Prazer, dona Mimi Pancceta

mimi

A dona Mimi Pancceta apareceu aqui em casa para bagunçar a minha vida e vida das irmãs, Ramona Maria e Pitica Anjo (conhecida como Titi). Tudo que era ordeiro, calmo e tranquilo com as duas mais velhas (de 11 e 10 anos, respectivamente), virou de cabeça para baixo. Mimi chegou pertubando tudo e todos com seu jeito elétrico de filhote. E até hoje, já com 15 meses – uma jovem -, ainda corre como um guepardo pela casa, de madrugada.

Sempre digo que Mimi decidiu que eu iria adotá-la. Cruzei com ela na portaria do meu prédio, chegando de uma viagem, carregada de bagagens. Um trocinho peludo e minúsculo passou por mim correndo, quase me fazendo tropeçar. Falei oi. Ela parou e me olhou. Deve ter gostado do que viu porque foi me acompanhando até a entrada do meu prédio, resmugando uns miados como se conversasse comigo. Abri a porta, ela entrou e parou na beira da escada. Me olhou e eu não resisti. Reajeitei a bagagem e a peguei no colo. Ficou quietinha e, ainda me olhando, foi resmungando até entrarmos no apartamento, 40 degraus acima. Coloquei-a no quarto de hóspedes, separada das outras duas, com comida, água e uma caixinha de areia. Ela comeu muito e ficou com uma pancinha redonda (daí a Pancceta). De lá pra cá, nunca mais me perdeu de vista.

Mimi irrita as outras duas. É ciumenta, arteira, pentelha. Não pode ver um popozão passando por perto que não resiste a dar uns tapas ou mordida. Mas é carinhosa ao extremo, está sempre por perto e adora lamber minhas mãos. Poderia se dar melhor com as irmãs se não inventasse de pular nelas quando estão dormindo. Mas, de um jeito ou de outro, nossa pequena família vai indo muito bem. (Telma Elorza)

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