Enem: reflexo do nosso despreparo educacional

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O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cujas inscrições vão até dia 22 de maio, é um teste para os estudantes brasileiros. Não, simplesmente, porque é difícil e reúna os principais conhecimentos abordados ao longo da jornada dos três anos finais da escola. Mas, sobretudo, porque não estamos preparados, como país, para sermos avaliados educacionalmente. Aliás, estamos longe do ideal.

A pandemia do coronavírus revelou que não temos qualquer base educacional nem tampouco condições de sustentar o aprendizado em condições adversas. O Brasil paga o preço da manutenção das desigualdades sociais de séculos, enraizadas no cotidiano. Agora, certamente, alguns alunos se darão melhor que outros, pelo simples fato de que alguns conseguiram manter seus estudos durante a quarentena, enquanto outros não, por conta da falta de estrutura e da falta de acesso à internet.

Percebemos que a educação à distância, que não substitui a presencial, é importantíssima no processo educacional do século XXI. E, mudando o papel do professor – de detentor para mediador do conhecimento –, altera as configurações a que já estávamos acostumados. Inclusive, no Enem. Embora seja uma prova crítica e que faz nossos estudantes pensarem, está à mercê de governos e projetos ideológicos de poder. Isso, definitivamente, não nos mostra um país preparado.

Há muito que se mudar nas estruturas educacionais. Não estou falando apenas das estruturas físicas e tecnológicas. Refiro-me à sustentação independente e libertária de uma educação capaz de sobreviver às mudanças governamentais, preparando, evidentemente, nossos alunos para o futuro. Um futuro claro, não incerto. Por isso, independentemente de ser mantido ou adiado, o Enem é um detalhe formal muito aquém de seu verdadeiro papel no ingresso de alunos numa universidade. De qualquer forma, é necessário fazê-lo, enquanto aguardamos ou lutamos por dias e tempos melhores.

Tiago Mariano 

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.

Foto: Divulgação

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