O bar é um dos poucos que abrem na segunda-feira em Londrina e merece ser visitado pelas comidas e coquetéis diferentões que oferece, além do ambiente super alto astral
Telma Elorza
O LONDRINE̅NSE
Depois de um longo tempo afastada por problemas pessoais, estamos de volta com a coluna mais gostosa do O LONDRINE̅NSE. E para começar bem essa nova fase, escolhi um dos meus bares preferidos da cidade: o Mestizzo Bar. Há tempos, eu estava pensando em fazer uma matéria com ele, um local que eu frequento há alguns anos (nem tão frequentemente quanto eu como gostaria). Quando convidamos a Pati Palmieri Marconi (dona do Mestizzo, juntamente com seu marido, o Leonardo Tomoi Flauzino) para escrever a coluna Bebericando com a Pati, eu já tinha a intenção de escrever minha experiência com ele. Mas, claro, tudo atrasou.

Escolhemos a última segunda-feira para visitar a Pati e o Leo por três motivos: o primeiro é que eu adoro sair às segundas-feiras (kkk), dificilmente você vai me encontrar num bar às sextas e sábados, a não ser bem cedo, tipo lá pelas 16-17 horas. O segundo motivo é que o Mestizzo é um dos poucos bares de Londrina que abrem na segunda-feira (botecos não contam). O terceiro motivo é que pudemos provar um dos pratos que só são oferecidos de segunda a quinta, os chamados Umai (uma expressão japonesa informal que significa “delicioso”, “saboroso” ou “fabuloso”), que trazem três especialidades da casa e de alta gastronomia: o Magret de Pato (um clássico francês), o Haddok defumado (parente do bacalhau e muito difícil de encontrar por aqui) e o combinadão (26 peças de especialidades japonesas).

Mas antes de falar dessas delícias, deixa eu contar um pouco a história do Mestizzo e de seus proprietários. Leo é um chef de cozinha formado pela Escola de Gastronomia Anhembi-Morumbi -, uma das melhores do Brasil e que oferece dupla certificação com a renomada escola internacional Le Cordon Bleu -, que trabalhou em três restaurantes com estrelas no Guia Michelin e passou 15 anos na Europa, trabalhando como personal chef para um conde inglês. Chique, heim? Pois é.

Mas o Leo não quis seguir por um caminho da gastronomia gourmet. Ele sempre acreditou que comida não precisa ser extremamente sofisticada para ser deliciosa e não queria perder tempo apresentando pratos muito elaborados visualmente. Ele queria sabores complexos e qualidade na simplicidade. Quando voltaram ao Brasil, o casal tinha o sonho de investir num negócio próprio. E foi assim que surgiu o Mestizzo (que, como o próprio nome indica, é uma mistura das experiências que o casal teve por todos os países que passou).
O começo foi simples, numa salinha ao do lado do restaurante do hoje Hotel Slaviero. Como não podiam usar a cozinha do restaurante, começaram a oferecer pratos frios – sushis e sashimis, além de outros como carne do onça, além de drinks simples. O negócio foi crescendo e, em 2020, resolveram alugar um espaço próprio, ali na Rua João Cândido, onde estão até hoje. Nessa mudança, o Leo insistiu para que a Pati ficasse responsável pelo setor de coquetelaria do Mestizzo. Então ela foi atrás de aprender. Ela já contou essa história nessa coluna aqui, leia que você vai gostar. Aliás, se você gosta da arte de coquetelaria, leia todas as colunas dela, que sempre traz uma receita legal.

Hoje, o cardápio do Mestizzo é bem eclético e diferente, porque o Leo nunca quis se especializar em um único tipo culinária. Os sushis, combinados e carne de onça foram mantidos por causa do início do bar (e ainda fazem sucesso). “Eu sempre gostei de experimentar, criar. Ao longo desse tempo, já mudei o cardápio várias vezes. Eu até brinco com a Pati, por mim mudava todo mês”, diz. Segundo ele, o que mais gosta é criar novos pratos. “Crio, coloco no cardápio e depois de um tempo fico enjoado dele, já quero fazer algo diferente”, conta. Basicamente, Leo cozinha para agradar a ele próprio. Porém, como seu padrão é altíssimo, invariavelmente os pratos caem no gosto dos clientes. Detalhe: todos os fornecedores do bar são locais, desde a cachaça Araz até o azeite que acompanha os pratos.
O mesmo acontece com a Pati, comandando a parte de coquetelaria. Além dos drinks clássicos (com uma carta de coquetéis enorme!), o bar oferece vários drinks autorais, desenvolvidos pela própria. Provamos três deles – dois com álcool e um sem, que foram surpreendentes e maravilhosos.
O cardápio do Mestizzo
No total, o cardápio de comidinhas está dividido em seis partes: Tapas e Beliscos (5 porçõezinhas individuais), cujos preços variam de R$11 a R$29 e de onde escolhemos dois diferentões para “testar”; Signati Panis (os sanduíches que vão do clássico choripan ao hamburguer vegano), com preços que variam de R$35 a R$39; Everything Gonna Be All Rice, com oito opções – quatro de pokes e quatro de sushis e sashimis (incluindo o Comjarodinho – porção reduzida de combinado para quem toma Monjaro kkk) e preço que variam de R$28 a R$55; Quinhões, que são oito porções para dividir, com preços que vairam de R$28 a R$60; Les Nouilles, que tem sobá (R$40) e yakissoba (R$34 o vegetariano e R$40 com carne) e o Umai, que eu citei lá em cima, com os três pratos oferecidos apenas de segunda a quinta, com preços entre R$79 e R$88). Ah, esqueci, também tem uma sobremesa no cardápio, para quem não dispensa um docinho: uma torta fria de chocolate com brownie, ganache e chantilly (R$20)
Já a cartela de drinks possui 20 opções de drinks clássicos (R$30 a R$34), mais sete autorais (de R$30 a R$32), além, claro, das caipirinhas, cervejas, doses e chopp. Para quem não bebe álcool, além de refrigerantes, soda italiana e os sucos do dia, também quatro opções de Mocktails (coquetéis sem álcool), a R$15 cada.

Eu conhecia o cardápio antigo, mas desta vez tinha novidades que quis provar. Começamos por duas porções individuais: o torresminho de pele de salmão acompanhado de molho tarê apimentado (R$11) e o El Ceviche (R$27), o clássico peruano reinventado, com sorvete de cupuaçu (R$29), uma combinação inusitada. O torresminho foi uma grande sacada do Leo, porque ele é do tipo que gosta de aproveitar todas as partes do alimento. Em vez de jogar fora a pele do salmão, fritou e ficou simplesmente a melhor coisa para comer com uma cervejinha. Crocante e bem temperado, é extremamente gostoso e muito leve. Já o ceviche causou surpresa: a combinação do clássico com o sorvete de cupuaçu casou perfeitamente e “suavizou” o prato, dando uma nova complexidade no sabor. Amei. Agora quero meu ceviche sempre assim!

Provamos também o Pô! Que Chique (R$52), um poke onde Leo “desconstruiu” o temaki de salmão grelhado e cream cheese, juntou com arroz, camarões empanados e rúcula, alface, wakame, cebola roxa, pepino, tomate, shimeji e tarê num prato que dá perfeitamente para duas pessoas (se comeu o ceviche e o torresminho antes kkk Se eu não tivesse comido os dois, matava um prato desses sozinha tranquilamente). Ficou maravilhoso.

Para finalizar a noite, a Pati e o Leo fizeram questão que nós provássemos o Haddock defumado (R$85), quando eu disse que nunca tinha comido esse peixe e que só o conhecia pela literatura e livros de culinária. Não é um peixe fácil de ser encontrado no Brasil e eu só soube dele naqueles restaurantes super caros do Rio e São Paulo, em que você deixa um rim só para entrar.

E, olha, foi o melhor prato de peixe que já comi na minha vida. O Haddock, levemente selado na manteiga e creme de leite, veio sobre um cama de arroz negro (o natural, não o espanhol, cozido com tinta de lula), com tomates cereja, ervilhas frescas e castanhas de caju. De-li-ci-o-so. Como explicar o sabor? O Haddock parece um bacalhau, mas não tem gosto de bacalhau. Com uma carne branca e delicada, com pouca gordura, o sabor é suave e levemente adocicado, mas muito, muito gostoso. Complementado pelo arroz negro, ficou uma loucura de bom. Só de escrever isso, já deu água na boca de novo.
Para completar a noitada, pedi um drink desenvolvido pela Pati, o PIMM’S Nosso (R$32), uma mistura de gim, vermute rosso, tônica, laranja, hortelã, pepino e muito gelo. A Pati explicou que, na Inglaterra, o PIMM é uma bebida que já vem pronta, muito servida nos torneios de tênis de Wimbledon, mas que é quase impossível achar no Brasil. Aí ela foi testando misturas até ficar o mais parecido com o PIMM inglês. Vale a pena provar, ele é muito refrescante. Mas cuidado: por ser extremamente leve, engana no teor alcoólico. Eu adorei. Tomaria uns quatros se não tivesse receio da ressaca no dia seguinte.


Ainda provamos o Frizz de Jaboticaba (R$32), que é sazonal, feito com licor de jaboticabas (colhidas na árvore no quintal do bar e sim, também comemos algumas que estavam ainda dando sopa por lá), espumante demi-sec e essência de baunilha. Fabuloso. E também provamos um Mocktail, o Lilikoi que leva purê de manga e maracujá, limão espremido, água com gás e muito gelo. Simplesmente delicioso. Vale a pena provar.

E para comemorar os seis anos do Mestizzo, a casa vai servir um almoço especial, neste sábado (21) com um churrasco feito pela convidada especial, a churrasqueira Aline Cristina Gouveia Fernandes, da Ataare (que fornece as linguiças artesanais do bar) e a presença do grupo regional Nó na Madeira, com muito chorinho. O almoço acontece a partir do meio-dia. E os seis primeiros clientes que falarem que viram essa matéria no O LONDRINE̅NSE vão ganhar uma caipirinha de limão com cachaça. Você vai perder? Eu não.
Serviço:
O Mestizzo Bar fica na Rua Professor João Cândido, 893 e funciona de segunda a sábado, das 18 à meia noite. Aceita reservas para grupos, no Linktree do Instragram.

