Contei ontem sobre como foi voltar a trabalhar e ter que deixar o Rafa. Fiquei com pena de deixá-lo na escola tão bebê, então minha irmã querida se dispôs a ficar com ele – e, até hoje, ela o considera como o terceiro filho, por ter cuidado alguns meses dele todos os dias enquanto eu estava no trabalho. Mas como engravidei quando Rafa tinha de oito para nove meses e entrei em gravidez de risco – Biel parou de crescer na barriga – fiquei poucos meses na ativa e tive que entrar em repouso absoluto. Mesmo assim não quis deixá-lo na escola – fiquei cuidando dele em casa enquanto estava grávida.
Tive o Biel e, durante minha segunda licença maternidade, surgiu uma oportunidade para meu marido trabalhar em Santos, SP. Aceitamos o desafio, pedi demissão e mudamos para a praia!
Até então, portanto, o mais velho com dois anos recém completados e o mais novo com dez meses, nenhum deles nunca tinha frequentado a escola. Eu comecei a trabalhar período integral e chegou a tão temida hora da separação – até porque, em Santos, não tinha família para me ajudar.
E, nesse momento, escolha uma instituição que a deixe segura e a deixe ir ver seu filho se você quiser.
Confesso que fiquei mais preocupada com Rafa – que já tinha dois anos e sempre ficou com pessoas da família – do que do Biel – que era um bebê que costumava ir no colo de todo mundo. Ao mesmo tempo, estava começando um trabalho novo e deixando meus dois meninos pequenos na escola. Sofri tudo de uma vez só!
A escola era ótima e bem ao lado do trabalho e, nos primeiros dias, fui até lá várias vezes para checar como eles estavam. E eles estavam ótimos! Era uma mistura de ficar feliz por eles estarem bem e ficar triste por eles estarem bem sem mim!
Quando desmamei o Biel, porém, ele passou por um período de sofrimento. Tinha dificuldade de se separar de mim. Ficou inseguro e começou a chorar quando chegava na escola. Mesmo que ele ficasse bem depois, era sofrido para mim ter que deixa-lo chorando. Eu tinha plena consciência que não era problema da escola, e sim do desmame.
Se eu puder lhe dar uma dica: crie um momento especial com sua criança, dê valor ao sofrimento dela – não fale que não precisa chorar e que ele é grande para isso, porque ele é uma criança e sente sua falta. Não desmereça. Dê valor e crie um ritual de despedida para que ele entenda que você também fica com saudade dele.
Foi quando tive a ideia de começar a dar um beijo na mão dele com batom escuro. Ele tinha dois anos e meio, e eu falava “sei que você não quer se separar da mamãe, a mamãe também não quer ficar sem você! Então vou te dar um beijo e você guarda? Assim, sempre que você sentir saudade, você olha sua mãozinha e sente o beijo da mamãe!” Me sentia a própria Xuxa (crianças dos anos 80 e 90 entendem a referência! Haha)
Parece bobo, mas funcionou. Durante meses, cada vez que eu saia, ele pedia “deixa eu guardar seu beijo, mamãe?!” e foi assim, que mesmo a separação sendo difícil, ele aprendeu a lidar com isso e voltou a ser o menininho seguro que sempre tinha sido!
Foto: Acervo pessoal

Paula Barbosa Ocanha
Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata

