Rosso Pomodoro: a trattoria que conquistou Londrina

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Comida maravilhosa, ambiente incrível e excelência no atendimento são as três combinações que fazem do restaurante um dos melhores de Londrina

Por Telma Elorza

Sabe aqueles lugares onde você é acolhido em todos os sentidos? Pelo ambiente belo e aconchegante, pela simpatia dos garçons (e do dono), pela comida incrível? Então, o Rosso Pomodoro é exatamente assim. Ali, você é tratado como a pessoa mais importante do mundo, independentemente se vai comer apenas uma pizza com refrigerante ou uma refeição completa e maravilhosa com os melhores vinhos. Essa é a política da trattoria, que já completou mais de 20 anos de história na cidade e continua supreendendo.

O Rosso Pomodoro é uma trattoria surpreendente com um menu incrível, que vai de pizzas a deliciosos pratos tradicionais italianos
A fachada vista da Avenida Higienópolis

Eu nunca tinha jantado lá. Claro que já comi muitas das suas pizzas – aliás, recomendo muito, mas muito mesmo. É excelente, no top 5 das melhores da cidade, desde a época em que o Rosso Pomodoro ainda estava localizado na Avenida Saul Elkind, há mais cerca de 20 anos. Sim, a trattoria nasceu nos Cinco Conjuntos e migrou, há 17 anos, para o final da Avenida Higienópolis, hoje uma regiões mais nobres da cidade, mas que, na época, ainda não atraia restaurantes de qualidade. Gleba Palhano e toda a valorização absurda da área estavam só começando.

Paulo Barros, de garçon a chef e proprietário de um restaurante incrível

A história por trás do restaurante é incrível. E vou contar um pouquinho aqui. Tudo começou quando o proprietário Paulo Barros que, por muitos anos trabalhou como garçon no Buffet Planalto, resolveu abrir uma locadora de vídeos na Saul Elkind, na década de 1980. Tudo bem ia bem até que começou a invasão de DVDs piratas em Londrina (a geração mais jovem nem deve saber o que é o DVD kkk, mas posso garantir que a pirataria atrapalhou muito o serviço das locadoras).

Sem muitas alternativas, Paulo resolveu tentar a sorte na Itália, já nos anos 1990. Deixou a esposa Sônia e a filha Jéssica em Londrina e foi se arriscar em Roma, sem falar italiano. Não foi fácil. Conseguiu um único trabalho de auxiliar de pedreiro, que era difícil e pagava pouco.

Uma das salas para grupos: cheia de charme e com detalhes incríveis

Quando já estava quase desistindo, já pronto para voltar para casa porque a passagem de volta iria vencer, resolveu mudar para Milão (de onde partiria para o Brasil) e, ali, conseguiu um trabalho de garçon num restaurante brasileiro. Ficou lá por dois anos até ir trabalhar num bar de um italiano “raiz”, como barista. “Aí, me encontrei. Comecei a ganhar dinheiro, fiquei mais tranquilo”. A família proprietária do bar tinha também uma trattoria e uma pizzaria delivery. Paulo conquistou a confiança dos patrões – o que não é fácil para um estrangeiro – que até ajudaram-no a levar a família para Itália. De barista, passou a auxiliar de cozinha e foi se empolgando com a gastronomia, aprendendo tudo que podia até realmente começar a cozinhar e assumir o posto de chef de cozinha.

Lá por volta de 2005, Paulo resolveu voltar para Londrina e montar o seu próprio restaurante, junto com a locadora que ainda estava ativa. “Foi algo pioneiro na época, porque montamos um forno à lenha no meio da sala, como o restaurante que trabalhei e isso não era comum por aqui”, conta. “Aqui no Brasil, fazem uma diferenciação: pizzaria é uma coisa, restaurante de comida italiana é outra. São separados. Na Itália, não. É tudo junto, tem pizza e tem pratos. E foi isso que eu quis trazer para cá. Uma trattoria e não um ristorante“, conta.

Forno à lenha: quando isso ainda novidade em Londrina, Rosso Pomodoro já tinha

Para quem não sabe a diferenciação entre eles, vou explicar rapidinho: uma osteria é aquele estabelecimento pequeno, tocado pela família; numa trattoria, já há empregados contratados, mas uma equipe ainda pequena; e num ristorante, tudo é feito pela equipe profissional, num ambiente refinado. Lógico que os valores cobrados aumentam proporcionalmente a cada um.

Por essa definição, o Rosso Pomodoro agora seria um ristorante, já que hoje tem um chef contratado, o Saul Messac (bem conhecido em Londrina e que ajudou Paulo a reformular totalmente o cardápio) e só supervisiona o trabalho, com sua esposa na administração. Mas ele quis manter o estilo e os preços da trattoria. “A gente não quer atender só a elite. Queremos todo mundo aqui, para comer uma pizza, uma pasta, uma porção”, conta.

O charme e sabores do Rosso Pomodoro

Chico, a simpatia em pessoa

Se o lugar é um espetáculo, com uma decoração intimista e cheia de detalhes charmosos (uma das salas para grupos é praticamente uma adega com vinhos nas paredes – e detalhes laterais nos pisos recheados de rolhas de vinho – e quadros), além de plantas naturais pendentes por todo o espaço (sim, fiz questão de tocar para ver se eram de verdade kkk. Sou dessas), o atendimento se destaca.

Garçons simpáticos e solícitos, que lhe deixam à vontade para escolher, sugerem vinhos e estão sempre atentos às suas menores necessidades. Um dos que nos atenderam se destacou pelo bom humor e simpatia, o Francisco Diego de Oliveira, o Chico, que trabalha ali há cerca de oito meses. Fomos muito bem atendidos, um detalhe que faz a diferença hoje em dia.

O Rosso Pomodoro se destaca pelas receitas tradicionais italianas. E se come muito bem ali. Deixamos a escolha dos pratos a critério do Paulo. E fomos surpreendidos pela quantidade de comida que veio. Todos os pratos servem duas pessoas, segundo o cardápio. Mas eu digo que servem duas pessoas que comem MUITO ou três Telmas que comeriam muito bem (e eu tenho um bom apetite). Há opção de pedir um prato individual por 70% do valor da porção para duas pessoas. E, na minha opinião, esse ainda poderia ser dividido tranquilamente por dois com um apetite moderado.

Começamos com duas entradas. A primeira foi uma burrata assada com ragu de linguiça e brusqueta de alho (R$79). A burrata estava dentro de uma massa fina e foi surpreendente. Eu nunca havia provado burrata desse jeito (só in natura) e amei. O ragu de linguiça estava num ponto delicioso e combinava perfeitamente com o queijo assado e as brusquetas. Sério, fantástico. Recomendo que prove.

Burrata assada com ragu de linguiça: só prove

A segunta entrada foi Arantino – também chamado de Arancini – (porção com seis R$53), uma espécie de bolinho de risoto com linguiça toscana, empanado e frito, sobre uma caminha de molho pesto muito delicado e saboroso, que vale a pena ser provado. Com uma pimenta biquinho sobre cada um dos Arantini, a combinação ficou incrível. Para quem não sabe, o bolinho é também é chamado de “coxinha italiana”, é tão popular lá quanto a nossa coxinha aqui. Deve ficar muito bom companhado de uma cerveja geladinha.

Arantino/arancini: com uma cerveja gelada deve ficar uma loucura

Como prato principal, provamos filé ao funghi com penne (4 medalhões de mignon a R$229 na porção para duas pessoas). Nós havíamos pedido pratos individuais (R$129) e, olha, veio muita comida. O filé estava no ponto que eu gosto (ao ponto mais), mas você pode pedir no seu ponto preferido. Grelhado com manteiga, completou muito bem a massa e seu molho encorpado e saboroso, com funghi, champignon e outro cogumelo que não identifiquei (calma, não não dá para identificar todos depois de cozidos e esqueci de perguntar qual era) e creme de leite fresco. Ah sim, ainda veio uma porção de parmesão ralado para completarmos o prato.

A gente já estava satisfeito (esqueci de falar que levei a irmã Ilka Elorza e o cunhado Duda Victor para me acompanhar e dar conta de provar vários pratos), mas o Paulo ainda mandou um risoto de frutos do mar (R$220 a porção para dois) para provarmos. Com o arroz no ponto, um molho sugo delicioso, parmesão e recheado de camarões, salmão, anéis de polvo e mexilhões, até eu que não gosto muito de polvo, comi me deliciando.

Para encerrar, pedimos como sobremesa, uma panna cotta com calda de frutas vermelhas (R$23) que estava divina; e um tiramissu tradicional (R$39). Sobre o tiramissu vou deixar a opinião do cunhado, que trabalhou 10 anos em um restaurante italiano na Grécia e é um ótimo cozinheiro: “Foi o primeiro tiramissu verdadeiro que comi aqui, no Brasil”.

Sim, gente, tava incrível, muito diferente do que a gente come nas confeitarias por aí. O segredo está no creme de queijo marscapone, muito leve e delicado que, se não for bem feito, faz o doce desabar quando é tirado da geladeira. Por isso que tantas confeitarias colocam o tiramissu em potinhos, tigelinhas e etc, para esconder que o creme não deu tão certo. No Rosso Pomodoro, ele veio glorioso, num quadrado perfeito, no centro do prato.

Panna cotta com calda de frutas vermelhas
Tiramissu tradicional: glorioso

Paulo ainda mandou um brownie de chocolate, com nozes, sorvete e calda de chocolate meio amargo (R$39), para provarmos. E estava simplesmente maravilhoso. A calda de chocolate meio amargo contrabalanceava o doce e dava um toque especial, juntamente com o crocante das nozes.

Brownie com sorvete dá tranquilamente para duas pessoas

No acompanhamento de tudo isso, bebemos duas garrafas de vinho chileno Parrales (R$99), um carmenere que harmonizou muito bem com a comida mais encorpada, além de água e uma taça de Soda Italiana de Maçã Verde (R$26) que, claro, não podia faltar.

Soda Italiana de Maçã Verde: docinha e refrescante

Foi uma das melhores experiências gastronômicas que tive com comida italiana em Londrina, pelo contexto do restaurante como um todo. Se não conhece, vale muito a pena ir conhecer.

Serviço: Rosso Pomodoro – Aberto todos os dias das 18h40 às 23h30. Almoço aos domingos, das 12 às 15 horas ou pelo iFood. Aceita reservas para eventos. Av. Higienópolis, 2625 – Guanabara, Londrina – telefone (43) 3026-9471

Fotos: Telma Elorza, Ilka Elorza, Duda Victor e Douglas Pinheiro

Telma Elorza

Jornalista e cozinheira, há anos frequenta bares e restaurantes de Londrina em busca de comida boa, de qualidade e honesta.

Leia mais indicações de bares e restaurantes na coluna Gastronomia

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Uma resposta

  1. É o Rosso Pomodoro que funciona! Que história incrível do Paulo Barros, passando de garçom a chefe de cozinha no Brasil e na Itália, chega a fazer rir que ele ficou preocupado com as plantas serem reais kkk. O文章 faz bem em contar a história toda, desde a trattoria nos Cinco Conjuntos até a nova vida na Higienópolis. E não dá pra negar, o atendimento do Chico é um diferencial real, bem como a comida que realmente funciona, servindo até para trazer a família inteira (e depois a irmã e cunhado também!). A burrata assada e os Arantini (Arantino) são quase obrigatórios pra quem vai. Um ótimo trabalho de marketing e de verdade, mesmo!

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