É melhor perder um semestre ou a base educacional inteira?

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Já sabemos que os efeitos da pandemia do coronavírus serão devastadores na educação brasileira. Não apenas acentuando as desigualdades sociais evidenciadas pela diferença de acesso a equipamentos e tecnologias para manter os estudos, mas, sobretudo, porque bagunçar o calendário escolar significa adiar planos, frustrar expectativas e até mudar o rumo de escolas, estudantes, profissões e profissionais (atuais e futuros).

Mas, o que é melhor? Perder um semestre ou deixar largada a base educacional como um todo? Ao adiar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) justifica a mudança da data para janeiro – em vez de maio, como a maioria dos estudantes votou – a fim de evitar que o ano letivo de 2021 seja prejudicado pelo retardo das provas. Daí vem o questionamento. Até porque não será somente essa prova a ser adiada. Outros tantos vestibulares Brasil afora também será alterados.

Às vezes é melhor preparar-se com calma e consistência do que realizar as coisas de forma precipitada. Às vezes, portanto, é melhor perder um semestre do que jogar no lixo a parte da nossa base educacional. Será que essa crise toda não nos ensinou que precisamos rever nossos conceitos educacionais? Será que não deveríamos estar nos preparando e nos fundamentando para o completo retorno de todas as atividade?

Em vez disso, ainda estamos tentando minimizar os prejuízos apagando incêndios que, como já vimos, majoritariamente, é contraditório ao que pensam os estudantes. Afinal, o Ministério da Educação está lá para trabalhar por quem? Pelos estudantes ou por interesses privados e escusos? Se, entre todos os votantes, a maior parte preferiu maio, talvez esse seja um sinal de que a preparação para o exame realmente foi prejudicada. Um sinal, aliás, que não deveria ser ignorado, pois, ele revela muito sobre nossa educação.

Nossa educação pede ajuda e socorro. Nossas autoridades precisam prestar atenção nisso. Senão, não teremos um futuro.

Tiago Mariano 

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.

Foto: Pixabay

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