Logo o ano de 2020 vai embora, a maioria esperava talvez que ele fosse com uma vacina….Mas, não! Ele vai como um dos anos mais estranhos que, com certeza todo mundo passou…

No mundo das artes tivemos mudanças, adaptações, cujas quais já citei aqui, inclusive as lives, as expôs virtuais, as visitas virtuais aos museus e galerias, as galerias virtuais… Claro! Nada como estar na frente de uma obra! E como é bom estar numa sala com uma exposição que te envolve, que sacode suas emoções… Que saudades.

O caso é que já estávamos longe de tudo isso, sem museus, sem galerias, sem entrar em grandes concursos ou salões, bienais nem pensar! Já disse e continuo afirmando: Londrina tornou-se uma ilha, parece que estamos trancados aqui, sem barcos, navios, ou salva vidas. Ou ficamos à deriva… esperando que alguma que algum colecionador, marchand ou algum curador nos veja!

Acabei cedendo e colocando no ar minha página no Instagram… Talvez mais uma tentativa meio desesperançada, admito! Sem muita pretensão, mas percebi que os artistas de “fora” começaram a seguir e isso está sendo muito bom! Afinal, artistas fazem parte da mesma “tribo”, mesmo que a “nossa” esteja à anos luz de uma exposição na Tate Gallery, em Londres; no Soho, em NY ou na Art Basel de Miami.
Aliás, por que projetos como o de lá não funcionam aqui? Umas das explicações é a absoluta falta de interesse político, bairrismo e um certo torcer de narizes para os artistas daqui! Mesmo que esses artistas sejam ótimos e tenham obras em outros países!
Para expor fora daqui, na nossa capital, é um “parto”! Mesmo que todos os nossos impostos acabem caindo lá, e claro, ajudando a manter os museus. Expor já é diferente! Vivemos anos com uma “politica cultural politiqueira”, por assim dizer…

Obra de Angela Diana – Foto: Acervo Pessoal
Aonde está por exemplo o secretário da cultura? O que a secretaria está fazendo pelos artistas? Algum projeto para ajudar os produtores foi feito nessa época de pandemia? Algum apoio? Tivemos eleições… Projetos de incentivos a cultura? Nada!
A cultura em Londrina vai morrendo aos poucos, envolta em álcool gel e máscaras.
Talvez já tenha falado e falado tudo isso em colunas passadas , mas quem sabe alguém que possa fazer algo leia!

Como produtora de arte, me sinto cansada de recomeçar… São mais de 30 anos…recomeçando! Pois aqui nos falta a “continuidade”! Poucos conseguem sobreviver da sua arte, e o que deveria ser normal como vender as obras, ser convidado pata grandes expôs, ou poder ampliar os projetos, acaba sendo uma vez a cada 10 anos, ocasiões para celebrar e depois começar tudo de novo…
Londrina não é para “iniciantes”! Aqui é como cavar a terra seca com as unhas…Até quando?
Com covid e sem covid, alguma coisa vai mudar? Uma incógnita…
Boa semana para todos!
Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.
Fotos: Acervo pessoal

