Educação é muito mais que assistir aulas, presenciais ou virtuais. Aprender pela prática é mais eficaz que qualquer ensinamento que se possa dar ministrando aula. Aristóteles já dizia que a virtude é um hábito, muito além (ou que complementa) do discurso. Por isso, talvez, esteja sendo tão difícil conciliar a quarentena com os estudos dos nossos filhos. Afinal, o tempo que eles passavam na escola agora estão passando dentro de casa, observando o que fazemos, como nos comportamos no home office e convivendo mais com os pais e com a família.
Se, antes de tudo isso, como sociedade, valorizássemos mais o exemplo que os adultos dão às crianças, certamente, estaríamos mais seguros em relação ao que elas estão aprendendo com e durante a pandemia do coronavírus. Afinal, o fato de estarmos confinados em casa equilibrando o tempo de trabalho com o tempo de estudo e a convivência familiar no meio nos expôs uns aos outros, mostrando-nos como, realmente, somos em todos os ambientes e áreas da vida. E, muitas vezes, nem sempre isso é bom.
Percebemos que o professor nunca foi tão importante na vida, ao mesmo tempo em que descobrimos o quão desvalorizado é. Porque, além de transmitir conhecimento, a sociedade cobra dele que seja um exemplo. O que nem sempre acontece com os pais. Nesse momento, são os pais a única fonte de inspiração e aprendizagem. O estresse que têm ao cuidar de um filho na quarentena nem se compara ao que o professor passa para controlar uma sala de aula com dezenas de alunos. A pergunta que Aristóteles faria hoje é: será que a prática e o hábito estão ensinando a virtude a nossos filhos?
Ou é o contrário? Nossas atitudes em casa estão deseducando nossos filhos? Há uma grande chance disso acontecer, de fato. Antes, o trabalho e a vida familiar eram muito bem delimitados, separadamente. Hoje, caminham juntas. Os filhos observam e aprendem com os pais, mesmo sem que a gente ensine, muito mais que imaginamos. Essa é, portanto, a grande oportunidade que temos de transmitir a eles mais que aprendizado, mas, sobretudo, um legado, de respeito mútuo e ética. Isso educa melhor que qualquer avaliação ou prova escolar.
Tiago Mariano

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.
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