Nereidas ou sereias?

rene-magritte

Por Angela Diana

Respondam rápido: o que é uma sereia? A resposta eu já sei: “um ser metade peixe e metade mulher”….Acertei? Não! E se eu dissesse que a sereia da mitologia greco-romana é um ser metade mulher e metade ave? Sim! Pois a lenda diz que ela cantava para atrair os marinheiros (e os afogar)! Não sei quando aconteceu essa, digamos, “errata” no nome da lenda, mas saibam que metade mulher e metade peixe chama-se nereida e metade peixe e metade homem chama-se nereide!

Enfim, tudo isso para dizer que nos acostumamos com tudo, nos adaptamos, mas quando deixamos de perguntar duas coisas: -o “porquê” e o “tem que ser assim” – é quando fazemos ou aceitamos automaticamente qualquer coisa, seja uma comida ruim, uma noticia falsa, TUDO o que se passa na TV, nas redes sociais, na moda, na sociedade em geral.

Por isso, a primeira coisa que governos autoritários fazem é perseguir os artistas e tentar acabar com as artes e com a cultura. Um povo que não conhece suas raízes e vive “acomodadamente” da pior forma possível é um povo fácil de iludir e de roubar. A arte faz pensar! Tecla que sempre bater! Vamos usar o exemplo da “sereia” (vou usar assim mesmo, já que não tem mais jeito, entrou no imaginário popular assim ,agora já era!).

Nas histórias não falam que PARTES DO CORPO é mulher ou peixe! E se fosse o contrário do divulgado? Sim! Além do estranhamento, seu cérebro levaria um choque e assim você iria procurar saber se era assim ou não! Eu levei esse choque quando vi a obra de René Magritte! Ele fez a tal “sereia” assim! Aliás, ele foi mestre de causar interrogações! Em quase todas as suas obras existe, digamos assim: uma “subversão” nas imagens que foram fixadas por anos na nossa imaginação.

Desde falar do desenho do cachimbo (tradução do francês :”Isso não é um cachimbo”), até sapatos com pontas de pés! (O que deveria estar dentro, está fora!). Ora, um “desenho” do cachimbo é uma “representação” e não a peça em si. Dá ou não um nó?

Obra de René Magritte – Foto: Reprodução da internet

Magritte foi um dos maiores representantes dos surrealistas, junto com Marx Ernst, Salvador Dali, entre outros… O surrealismo inspirou-se muito nas teorias de Sigmund Freud (ele estava lançando suas ideias na época) e também de outros pensadores e poetas.

Pensar “fora da caixinha” e voltar na época dos “porquês ” faz bem para o cérebro pois, para evitar grande parte das doenças degenerativas como Alzheimer, é imprescindível fazer novas conexões e nada como as artes e a cultura para isso!

The Red Model, René Magritte – Foto: Reprodução da internet

Pesquisar, estudar (seja o que for!), fazer artesanato, artes, exercitar o cérebro, ser menos controlador ou controladora é a melhor vitamina para nosso belíssimo, intrincado e ainda pouco conhecido potencial do nosso belíssimo cérebro! Duvida? Tente! Experimente, solte-se! Dance, faça desenhos, escreva o que vier na cabeça, cole, recorte, volte no tempo e leia histórias, lendas, veja séries, filmes, leia poesia, livro de receita, bula de farmácia, apenas leia! Nosso cérebro agradece!

Bom final de semana gelado!

E Catarse, gente! Colabore com nosso querido jornal pelo Catarse!

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto: Obra de René Magritte/Reprodução da internet

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