Se essa crise da pandemia do coronavírus pode nos mostrar algo de bom talvez seja a capacidade que os estudantes, de uma forma geral, têm de se adaptar a situações adversas. Pesquisa da Educa Insights, divulgada em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), mostrou que ao menos 94% dos estudantes de curso superior presencial resolveram continuar os estudos, mas, de forma virtual. Embora não tenhamos dados, essa realidade também se repete em outros níveis escolares.
Esse cenário expõe o que, muitas vezes, já sabíamos: a capacidade que os estudantes, seja qual nível for ou de qual país seja, têm de se adaptarem a realidades distintas. Principalmente, quando a adaptação se refere a elementos que já fazem parte de seu dia a dia, como a tecnologia. É certo que os alunos perceberam a importância da escola e a falta que ela faz. Quer seja pelo contato humano e físico com colegas e professores, quer seja para o desenvolvimento de habilidades psicossociais importantes no processo educacional.
Da mesma forma – e já falamos disso aqui –, os professores também demonstraram uma habilidade adaptativa muito grande ao conseguirem transformar suas aulas presenciais em virtuais num curto prazo. E perceberam o que antes era inaceitável: a importância das ferramentas tecnológicas na aplicação das disciplinas e no processo de desenvolvimento escolar dos seus alunos. Alguns estudantes, inclusive, rendem mais do que se estivessem em sala de aula. Aliás, algumas aulas fluem melhor se transmitidas pelo computador do que se estivessem sendo ministradas presencialmente.
O que se deve observar de tudo isso é que a educação presencial não será substituída pela virtual. Mas, sim, deverá incorporar a tecnologia em seus processos, dando a devida importância a cada uma das modalidades. Ambas podem conviver juntas. Afinal, tais quais alunos e professores, cada uma das formas de se educar deve se adaptar uma à outra.
Tiago Mariano

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.
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