Qual o significado do que os alunos estão aprendendo?

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“Para que vou usar eletromagnetismo na minha vida?” Essa foi a pergunta de um aluno, que se soma a milhares de outros questionamentos acerca das diferentes disciplinas: “por que tenho que aprender o que esse cara (filósofo, por exemplo) pensa?”, “quando vou usar isso no futuro?” e por aí vai. Hoje em dia, nosso sistema educacional está construído sobre bases frágeis do ponto de vista do sentido das coisas ao passo que a geração que está indo para a escola, além de ser questionadora, é movida pelos significados que as coisas têm.

A despeito de muitos assuntos e matérias dentro das disciplinas realmente serem inúteis em muitos casos, não estou defendendo que se deixe de estudá-las. O que precisamos, na realidade do século XXI em que vivemos, é dotá-las de sentido e significado. Medidas simples poderiam nos ajudar: criar uma sala de aula com uma cultura visual bonita, além de utilizar o entretenimento para prender a atenção dos estudantes. Música, arte, filmes e séries: tudo vira matéria-prima para o aprendizado.

Certa vez um professor amigo filósofo, para falar de Aristóteles, se vestiu de Harry Potter. Mas, o que uma coisa tem a ver com a outra? É que todas as falas e o pensamento do personagem Dumbledore têm a ver com a filosofia aristotélica, estão baseados no pensamento grego antigo. A aula, sem qualquer coisa escrita no quadro e sem qualquer atenção de aluno chamada pelo professor, foi pequena para tantos estudantes interessados. O que o professor fez? Simplesmente dotou o pensamento de Aristóteles, que, convenhamos, é antigo (tem mais de 2,5 mil anos), de significado.

Assim como utilizar fotografias, realizar performances em sala de aula e trazer o que é próximo dos alunos, como as redes sociais. Quando você os envolve nesse processo, o aprendizado fica mais fácil, flui melhor e, mesmo que eles continuem não enxergando o sentido das coisas, vão adorar assistir às aulas e absorver o conhecimento. Mais que isso, jamais se esquecerão do que aprenderam. Não é algo fácil, porque os professores precisam se manter atualizados o tempo todo. Entretanto, é recompensador!

Tiago Mariano 

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.

Foto: Divulgação do filme

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