Restaurante tem apenas dois meses, mas vem conquistando o paladar dos londrinenses
Telma Elorza
O LONDRINE̅NSE
Os londrinenses estão acostumados a comer comida portuguesa tradicional, aquela preparada no forno com receitas complicadas. Mas, há cerca de dois meses, foi inaugurado o restaurante Brasa Portuguesa, que traz o melhor de Portugal num sabor único: aquele, em que a comida é preparada – como o nome da casa diz – grelhado na brasa. Todas as carnes ali são grelhadas.

Fomos conhecer o restaurante numa quarta-feira, dia de Festival de Sardinha (que acontece todas as quartas). Eu adoro sardinha, mas tenho pouca oportunidade de comê-la. Quando soubemos que ali, por um preço único de R$75 por pessoa, você come tantas sardinhas na brasa quanto puder aguentar, ficamos bem interessadas. Depois, soubemos que as sardinhas são importadas de Portugal, para oferecer o prato legítimo. UAU! Já antecipo: são bem diferentes das que a gente acha para comprar por aqui.

Chegamos cedo e conhecemos os dois proprietários do local, o português nascido em Lisboa Nuno Gonçalo Guimarães dos Reis e o sócio brasileiro Heder Gomes Pinheiro, o Edinho. Nuno, que chegou ao Brasil há 13 anos, e Edinho são amigos há muito tempo e tinham o sonho conjunto de abrir um restaurante português. Ambos tem experiência com outros restaurantes e há 8 anos começaram a planejar uma casa portuguesa, com certeza. “Nós tentamos abrir duas vezes anteriormente, mas por essas coisas da vida, não deu certo. Até que na terceira, foi”, brinca Nuno.



Nuno queria oferecer, aos londrinenses e toda região, a experiência dos grelhados portugueses. “A gente quis fazer uma coisa diferente, oferecendo pratos que poucos brasileiros conhecem. Por aqui é mais comum os assados no forno”, conta. O bacalhau na brasa, por exemplo, é bem típico de país lusitano, segundo o lisboeta. Mas, como eu mesma disse aos dois, nunca havia provado deste jeito até então.
O espaço, na rodovia Mábio Palhano, foi escolhido em uma coincidência. O proprietário do local – onde também funciona uma grande arena de atividades esportivas – é amigo dos dois sócios e já tinha alugado a casa para dois restaurantes anteriormente. “Já era para gente ter alugado aqui, mas nunca estava disponível. Desta vez, quando finalmente decidimos abrir finalmente o nosso, o restaurante que estava aqui ia sair. Ele nos chamou e deu tudo certo. Foi na hora certa”, conta Nuno.
Nuno confessa que nunca havia ido para cozinha antes. “Eu jogava bola profissionalmente. Me machuquei, a carreira acabou e vim pro Brasil. Meu pai já estava aqui há 30 anos, tinha um restaurante e eu comecei com ele”, diz. Todas as receitas que são produzidas no Brasa Portuguesa são receitas da sua família, nada adaptado ao “jeitinho brasileiro”. “Nós contratamos o chef do antigo restaurante e passei para ele todas as receitas, ensinei exatamente como queria. E ele segue fielmente”, afirma.
Segundo ele, o bacalhau ali, por exemplo, é o mais simples de ser feito, mas, ao mesmo tempo, é também o mais saboroso porque “não é disfarçado por outros sabores, como natas, por exemplo. Mas tem que ser um bom bacalhau e tem que saber fazer para não ficar seco”, afirma Nuno.
Já o Festival da Sardinha foi pensado para ter algo muito popular e tradicional de Portugal. “A sardinha, quando está na sua época, princiapalmente no verão, em todo canto você acha. É como o espetinho aqui, todo lugar tem a sardinha na brasa”, conta Edinho.
Na brasa
Depois da conversa, fomos provar as delícias. E olha, foram mesmo surpreendentes. O cardápio das comidas não é muito extenso (a carta de vinhos é maior, com muitos rótulos portugueses e alguns argentinos, chilenos e até brasileiros), mas tem opções para todos os gostos, inclusive Polvo a Lagadeira (que acompanha arroz e batatas ao murro), galeto e entrecôte de Angus (tudo grelhado), para quem não gosta de frutos do mar. Esses também acompanham arroz e batata chips ou ao murro.

Para entrada, pedimos os tradicionais bolinhos de bacalhau (R$39, quatro unidades) e estavam simplesmente fantásticos. Mas também tem camarão alho e óleo (R$79), batata chips (R$25), salada da casa (R$35) e punheta de bacalhau (R$65). Os bolinhos estavam perfeitos e acompanhados de uma pimentinha (à parte, claro), ficaram mais deliciosos ainda).
Depois passamos para as sardinhas, que chegam em porções de quatro para duas pessoas, acompanhadas de fatias de pão, de cebola e pimentão e batatas ao murro. E que sardinhas, minha gente. Enormes, tostadinhas, no ponto certo. Regadas com um bom azeite português, ora pois, obviamente, elas tinha um sabor que nunca provei em nenhuma sardinha que já comi por aqui. Repetimos, claro.

Mas não comi tanto quanto gostaria porque ainda queria provar o bacalhau e tinha que deixar espaço para saborear a iguaria grelhada, logicamente. Já falei que nunca tinha provado desse jeito, né? Me surpreendeu. O bacalhau (R$160 no prato executivo) veio numa posta alta, com a pele torradinha e uma crostinha em cima (delícia), mas extremamente úmido e macio no meio, se desmanchando em lascas perfeitas como deve ser.
Veio acompanhado de azeitonas, ovo cozido, tomatinhos cereja, fatias de cebola e batata ao murro. Quem quiser, ainda pode pedir arroz. Tudo muito regado ao azeite português (e você ainda pode por mais, se gostar). É um prato maravilhoso e realmente dá para sentir o sabor único do bacalhau sem nenhum outro para atrapalhar. Se pedir uma entrada, o prato executivo dá para duas pessoas tranquilamente. Eles ainda servem meio combo (que dá para duas ou três pessoas) e um combo todo, que serve de três a quatro pessoas.

Tudo muito bem acompanhado por uma taça de vinho, um cabernet sauvignon do Chile (R$30 a taça). Também tem opções para pedir uma garrafa inteira ou meia garrafa, com preços variados. E quem quiser, ainda pode completar a noite com uma taça de vinho do Porto (R$45).

Para coroar a noite, é claro que não poderia faltar uma sobremesa portuguesa, os famosos pastéis de Belém (R$10 a unidade), que foram servidos quentinhos e maravilhosos. Eu já provei muitos pastéis de Belém na minha vida, mas essa foi a primeira vez que o comi quente e achei ainda melhor que os frios e gelados que já tinha provado. Além disso, tem a opção de mini churros (R$21, seis unidades com acompanhamento de leite condensado cozido) para quem desejar.
Uma experiência memorável. E para os leitores do O LONDRINE̅NSE que forem ao Brasa Portuguesa, uma surpresa: um Pastel de Belém. Para ganhar tem algumas condições: siga o @olondrinensejornal e o @brasaportuguesa no Instagram, e printe a palavra/cupom que é essa daqui: BRASA10 e apresente no restaurante e ganha. O cupom é válido para uma única pessoa (em casais e grupos) até dia 4 de junho de 2025.
Serviço:
O Brasa Portuguesa fica na Rodovia Mábio Gonçalves Palhano, 500. E funciona de quarta a sábado, das 19 às 22h30. Aos sábados e domingos, também servem almoço das 11h30 às 15h. Aceita reservas pelo (WhatsApp) 43-3014-3726.
Fotos: Telma Elorza e Suzi Bońfím
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