“Fala galerinha, se inscreva no meu canal, curta, compartilhe, comente e ative as notificações”. Essa frase padrão é muito comum entre youtubers e seus espectadores. Uma realidade completamente diferente daquela que as crianças das décadas de 1980 e 1990 viviam. Naquela época, seus ídolos eram apresentadores de televisão, de programas infantis e, obviamente, suas brincadeiras seguiam esses padrões. Hoje, entretanto, as crianças e adolescentes estão no Youtube e, consequentemente, reproduzem o que assistem pela internet.
Estamos falando das gerações Z e Alfa. A primeira é de crianças nascidas entre 1995 e 2009, um grupo que ainda pegou o início da internet no Brasil e as transformações que isso acarretou. São pessoas que valorizam a expressão individual, autênticas, sem rótulos e com posturas analítica e pragmática, além de resolver as coisas por meio do diálogo e de ressignificar a lógica do consumo (por meio do propósito, não mais por outra razão). A segunda é a mesma da anterior, só que mais potencializada e desenvolvida. As crianças que nasceram depois de 2010 são criativas, imediatistas, extremamente digitais e inovadoras.
Pudera! Recebem estímulos o tempo todo. E, assim como as outras, necessitam de algo importantíssimo: formas adequadas de educação, já que os modelos tradicionais não dão mais conta de prender a atenção desses estudantes e alunos. E é aí que reside o problema. Nossas escolas estão começando a se preparar para o futuro, uma jornada longa e demorada que precisará ser muito disruptiva, ou seja, romper padrões. A matemática, o português, a geografia e a história continuarão importantes. Mas, outras disciplinas terão papel fundamental na educação das crianças.
A linguagem da programação, por exemplo, serão tão ou mais importante de se aprender do que um outro idioma, como o inglês. Assim como a criatividade, o pensamento crítico, a capacidade de resolver problemas, se comunicar com os outros e integrar-se. Além, é claro, da adaptabilidade, da resiliência, da responsabilidade, da liderança e produtividade, bem como do raciocínio lógico. Quem diz isso é o Fórum Econômico Mundial. Afinal, boa parte das profissões que essa geração vai trabalhar ainda nem existe!
Tiago Mariano

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.
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