As perguntas que não querem calar

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Li, em algum lugar, que uma criança de quatro anos faz até 300 perguntas por dia. Sabe o que isso significa, caros leitores? Que eu ouço cerca de 600 perguntas por dia da minha duplinha do barulho.

Mentira… acho que a professora deles deve ouvir e responder umas 300, já que passam meio período na escola.

Mas acho que você entendeu o que eu quis dizer com isso… principalmente se convive com uma criança pequena e já teve que responder perguntas como: por que manga de camisa e manga de fruta têm o mesmo nome? Por que tem nuvem gordinha igual algodão e outras parecem um risco de tinta? Por que não posso respirar o ar da água e o peixe pode?

Rafa certamente será advogado. Além de questionar, ele argumenta e insiste até que esteja satisfeito com a resposta. Ele também começou a duvidar de alguns absurdos que a gente respondia. Aos quatro anos, conheci o olhar questionador e desconfiado da minha criança mais velha.

Esse final de semana, o mais novo, Biel, descobriu um pacote de canudos descartáveis na gaveta da cozinha e dividiu a descoberta com o irmão. Toda hora eles queriam tomar suco, água, vento, qualquer desculpa servia para pegar um canudo novo. Abriam a embalagem – era aquele que vem embalado individualmente – e deixaram pedaços de plástico e canudos pela casa toda.

Miguel, o pai, cansado de recolher a bagunça, disse que não era mais para pegar nenhum. Rafa insistiu. Então o pai disse: Rafa, sabia que os canudos estão poluindo o meio ambiente e matando as tartarugas? Aqui em Londrina aprovaram uma lei que está proibido usar canudos! (Sim, ele deu uma exagerada), mas Rafa é legalista, e respondeu assustado: “nossa!!! Eu não fiquei sabendo disso!!! Quando aprovaram?”, olhou desconfiado. Segurei a risada.

Paula Barbosa Ocanha 
Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata

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