Ícone gastronômico da Argentina agora tem um local especializado, com várias versões incríveis
Telma Elorza
O LONDRINE̅NSE
Eu vou confessar. Sempre ouvi falar de choripan, um dos ícones gastronômicos da comida de rua dos pampas argentinos e uruguaios, mas achava que era apenas um pão com linguiça supervalorizado, coisa que a gente come nos churrascos da vida, enquanto espera a carne assar. Até que minha irmã Ilka Elorza foi comemorar o aniversário de uma amiga no O Choriloco, um novo espaço em Londrina. Ela me mandou mensagem quando ainda estava lá: “Você tem que ir fazer uma gastronomia nesse lugar, os lanches são uma delícia”. Bom, eu adoro conhecer novos locais em Londrina. E se a irmã falou que era bom, eu tinha certeza que ia gostar.

Chamei Suzi Bońfím e Ana Paula Barcellos para me acompanharem. Afinal, quanto mais gente, mais coisas diferentes posso provar, né? E numa noite fria, fomos conhecer o espaço. E que bom que tava frio, porque além dos sanduíches da casa, pudemos provar também o sobá, outra especialidade do O Choriloco. O sobá, para quem não sabe, é uma espécie de sopa japonesa que virou patrimônio imaterial de Campo Grande (MS). Sim, exatamente. Numa terra de muito calor, o sobá virou prato típico. Saiu até no Bem Estar, programa da TV Globo.


E foi de Campo Grande que vieram as receitas tanto do sobá quanto do choripan, iniciativa dos cunhados Eliel Teixeira e Alisson Juliano Pagnoncetti. E eu vou contar a história deles porque é muito interessante. Eliel, que já estava em Londrina há muitos anos, trabalhava como represente comercial até que veio a pandemia de Covid-19.
Com o lockdown, ficou sem fonte de renda. Para sobreviver, teve a ideia de pedir para mãe, que morava em Campo Grande, a receita de sobá. Aprendeu a fazer direitinho e começou a vender para amigos. Todo mundo adorou e ele conseguiu sobreviver. Passou o tempo, a pandemia acabou e ele voltou a trabalhar como representante comercial.

Alisson, por sua vez, tinha um food truck em Campo Grande, onde vendia sanduíches e seu choripan era o campeão de vendas. Tudo ia bem até que a sogra, mãe de Eliel, morreu no ano passado. Sua esposa ficou muito abalada, pois eram muito unidas. Eliel, então, teve a ideia de chamá-los para Londrina, onde poderiam abrir juntos um negócio, com sobá e o famoso choripan de Alisson. Foi assim que nasceu O Choriloco, aberto em fevereiro de 2025 no iFood e mais recentemente em espaço físico. “Combinamos os dois pratos para termos opção o ano todo, seja inverno ou verão”, conta Eliel.
Alisson conta manteve o food truck por quase 12 anos em Campo Grande. E que aprendeu a fazer o choripan – principalmente seu molho de chimichurri – com um amigo argentino que era chef de cozinha que, depois de muita insistência, passou a receita da família. E, a partir daí, foi desenvolvendo novos lanches, como o Chori-loco (que leva muito queijo) e é o campeão de vendas da casa, o Chori Provoleta e o Chori Pimenton, entre outros.
Mas ele não se resume ao choripan, há também hambúrgueres e até um sanduíche de panceta com abacaxi (sobre qual que vou falar logo, logo). Tem até sanduíche vegetariano, se alguém quiser. “Não conseguimos ainda oferecer o sobá vegetariano, porque a base dele é um caldo de carne. Ainda estou desenvolvendo um caldo à base de legumes”, diz Eliel. Ah, sim, também há porções mais tradicionais.
Mas vamos falar de choripan e sobá
Em três, nós escolhemos quatro sanduíches para provar e duas porções médias (R$38) de sobá, que também tem em porção grande (R$43). Esse prato não dá para ser dividido em outras vasilhas, então, se querem comer em duas pessoas é possível (a porção média é suficiente para uma pessoa de fome normal), mas tem que ser na mesma cumbuca (me recuso a chamar de bowl).
Ah, tudo que provamos tem o Selo Nham de Qualidade. As primeiras 5 pessoas que tirarem o print dessa parte e, mandarem no direct do Instagram do jornal, @olondrinensejornal, vão ganhar uma Pepsi do O Chorilocos, quando forem lá. É válido por uma semana.

Mas vamos começar falando do Choripan tradicional (R$28), que foi um dos sanduíches escolhidos. Ele é um sanduíche em pão baguete com linguiça suína artesanal grelhada, maionese e molho de chimichurri. E, ao contrário do que eu esperava, é muuuuuuito mais gostoso que qualquer sanduíche de linguiça dos churrascos da vida.
Aliás, o tradicional foi o meu preferido, embora tenha gostado muito de todos que provei. A linguiça é grelhada na churrasqueira e ela mesma é muito saborosa, de altíssima qualidade, sem aqueles grumos de gordura que a gente vê por aí. O molho estava fantástico (todos os ingredientes fresquinhos, como deve ser o bom chimichurri) e o casamento dele com a linguiça ficou perfeito. Adorei. nunca mais vou confundi-lo com aquele sanduichinho mequetrefe de churrasco.

Depois provamos o Chori-Locos (com queijo muçarela derretido, R$33) que também tem o sabor do choripan clássico aliado à cremosidade e sabor do queijo. Muito bom mesmo. Para incluir mais sanduíches da linha dos choripans (são cinco no total), pedimos também o Chori Pimenton (R$42), por recomendação do Alisson e do Eliel. Ficamos meio assim, porque nem eu nem as meninas somos muito fãs de pimentão.
Eu, por questão de má digestão com pimentões (apesar de adorar o sabor deles). Mas foi a grande surpresa da noite para as três. No pão tipo baguete, vem a linguiça suína grelhada, queijo provolone derretido, fatias de pimentão na brasa, maionese e o molho de chimichurri. Gente, que delícia. Foi uma explosão de sabores na boca. O pimentão vermelho braseado ficou maravilhoso e suave e seu sabor completou o da linguiça e do molho. O provolone deu o toque perfeito a isso tudo. Vale muito a pena provar.

Mas calma que ainda não acabou. Escolhemos também um sanduíche de panceta (R$42) que foi também uma grande e deliciosa experiênca. A panceta assada (mais molhinha que a frita), com mais carne que gordura e bem temperada, combinada com pedaços de abacaxi caramelizado, queijo coalho e mostarda e maionese, estava simplesmente perfeita. Bom, carne suína e abacaxi combinam muito, mas para quem gosta de sabor agridoce (o que é meu caso).

Para acompanhar os sanduíches e já que estávamos na temática sabores argentinos, escolhemos uma cerveja argentina, a Quilmes (R$8 a lata). Não sou expert em cervejas (aliás, sou bem ignorante no quesito bebidas), mas achei gostosa e bem suave. Só posso dizer com certeza que combinou bem com os lanches.


Para encerrar, provamos o sobá com a receita da mãe do Eliel (ele mesmo prepara o caldo base, que é segredo de família) e achamos saborosíssimo: um caldo de carne bem temperado, com macarrão e carne ao ponto. Com uma generosa camada de cebolinha picadinha e um molhinho de gengibre (que vem à parte e você coloca de acordo com seu gosto) é um prato bem substancioso, uma refeição completa e quentinha.
Combinou muito com a noite fria e esquentou “por dentro”, como diria a minha vó. O detalhe é que, depois que você consome todo o macarrão e carne, ainda deve beber o caldo que sobra, direto na cumbuca. É um pecado deixar esse caldo para trás. Beba. É muito bom.
A primeira chonipaneria de Londrina está localizada numa casa na Rua Paranaguá, 1759, e é um espaço que se adequa aos propósito dos sócios: tem locais fechado e aberto, para oferecer comodidade em qualquer temperatura. Nos dias frios, quem optar em ficar no espaço aberto (que, aliás, é uma gracinha, tem até um clima praieiro), ainda vai ter uma fogueira para se aquecer. Eu sei que foi uma delícia sentar por uns minutos na poltrona em frente a fogueira ou mesmo só contemplá-la de longe.

O Choriloco funciona de terça a domingo, das 18 às 23 horas. Também está no iFood.
Fotos: Suzi Bońfím
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