A geração alpha, os casos de TDAH e a configuração da escola

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A geração mais hiperconectada do mundo, conhecida como geração alpha, de crianças que nasceram depois de 2010, está também cada vez mais fazendo uso de medicamentos para regular a atenção e a hiperatividade.

Dados dos organismos internacionais de saúde apontam que até 5% das crianças em todo o planeta têm o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Entretanto, em alguns países como os Estados Unidos, o diagnóstico pode chegar a 11% de quem tem entre 4 e 17 anos. Até que ponto essas crianças e adolescentes estão realmente sendo diagnosticados de forma correta ou não é uma incompreensão em relação à geração que estamos vivendo?

Nós sabemos que as crianças e adolescentes de hoje em dia são cada vez mais estimuladas. Aulas disso e daquilo, leituras, celulares, computador, internet e uma série de outros estímulos que as fazem aprender mais rapidamente e com muito mais informações que antes.

Dessa forma, é claro que dificilmente consigam ficar paradas ou quietas. Principalmente num ambiente como a escola, que ainda está configurada para atender a geração de séculos atrás: alunos sentados numa cadeira, ouvindo os professores falarem durante quatro horas. É natural que fiquem inquietos ou desatentos.

Muitos desses estudantes (os pais, na verdade) recorrem à ajuda médica para controlar a ansiedade, a desatenção e a hiperatividade. Afinal, se o ambiente onde estão está chato, é normal que fiquem inquietos e com a atenção voltada para outras coisas, entre elas fazer bagunça ou então fazer desenhos durante a aula. Não é nem um pouco fora do comum que isso aconteça. Nem por isso as crianças e adolescentes devam ser diagnosticados como portadores de TDAH. Não podemos banalizar o diagnóstico.

Obviamente o problema existe e deve ser tratado. Mas, com responsabilidade. Pais, escola e médicos devem estar em uníssono a favor do diagnóstico responsável. Especialistas americanos afirma que, se por um lado a medicina melhorou a capacidade técnica de diagnosticar o transtorno, por outro existem muitos diagnósticos sem justificativas.

De 1997 a 2016, nos Estados Unidos, a proporção de crianças diagnosticadas cresceu de 6,1% para 10,2%. É quase o dobro em quase 20 anos! Essa realidade está diretamente ligada à escola: de acordo com a Agência Nacional de Saúde (Anvisa), as receitas no Brasil aumentam no período escolar e diminuem durante as férias.

Será que não está na hora de rever nossos métodos escolares antes de sairmos por aí dizendo que as crianças e adolescentes estão desatentos, hiperativos e ansiosos, quando,, na realidade, o problema é apenas falta de interesse?

Tiago Mariano 

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.

Foto: Pixabay

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