Coelho Café: o prazer de provar alta gastronomia com toque caseiro

almoço

Com brunch o dia todo e pratos maravilhosos no almoço, assinados pelo chef londrinense Murilo de Oliveira, o café é uma deliciosa opção para quem quer pratos substanciosos com alta qualidade

Telma Elorza

O LONDRINE̅NSE

Eu já tinha ouvido falar do Coelho Café, quando ainda era pequeno, ali no Vale do Rubi, na Rua Venceslau Brás, mas nunca tinha ido conhecer, por estas coisas da vida. Há 9 meses, o café mudou para a Rua João XXIII, 650, vizinho ao Instituto Federal do Paraná (IFPR) e, a partir daí, comecei a seguí-lo no Instagram @coelhocafe. Até que um dia, a vontade de experimentar aquelas coisas maravilhosas que via em fotos, ficou mais forte e marcamos – eu e Suzi Bońfím. Fomos conhecer a casa, na última quinta-feira (20).

O lugar é bem legal, amplo, espaçoso – com vários ambiente e até uma piscina – e bem decorado. Coelhos (em estátuas, quadros e outros elementos de decoração) por todos os lados. Afinal, por que tantos coelhos? Fui perguntar para o chef Murilo de Oliveira – que me parecia conhecido, mas sabe quando você não consegue identificar? Então, eu conhecia mesmo. Murilo participou da segunda temporada do Master Chef Brasil – há 10 anos – e entrou no programa com sua coelha de estimação e preparou um prato à base de coelho, o que lhe garantiu uma vaga entre os melhores cozinheiros amadores do Brasil. Como fã do Master Chef, eu assisti todas as temporadas e vi o trabalho do Murilo.

O programa abriu-lhe muitas portas e Murilo largou a profissão de Analista de Marketing para se dedicar a sua verdadeira paixão, a gastronomia. “Logo após o programa, eu assinei cardápios para rede de hotéis Ibis no Brasil, fiz eventos por um ano até um investidor me chamar para assumir o restaurante Guató, dentro do Hotel Maui, em Maresias, litoral de São Paulo. É um restaurante de alta gastronomia, focado em alimentos nativos da Mata Atlântica. Fiquei lá por cinco anos até o início da pandemia”, conta.

Com o início da pandemia de Covid-19, Murilo não viu mais sentindo em focar em alta gastronomia. “Eu queria me dedicar a uma gastronomia que alimentasse de verdade, não fosse só uma ‘experiência’, com sustância”, brinca. Ficou um tempo trabalhando com culinária para crianças, em um colégio particular de São Bernando do Campo (SP), e criou um programa de desenvolvimento de consciência alimentar e gastronômica.

“Queria que as crianças tivessem uma maior consciência daquilo que consomem. O que se coloca no prato interfere muito na ‘paisagem’ que estamos inseridos, seja na cidade ou no campo. Se a gente come muita comida industrializada, estamos incentivando o crescimento de indústrias. Essas escolhas são importantes e acho fundamental inserir as crianças nisso, desde cedo, nas escolas. E eu acho um absurdo que, no Brasil, não tenha uma educação gastronômica. Nos Estados Unidos, as crianças têm isso e aprendem a cozinhar, porque é básico do ser humano. Quantos adultos a gente conhece que não sabe fritar um ovo?”, questiona.

Ele voltou para Londrina há dois anos e já tinha planos de um café. “Eu amo café, café da manhã, brunch e queria algo nessa linha”. A primeira casa do Coelho Café era pequena, com apenas 12 lugares. “Era para ser uma coisa mais simples, mas eu não consigo ficar longe da cozinha e comecei a fazer alguns pratos mais elaborados. E a coisa foi indo, cresceu. Achamos essa casa na Rua João XXII e estamos aqui há nove meses”, diz.

Com a nova casa, veio a proposta de oferecer brunch o dia inteiro, de terça a sexta, das 11 às 20 horas, e aos sábados, das 10 às 20 horas. Mas também a opção de almoços executivos, com entrada, prato principal e sobremesa, por o preço fixo de R$59,00. “Durante semana virou nosso carro-chefe, porque a gente começa num horário considerado tarde para cafeterias”.

Fiduá de camarão

Sempre há três opções de pratos executivos. Na quinta-feira em que visitamos, as opções de prato principal era Baião de Dois (arroz cateto, feijão fradinho, moyashi, refogados com pimentões, queijo coalho, calabreza e um ovo frito por cima); Frango, Risoto e Creme de Milho (sobrecoxa desossada à moda caipira, com risoto de milho e farofa de corn flakes); e Fidueá de Camarão (uma espécie de paella, mas em vez de arroz leva macarrão fideos, uma massa bem fininha). Os pratos têm sempre mais que um toque caseiro, mas a alta gastronomia também está ali. “É uma coisa que gosto muito de casar”, diz Murilo.

O cardápio do brunch é bem completo: tem sete opções de preparo de ovos (beneditino, royale, mollet, mexidos, turcos, com ervilhas e bacon, e no purgatório, com preços que variam de R$26 a R$48), quatro opções de especiais (croque monsieur, pera & queijo azul, parma caprase, avotoast, tomates confit e burrata verano, de R$28 a R$65), oito sanduíches (variados e todos me deixaram com água na boca, com preços que variam de R$26 a R$52), duas opções de panquecas americanas (R$28) e 10 tipos de sobremesas (do tradicional tiramissu ao inovador Casa de Vó, que logo falarei um pouco mais, com preços que variam entre R$16 e R$28), cafés de vários tipos, capuccinos, chocolates, chá de hibisco e sodas italianas, além de drinks variados. Também há pães especiais à venda. “Tudo é produzido aqui mesmo, menos o biscoito savoirdi que vai no tiramissu. Mas já estamos nos organizando para produzi-lo também”, conta.

Provando o cardápio do Coelho Café

Como queria ter uma experiência diferenciada e provar um pouco de tudo, deixamos o chef escolher nosso cardápio. E fizemos bem, porque, com tantas opções que me deram água na boca, eu ficaria até hoje tentando escolher o que gostaria de provar.

Ele nos apresentou duas opções de brunch: ovos turcos e o especial tomate confit. Gente. Só provem.

O Coelho Café é uma dessas opções maravilhosas para quem gosta de brunch o dia todo, com opções de almoço. Alta gastronomia, com mais que um toque caseiro
Ovos turcos: maravilhoso

Os ovos turcos são ovos fritos sobre uma cama de creme de ricota de búfala, com óleos de especiarias, romãs e ervas frescas, além de pão tostado. Uma coisa SENSACIONAL. Nunca provei nada parecido e me deixou bem feliz, principalmente com a fatia de de pão tostado à perfeição. Comeria duas tranquilamente, molhando o pão no ovo. A outra opção veio com tomates confitados com especiarias, granola salgada, creme de ricota e fatia de pão torrada. Delicioso e leve.

Tomates confit

Para o almoço, o chefe nos enviou o Baião de Dois, que achei muito, muito bom, um dos melhores que já comi; e o Fudiá de Camarão. Pensa numa comida com sabor e carisma, levíssima, ideal para um dia quente. A vontade era de lamber o prato.

Baião de Dois estava muito bom

Para encerrar, ainda fomos agraciadas com duas sobremesas: bolo de chocolate e o Casa de Vó.

O bolo não tem grandes produções, mas é algo muito bom: uma fatia de bolo de chocolate (super chocolatudo, com recheio de chocolate meio amargo) com chantilly de whisky. Gente, fenomenal. Vale muito a pena provar, mesmo que você acredite que bolo de chocolate é tudo igual. Não é. Esse derrete na boca e o sabor é incrível. O chantilly de whisky foi surpreendente e delicioso, casando perfeitamente com o sabor do chocolate.

Bolo de chocolate com chantilly de whisky
Casa de Vó

Mas o Casa de Vó é algo incrível. É uma releitura de doces tradicionais como doce de abóbora, cocada e pé de moleque, criado pelo chef Murilo, baseado exatamente nos doces que comia na casa da sua avó. O doce leva um curau de abóbora, com espuma de coco, coco em fitas e praliné de amendoim. A combinação de sabores criou uma sobremesa úncia, sem muito açúcar e com um gosto incrível. Além de ser muito bonito, parecendo quase uma flor.

Sodas italianas de Maracujá Vermelho e Frutas Tropicais

Para acompanhar tudo isso, tomamos duas sodas italianas (R$18 cada), uma de maracujá vermelho e a outra de frutas tropicais.

Devo voltar logo ao Coelho Café, porque simplesmente ficou de fora muita coisa que gostaria de provar e simplesmente não cabia mais.

O Coelho Café fica na Rua João XXIII, 650, e atende de terça à sexta, das 11 às 20 horas, e aos sábados, das 10 às 20 horas. Os preços podem ser alterados sem aviso prévio.

Fotos: Suzi Bońfím

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