Antes de chegar ao ponto onde uma criança de três anos senta-se à mesa e decide, por conta própria, que quer comer arroz, feijão, alface, cenoura e carne porque gosta desses alimentos existe um caminho a ser percorrido que, ao meu ver, se inicia ainda na amamentação.
Eu tive a sorte grande e o privilégio de conseguir amamentar meus filhos com leite materno em livre demanda – foi uma escolha pessoal e tive grande apoio do meu marido. Li um artigo, ainda na gravidez, que explicava que a criança amamentada no seio aceitava melhor a dieta salgada quando era a hora de ser iniciada.
Isso acontece porque o sabor do leite materno pode mudar conforme a alimentação da mãe, então há sabores levemente diferentes entre as mamadas, além do leite materno ser dividido em três fases, com mais ou menos água e gordura, apresentando assim também diferentes texturas. Sem contar que, ao abocanhar o mamilo da mãe, o bebê experimenta o sabor da pele humana, muitas vezes levemente salgada. Já uma mamadeira de fórmula, com bico esterilizado, tem a mesma textura e sabor do começo ao fim.
Então é natural que a criança que teve contato e foi acostumada a aceitar sabores diferentes durante o processo da amamentação também aceite melhor outros alimentos e sabores. Isso não é regra, mas resolvi testar e tinha isso em mente ainda na gestação. Então se eu tiver que lhe dar um conselho importante é: se possível, amamente no seio.
Meu filho mais velho, Rafael, tinha cinco meses e meio quando começou a consumir algumas frutas. Inicialmente eu dava apenas banana e maçã raspada. Ele sempre aceitou bem, então acredito que tive sorte também. Mas, com o tempo, deixei que ele pegasse a comida e explorasse o alimento. Mesmo que ele não comesse, eu comia e ele ficava brincando com pedaços de legumes, frutas e vegetais preparados. Eram “brinquedos comestíveis” que ele levava à boca e quase sempre cuspia tudo, mas continuava testando, provando até que começou a comer o que eu colocava na bandeja.
Eu tinha muitas coisas para limpar depois? Tinha! Tinha dia que era exaustivo e eu só queria sentar e chorar. A comida caía no chão. Caía na cadeira de alimentação. Caía dentro da roupa dele. Caía no meu cabelo e grudava no meu chinelo. Mas olha, é necessário que o bebê crie interesse pela comida. Sem manipular, pegar, beliscar, jogar no chão, esse interesse fica limitado. Deixe ele brincar, provar e cuspir tudo. Vai ser bom para ele depois. Amanhã continuamos o assunto.

Paula Barbosa Ocanha
Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata

