Bia Ribeiro
Sempre tive cachorros, um atrás do outro, mas com o Tonho e a Rita descobri uma nova categoria, o cachorro filho. Cachorros eram de quintal, tinham vida própria mas, com essa dupla do barulho, o amor por cães foi elevado à milésima potência.
Seis meses de idade separam minha quadrilha canina. Cada um com sua personalidade, apesar de serem da mesma raça.

Rita, a mais velha, dizemos que é uma alma velha no corpo de um cachorro. Cheia de manias, às vezes fica no seu mundo por horas roendo um brinquedo ou encana porque um enfeite da prateleira está em um lugar diferente e assim fica lá, latindo e olhando até que seja posto no lugar que sempre esteve. É a cabeça pensante. Arquiteta as artes mais mirabolantes possíveis e assiste a tudo como um ar de “não sei quem foi”.

Tonho é meigo, amoroso, cara de poucos amigos mas o cachorro mais doce e engraçado do mundo. Por ser um pouco mais novo, vai ser o eterno filhote, gosta de dormir encostado e seu olhinhos de burca dizem te amo a todo momento. É atrapalhado, se suja o tempo todo, ama brincar com água e isso significa voltar para casa e ter uma piscininha na sua cozinha porque sempre esquecemos de tirar a vasilha de água.
Poderia ficar horas contando cada peripécia, cada arte, cada conquista, mas prefiro dizer que com os dois entendi o que é amor de graça. Hoje voltamos para casa por eles, fazemos tudo com eles e a vida ficou muito mais legal por causa deles.
Sempre achei meio piegas quem se autodenominava pai e mãe de cachorro. Hoje me pego rindo sozinha a cada “vem com a mamãe” que sai da minha boca e amo incondicionalmente meus pequenos filhos de quatro patas, minha Rita e meu Tonho.

