muito tênue.
Você tem direito a um amor que a complete
Você tem o direito de viver um amor, claro. Mas não tem o dever de sustentar alguém que já começa o relacionamento propondo desequilíbrio. O verdadeiro parceiro vai querer crescer com você, não ser um fardo no seu caminho. Vai trabalhar e lutar para construirem a vida, os bens materiais, o futuro juntos.
Dizer “não” para ele agora pode doer, mas vai doer muito menos do que ver sua energia, seu tempo e sua grana escorrendo pelo ralo para bancar um relacionamento onde só um lado entrega. Ele pode até ir embora. E quer saber? Que vá. Se o preço para manter esse homem ao seu lado é sua liberdade financeira e emocional, então é um preço alto demais. Você merece mais e sabe disso.
Portanto, acorde. Esse relacionamento tem cheiro de golpe do amor moderno: afeto em troca de estabilidade. Não aceite esse roteiro insano. Você é a protagonista da sua história, não a produtora de um filme onde o mocinho só quer viver de camarote.
Ame, mas com lucidez. E se for pra sustentar alguém, que seja você mesma, como sempre fez.
Espero ter ajudado.
Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

Quem é a Tia Telma
Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.
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Uma resposta
O que eu ia falar a Telma já falou. Tenha mais amor próprio, cuidado com este tipo de armadilha sentimental.