Professores em extinção? Por que o Brasil tem cada vez menos gente interessada?

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Um verdadeiro apagão da educação. É o que nos espera ao longo da jornada, se continuarmos a percorrer o caminho pelo qual estamos indo. A quarentena provocada pela pandemia do coronavírus nos mostrou que não estamos preparados para o futuro, essencialmente porque negligenciamos o passado. E o resultado é que a profissão de professor está caminhando para a extinção.

Relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) aponta que, entre 2006 e 2015, o número de brasileiros de 15 anos que gostaria de ser professor caiu de 7,5% para 2,4%. Essa taxa varia de 1,7% entre os meninos e 3% entre as meninas. Já uma pesquisa da Fundação Victor Civita (FVC) e da Fundação Carlos Chagas (FCC) aponta que apenas 2% dos estudantes do terceiro ano do ensino médio devem escolher alguma carreira ligada à docência: pedagogia ou algum tipo de licenciatura.

Mas, por que será que tem tão pouca gente interessada em lecionar? Salários baixos, pouco reconhecimento da profissão na sociedade e falta de estrutura estão entre os principais motivos apontados. De fato, percebemos nessa temporada de tantas aulas e atividades virtuais o tanto que os docentes sofreram: trabalharam mais, ganhando a mesma coisa (ou seja, pouco!). Isso se deve, principalmente, ao fato de que nossas escolas não estavam preparadas para a modalidade de estudos que a pandemia exigiu.

Por isso, se não quisermos sofrer um apagão de professores nos próximos anos, precisamos corrigir esses equívocos logo. Preparar as instituições para os profissionais do futuro, inseridos na tecnologia e nas diferentes metodologias de aprendizado. Ademais, será preciso elevar o salário de quem ensina. Porque, na realidade, são as pessoas que formam a base da sociedade. Fundamental, aliás, para qualquer outra carreira ou profissão.

Afinal, por que a hora de médicos, psicólogos, dentistas, encanadores, eletricistas e tantos outros é tão melhor que a dos professores, proporcionalmente em relação ao nível de conhecimento e às exigências do trabalho? Uma pergunta que, se não for resolvida, poderá comprometer o futuro do país.

Tiago Mariano 

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.

Foto: Pixabay

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