Matsuri: um rodízio japonês surpreendente

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O restaurante se reinventou durante a pandemia e agora tem um dos melhores rodízios de Londrina

Telma Elorza

O LONDRINE̅NSE

O Matsuri já foi um do maiores restaurantes japoneses de Londrina, com várias unidades espalhadas pela cidade, sempre com um cardápio surpreendente, inovador e de alta qualidade. Durante a pandemia, o Matsuri se reinventou, fechando as quatro lojas físicas e instituindo o Matsuri To Go, uma experiência que se tornou referência em termos de delivery de comida japonesa. Há quase dois anos, no entanto, O Matsuri ressurgiu com uma loja física, fazendo a alegria dos londrinenses que fazem filas na porta, de segunda a domingo, no almoço e jantar.

O espaço fica na Rua Montevidéu, mas os fundos dele tem uma vista maravilhosa do Lago Igapó

Foi o que vimos, na terça-feira, dia 15 de julho, quando fui conhecer, finalmente, o espaço e seu rodízio. Adoro comida japonesa, mas não sou especialista nela. Para compensar, levei como acompanhante nossa colunista de Moda e Crônicas de Um Cidade, a Ana Paula Barcellos, que simplesmente conhece TODOS (sim, todos) os restaurantes japoneses da cidade. Ela ama e, se não está em rodízios, pede muito delivery de comida japonesa. Com essa expertise adicional, nós aproveitamos muito a sucessão maravilhosa de pratos.

Mas antes de falar da comida, vou relembrar um pouquinho sobre o restaurante, que tem uma história interessante de sucesso. O reconhecimento da experiência que é comer no Matsuri começou ainda em 2003, quando Emiko e Claudio Koyama mudaram de Maringá para Londrina e abriram a primeira unidade, lá na Avenida Maringá. O restaurante fez tanto sucesso que cresceu rapidamente, foram abertas outras unidades – só abrindo um parênteses aqui: foi no Matsuri Garden que eu tive coragem de experimentar, pela primeira vez, um sashimi de salmão – e foi eleito o melhor de Londrina por 8 anos consecutivos.

Ambiente alia a modernidade com acolhimentos

Mas o rápido crescimento também trouxe alguns problemas e, em janeiro de 2020, começou a passar por uma reestruturação a cargo do engenheiro civil Raphael Koyama, filho dos fundadores. “Meus pais eram ótimos com a cozinha, a criatividade e o preparo dos pratos, com a qualidade dos produtos, mas não sabiam nada de gestão. Meus tios vieram falar comigo e a gente decidiu que seria melhor eu assumir, embora meu ramo fosse outro”, conta. A pandemia, no entanto, fez os restaurantes fecharem e o novo administrador buscou alternativas a longo prazo. “De março a junho de 2020, foi o tempo que a gente teve que estruturar e dia 9 de junho a gente inaugurou o Matsuri To Go”, explica. Ele resolveu apostar no delivery e foi um sucesso, porque levou a experiência Matsuri para a casa das pessoas.

Os sushimen trabalham à vista de todos: você pode ver os pratos sendo preparados

A reabertura de uma loja física em Londrina, em 2023 (num endereço que dá fundos ao Lago Igapó 2) foi um momento também de homenagear quem apoiou o restaurante durante todo esse tempo. Numa cascata de vidro, logo na entrada, estão escritos as @ de todos que mandaram mensagens para o Instagram do Matsuri, dando apoio e força. “Não tem nenhuma explicação ali, só as @, um reconhecimento nosso”, conta Raphael. Agora, segundo ele, estão em novo momento de estrutura. “O delivery cresceu assustadoramente durante esse tempo, mas tem um custo muito alto. E como aqui, tem fila todos os dias, raro quando isso não acontece, estamos pensando em novas unidades”, diz.

No bar, uma variedade de drinks. E nas terças, Open de Vinho Branco

Mas, por enquanto, a expansão deve ser para outras cidades. “Em setembro abrimos um Matsuri em Cascavel e, possivelmente no ano que vem, mais uma casa em outra cidade”, explica. Segundo Raphael, por enquanto, esta será a única unidade na cidade. “Londrina não é tão grande que possa comportar duas operações como esta. “As pessoas já saem de todas as regiões para vir para cá, o Lago é um atrativo muito grande”, diz.

Eu entrevistando o Raphael Koyama. A fotógrafa não se tocou que tinha que fazer a foto só dele kkkk

Para estruturar o cardápio do Matsuri, a equipe fez muita pesquisa em São Paulo, na capital paulista. “Muita gente vai ver o que funciona lá fora para copiar e colar aqui, mas isso nem sempre funciona. O que gente fez é pegar alguns diferenciais e adaptá-los para a realidade londrinense, num preço que caiba no bolso da população, no preço de mercado. O preço do rodízio, independentemente de toda bela arquitetura da casa, do interior aconchegante e diferenciais, está na faixa de preço dos outros restaurantes da cidade, R$139 durante a semana e R$149, nos finais de semana e feriados”, explica.

Carpassion, uma deliciosa combinação de salmão com maracujá. Pra mim, foi o melhor e mais surpreendente da noite

Surpresas do Matsuri

Como já disse, eu era cliente do antigo Matsuri, mas ainda não tinha ido conhecer a nova unidade. A Ana Paula só conhecia o delivery também. E chegamos sendo surpreendidas com uma novidade. Todas as noites de terças-feiras, além do rodízio, os frequentadores vão pode optar também por um Open de Vinho (um branco delicioso, produzido com a uva Moscato), por R$39,99. Além de comer tudo que conseguir aguentar, ainda pode beber também, kkkk. Mas só consumimos três tacinhas, cada, juro.

Mas vamos falar da comida, que continua fantástica como sempre foi, desde o início do primeiro Matsuri. E foi uma sucessão incrível de sabores. Para evitar desperdícios, já que não são todos os pratos frios – leia-se peixe cru. Sim, ainda sou meio desconfiada com peixe cru), mas determinadas a provarmos a maioria, a Ana Paula escolheu alguns dos que eu não como como os niguiris. O sistema é o comum: você escolhe, num cardápio, o que quer comer, entre uma pré-entrada (somen da casa), entradas frias, entradas quentes, temaki, hossomaki, uramaki, niguiri, baterá, dyo, sashimi, hot roll, os pratos quentes e as sobremesas (que dispensamos porque não cabia mais nada, kkk). Ah, tem todo um rodízio específico para vegetarianos (R$109,90) e você pode montar, ainda, uma sequência a seu gosto, pelo mesmo preço do Vegetariano.

Ah, um detalhe importante: as porções do rodízio vão parecer pequenas nas fotos, mas lembre-se que você pode repetir à vontade. Além disso, quando forem pedir alguns pratos, já peça de com cinco ou mais peças, como os carpaccios, porque quase tudo é contabilizado por unidade.

Carpaccio de salmão trufado e carpaccio de peixe branco: delícias

O problema, para nós, foi o que escolher. São muitas opções e todas parecem deliciosas. Depois de algumas dúvidas, conseguimos chegar a um consenso; dispensamos o somen e partimos para as entradas frias: pedimos carpassion (carpaccio de salmão com maracujá) que estava incrivelmente delicioso (até repetimos), carpaccio de salmão trufado, carpaccio de peixe branco, salmão ao molho ponzu e salmão ao molho de ostras. Ainda havia opções como sunomo, ceviche e carpaccio de tentáculo. Olha, simplesmente fantásticos, todos eles.

Camarão alho e óleo, pipoca de camarão e corn tempurá
Edamame trufado: nunca havia provado e adorei

Nas entradas quentes, escolhemos pipoca de camarão, edamame trufado (uma vagem que você estoura na boca e come o grão, delicioso), corn tempurá (tempurá de milho), guiozá, harumaki de queijo com mel trufado e camarão alho e óleo, que é uma novidade no cardápio. Infelizmente, esquecemos de pedir o shimeji na manteiga que, por coincidência é um dos meus preferidos de todos os tempos. Mas os outros compensaram tranquilamente o esquecimento, porque estavam simplesmente perfeitos. O edamame eu nunca tinha experimentado, e achei bem gostoso. O hot roll com molho de maracujá é uma coisa incrível (eu adoro hot roll, mas nunca tinha provado nada tão gostoso antes). E o yakissoba? Perfeito. Tenho algumas ressalvas com yakissobas de modo geral, que geralmente estão muitos salgados. Mas o do Matsuri foi o mais gostoso que já comi em Londrina.

Os hot rolls deliciosos
Guiozá perfeito

Depois veio o aparador – um show à parte – com os hossomaki, uramaki, niguiri, baterá, dyo, sashimi, hot roll. Repetimos também, kkk. Adorei o skin fildelfia com couve crispy e o com crispy de batata doce; o salmão grelhado com geleia de pimenta foi sensacional. Ainda veio atum com cream cheese defumado (novidade também) e outros que nem lembro mais. Os niguiri ficaram todos a cargo da Ana Paula, incluise o de atum pesto e o maçaricado com crispy de alho poró.

O Matsuri retomou sua loja física com um rodízio surpreendente e delicioso, que fomos conhecer no dia do Open de vinho
O show do aparador, com gelo seco, impactante
O melhor yakissoba da cidade, na nossa humilde opinião

Foi tanta comida que tenho quase certeza que esqueci de falar de algumas, kkkk. Só sei que comi muuuuito e realmente bem. Agora vou deixar a especialista Ana Paula dar a opinião dela sobre a experiência: “Eu fiquei positivamente surpresa com o rodízio do Matsuri. Inclusive gostei muito de peças que costumo evitar quando vou a rodízios, como hot roll, uramaki e dyo, que costumo achar pesados, gordurosos e por serem lambrecados com muito molho tare e cream cheese. Os do Matsuri são surpreendente equilibrados e saborosos, leves. Também me surpreendi com a qualidade do yakissoba do rodízio: macarrão no ponto, carne perfeita e verduras muito frescas, foi uma explosão de sabor. Ter um clássico desses servido no rodízio com perfeição com certeza é um diferencial”, afirma.

Fotos: Ana Paula Barcellos e Telma Elorza

Serviço:

O Matsuri fica na Rua Montevidéu, 584, Londrina e serve rodízio todos os dias, no almoço (com opções à la carte), de segunda a sexta das 11 às 14 horas e sábados e domingos, das 11 às 15 horas; e jantar (também com opções à la carte) de domingo a quarta, das 18 às 22h30 e de quinta a sábado, das 18 às 23 horas. Aceita reservas pelo telefone (43) 3142-3912.

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