Restaurante rural oferece um bufê incrível e variado mais lazer para quem gosta de estar perto da natureza
Telma Elorza
Que Londrina carece de opções de lazer variadas – principalmente para crianças – e que as poucas que permitem o contato com a natureza estão em condições precárias (Parque Arthur Thomas, Jardim Botânico e até o Lago Igapó já viram dias melhores), todo mundo sabe. Mas, por outro lado, há espaços como o Pesque Pague Pantanal, um restaurante rural que, como o nome do estabelecimento já diz, une o melhor dos dois mundos: comida boa, simples, caseira, com gostinho de casa de vó e diversão para toda família, com lago para pescaria, parquinho e espaço para crianças brincarem e correr, além de mesas de sinuca, pebolim e um redário (pra sonequinha depois). Passamos o último domingo lá e, olha, que dia mais gostoso (mesmo não pescando).




O Pantanal fica no KM 5 da Estrada do Limoeiro – uma das rotas mais interessantes de Londrina – e funciona de terça a domingo. Mas o bufê é oferecido somente aos sábados e domingos. Durante a semana, há opções de prato feito e porções variadas, para quem quer passar a folga (ou férias escolares) em um local prazeroso. Mas aos finais de semana é que acontece a mágica: além da música estilo modão das antigas (adoro), com a dupla Tibagi e Ademir (com uns vozeirões que dá gosto ouvir), há também o bufê surpreendente pela variedade e sabor, além de uma costela fogo de chão que derrete na boca.
E a história do Pesque Pague Pantanal também é interessante. Há 14 anos, o local pertence ao casal Thays Pelegrini Alvarenga Nazima e Sérgio Akira Nazima, e segundo Thays, o restaurante rural foi uma “benção de Deus”. “A gente tinha passado 3 anos no Japão e, quando voltamos, abrimos uma loja de roupas em Marília (SP). Mas o negócio não deu certo, voltamos para Londrina e estávamos pensando o que fazer da vida, afinal somos empreendores. Fomos trabalhar em outras coisas e um dia, um pastor nos deu uma palavra, dizendo que Deus iria nos dar um negócio para nós, que seria muito grande e que ira reunir muitas pessoas e que nós teriamos sucesso. Passaram cinco anos até que um irmão de Sérgio viu o anúncio de venda do espaço. Achamos uma ideia interessante, viemos conhecer e fizemos uma sociedade com cunhados para comprá-lo. Passou duas semanas e a gente já estava morando aqui. Em 1 de dezembro de 2015, já estávamos funcionando”, conta Thays. Só muito tempo depois, ela se lembrou das palavras do pastor.

A sociedade com os cunhados não durou muito, porque eles não tinham como trabalhar no espaço. Mas, desde o início, o Pantanal mostrou potencial para o sucesso. “A gente foi aprimorando, melhorando o espaço, criamos o bufê e fomos crescendo”, conta a proprietária que, hoje, conta com a ajuda das filhas Heloísa e Ana Beatriz nos finais de semana. “Começamos eu e meu marido, mais um funcionário e um limpador de peixe, comercializando 20 almoços. Hoje já somos 25 trabalhando aos sábados e domingos e já vendemos 800 almoços em um único dia, no último Dia das Mães”, explica.




E o lugar é bem familiar mesmo. Simples, sem pretenção de ser um lugar “instagramável”, porém acolhedor e uma atmosfera ótima, de festa familiar. E o público não precisa nem almoçar lá para desfrutar do espaço, nem pagar entrada. Se quiser só ir pescar, paga o que pescou. Se não tem tralhas de pesca, eles alugam. Se quer levar o peixe limpo para casa, tem o limpador que faz o serviço de graça. Se quiser comer o que pescou, eles fritam na hora.
Mas, claro, o público não pode entrar com comida e bebidas, é permitido apenas levar água. Mesmo assim, se não quiser pagar a refeição por pessoa (R$64,90), pode optar por porções (com preços que variam de R$37,90 a R$59,90, na porção inteira, mas algumas tem opções de meia porção) sem nenhum problema. Aliás, recomendo as porções de filé de tilápia, pacu e o ceviche.


O bufê incrível do Pantanal
Quando vi pela primeira vez o bufê de pratos quentes do Pantanal, eu me perguntei se conseguiria provar tudo. E a resposta é: claro que não. São mais de 20 pratos quentes e ainda um bufê de saladas. Como provar tudo isso, num único dia? Lógico que levei minha irmã Ilka Elorza e o cunhado Duda Victor para me ajudar.
Cada um pegou tipos diferentes de comidas para provarmo o máximo que pudéssemos. E mesmo assim, não conseguimos provar tudo. Mas, é claro, se fossémos pessoas que comem muito, poderíamos ter repetido o quanto quiséssemos porque é realmente à vontade, sem limite de repetições (mas evite desperdícios, ok?). O bufê fica disponível até às 16 horas, com reposições frequentes até às 15h30.

A maior dificuldade foi o que escolher. Peixe, é claro, tinha que entrar no nosso prato. Mas tinha muitas variações de peixe: tilápia frita, costelinha de pacu frito, tilápia ao molho, pacu assado e outros, que foi difícil escolher. Eu, claro, peguei meu preferido: a isca de tilápia maravilhosa. Alías, começamos com porçõezinha dela e do croquete de pirão de tilápia que estava uma loucura. Com um limãozinho, hum, ficaram perfeitas. Meu cunhado amou o pacu assado, disse que estava fantástico. A irmã adorou o que lembrava um molho bem grosso de peixe (e estava realmente ótimo, também provei).








Além disso, pratos tradicionais como carne de panela, galinha ao molho, feijoada, pernil à pururuca, peito de frango recheado, tutu de feijão, polenta frita, farofa, bolinho de arroz, carne de porco frita, torresmo, couve refogada, mandioca, arroz temperado, arroz branco, feijão, macarrão, lasanha, nhoque e muitas outras coisas que acabei não gravando tudo na cabeça. Mas o pernil à pururuca não podia faltar no meu prato, que teve uma queda a mais para a comida mineira tradicional. E estava maravilhoso, bem temperado e com a pele crocante, do jeito que eu gosto. A polentinha frita também foi minha escolha. Minha irmã escolheu o nhoque e elogiou muito.

Mesmo tentando sermos comedidos, não teve jeito. Acabamos fazendo AQUELE pratão, com um pouquinho de cada coisa. Aliás, não nos sentimos constrangidos em exibir nossos pratos cheios porque parece que é o normal, no Pantanal. Era cada prato enorme que as pessoas passavam carregando que vou te contar, viu? Mas entendo perfeitamente, muita gente não gosta de enfrentar filas (assim que liberam o bufê, por volta das 11h30, a fila é bem longa.
Muita gente está ali desde a abertura do espaço, às 9 horas e já está com fome nesse horário) para retornar e repetir. Mas é só esperar um pouquinho, tomando uma cervejinha, que logo não há mais fila e assim permanece o resto da tarde.

E o sabor, gente? Sabor de casa, de comida bem temperada, de qualidade com ingredientes frescos (peixe mais fresco que num pesque pague não existe). Comida com “sustânça”, como dizia a minha vó, uma das grandes cozinheiras da minha vida e que me ensinou que a simplicidade bem feita é fundamental numa boa cozinha. E foi isso que encontramos no Pantanal. Um deliciosa simplicidade, numa variedade estonteante. Todos os pratos que provei tinham sabores bem destacados, com muito tempero e ervas. Caprichados, entendeu?

Mas o grande destaque – e para mim, uma surpresa porque nem gosto tanto assim – foi a costela assada no fogo de chão. Ela é cobrada à parte do bufê, a R$89 o quilo. Pedimos meio quilo para provar e estava suculenta e extramanente macia. O segredo da costela no fogo de chão é o cozimento lento e longo.
O calor da brasa, e não o contato com a chama, derrete o colágeno e a gordura da carne, deixando-a macia. A exposição ao calor por várias horas cria uma crosta escura e saborosa por fora, enquanto o interior permanece suculento. No Pantanal, a costela vai ao fogo às 5 da manhã e só sai por volta do meio dia. O sabor de defumado é incrível. Ah, a costela pode ser para levar para casa, assim como as porções.

Para encerrar a comilança, o restaurante ainda oferece três tipos de doces caseiros para quem escolhe o bufê. No domingo, tinha doce de abóbora crocante (meu preferido sempre, entre todos os doces tradicionais), canjica e creme de maracujá, que estavam deliciosos.

Mas o mais legal do restaurante é que, além da comida boa, a energia do ambiente conquista. Tanto que tem clientes que vão lá todos os domingos, para almoçar e passar a tarde. É o caso do casal Osvaldo Gomes Ferreira e Maria Gonçalves, que batem ponto no Pantanal todo domingo, há três anos. “É um lugar gostoso, com ambiente bem agradável, músicas que eu gosto e a comida boa. A gente vem almoçar, tomar umas cervejas e curtir o dia”, explica.
O Pesque Pague Pantanal funciona das 9 às 18 horas. Mas abre exceções para confraternizações noturnas apenas de empresas. “Por uma questão de segurança, já que aqui é uma área rural”, explica Thays. Reservas para grupos podem ser feitas pelo whats 43 99994-2318.
Fotos: Telma Elorza, Ilka Elorza e Duda Victor
Telma Elorza
Jornalista e cozinheira, há anos frequenta bares e restaurantes de Londrina em busca de comida boa, de qualidade e honesta.
Leia mais indicações de bares e restaurantes na coluna Gastronomia

Uma resposta
Que article top! O Pantanal é um lugar perfeito pra quem busca um almoço com sustança e uma vibe boa, sem precisar ser um influenciador no Instagram. A variedade do bufê é impressionante, mas a verdade é que a gente não consegue provar tudo, né? Fica a dica: pegue um pouco de tudo, que a gente vai fazer aquele pratão que a Thays fala! E a costela no fogo de chão? Macia, saborosa, um deleite! Ah, e a história do casal Thays e Sérgio é inspiradora, mas sei que aqui na nossa vida, às vezes a benção de Deus virou um pedido de pizza no delivery. O lugar é acolhedor, e a gente até pode ir só pescar, sem almoçar, mas vai que a gente chega com fome, né? Recomendo pra quem busca uma festa familiar e um bom prato, sem precisar fazer reserva na hora!