A Semana Santa de Perpignan

Procession de la Sanch à Perpignan (17)

Por Chantal Manoncourt

Na Sexta-feira Santa, toda Perpignan, cidade na fronteira com a Espanha, vive no espírito da Sanch. Esta procissão, que acontece todos os anos segundo um ritual imutável com mais de seis séculos, é, no entanto, uma das mais impressionantes e belas da Europa.

Uma tradição muito antiga

Foi em 1416 que foi fundada em Perpignan, então capital do Reino de Maiorca (que hoje pertence à Espanha), a Irmandade da Sanch, que significa Precioso Sangue do Senhor. Criado para afastar pestes, guerras e outros infortúnios, todos os confrades usavam um hábito penitente preto com capuz pontudo, chamado caperutxa. Marchando com bandeiras e cruzes, a procissão acontecia, na época, à noite, iluminada por 500 tochas e atravessava a cidade para ir de uma freguesia a outra. Mais tarde, os penitentes supervisionavam os prisioneiros condenados à morte antes, durante e depois da execução. Eles eram sempre precedidos por uma figura vestida de vermelho, carregando um sino de ferro.

O Regidor em Perpignan

Às 15h, o portão da igreja de Saint-Jacques (São Tiago) se abre. A procissão começa e durará três horas. Orações, cânticos, meditação. A multidão está lá, reunida, silenciosa.

O Regidor lidera a procissão: capa e luvas vermelhas, cordão branco na cintura, brasão preto, branco e dourado no peito, rosto escondido por um capuz pontudo. O sino de ferro do Regidor marca o passo dos penitentes que carregam sobre os ombros feridos os pesados ​​”Misteris”, essas representações em tamanho real, compostas de figuras de cera ou de madeira, que simbolizam as diferentes cenas da Paixão, entre Cristo crucificado e Nossa Senhora aflita, carregada por mulheres.

A Semana Santa em Perpignan, na Espanha, é tem uma tradição de séculos, com uma procissão da Irmandade de Sanch cheia de beleza e significados

Os penitentes caminham pelo centro da cidade por longas horas, alguns descalços, outros com sapatos pretos, mas todos avançam com devoção. Quando a estátua de Cristo, usando uma coroa de espinhos, e depois a da Virgem Maria passaram, alguns na plateia fizeram o sinal da cruz. Por fim, o mistério do Jardim das Oliveiras aparece na praça de la Loge, no coração da antiga Perpignan.

Uma cruz impressionante

Logo atrás do Regidor, você pode admirar uma magnífica cruz de madeira que só sai da igreja de Saint-Jacques (São Tiago) nesta ocasião. Muito pesada, ela é carregada por apenas um membro da irmandade: é a cruz de Improperis (cruz dos insultos ou cruz dos ultrajes). Cada elemento que o encima: galo, lança, haste e esponja, coroa de espinhos, cálice, pregos, dados, túnica e sabre são todos atributos da paixão de Cristo.

A procissão marcha pelas ruas estreitas da cidade ao som de tambores e sinos. Aberta ao público, todos podem acompanhar a procissão a pé ou sentados nas arquibancadas montadas perto da catedral. Hoje, essa cerimônia atrai um público intrigado, crente ou não, mas certamente tocado pela força que emana da procissão. Um evento muito comovente que foi perpetuado com fervor ao longo dos séculos

Serviço: Office de Tourisme de Perpignan, place de la Loge 66000 Perpignan et www.perpignantourisme.com

Fotos: © Perpignantourisme

Chantal Manoncourt

Parisiense, arqueóloga e jornalista, apaixonada pelo Brasil, já escreveu vários livros sobre turismo brasileiro.

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