Conheci o rock com 11, 12 anos, através dos meus primos, na famosa Vila Casoni. Na casa que fica até hoje na rua Amapá, eles escutavam Rolling Stones, Janis Joplin, Led Zeppelin, Pink Floyd, Sex Pistols, Mutantes, Rita Lee, Arnaldo Baptista, Made in Brazil, Casa das Maquinas, Joelho de Porco, O Terço, ufa! E lá estava eu, viajando com tudo aquilo, desde o som, comportamento rockeiro, até suas roupas. Esse foi o começo da minha formação rock.
Enquanto meu pai era apaixonado por Julio Iglesias, eu era por Rita Lee. Lembro que fiz meu pai me levar na Londrisom, que era de um primo dele, pedi pra gravar em uma fita cassete o que coubesse da Titia Rita. Na época meu pai era viajante e nas minhas férias escolares ele me levava junto, foi minha vingança musical, ele teve que aguentar lado A lado B por centenas de quilômetros até que, um dia, aquele maldito toca fitas engoliu minha fita, para alegria do meu pai.
Isso foi nos anos 80, o ano onde surgiram várias bandas de peso no rock nacional. Então, nessa época vinham vários shows legais para Londrina, que sempre “rolava” no ginásio Moringão. Mesmo não tendo idade para entrar em alguns eventos, meus primos tinham, eu entrava com eles, os responsáveis por mim. Cara, eu fui em muitos shows foda! Rita Lee, aquele que ela subia de elevador no meio do palco, toda de rosa. Barão Vermelho com Cazuza, Lulu Santos, Blitz, Titãs eu fui em três, Paralamas do Sucesso, Ira, Camisa de Vênus “formação original”, Sepultura, Raimundos em Londrina fui em 2. Teve mais uns shows que juro que tentei lembrar, mas não consegui.
Um show que me marcou mesmo foi o Acid Chaos Tour 1994. Cara, essa foi uma turnê do Sepultura que passou por Curitiba, junto com eles veio os Ramones, com participação especial da extinta banda Viper e Raimundos, que tinham acabado de lançar seu primeiro CD.
Foi uma doideira até conseguir entrar na pedreira Paulo Leminski onde ia acontecer o show, todas as tribos estavam lá, Punks, Carecas, Headbanger e desavisados, uma mistura perigosa que só podia dar merda. Baixou cavalaria montada dando porrada na galera, briga entre as tribos, maluco que bebeu tanto na fila que desmaiou e perdeu o show, pessoas que se cortaram no arame farpado, tentando fugir de confusão, um caos.
E quem sobreviveu a essa “pira” toda, pode conferir todas as bandas e se divertiu muito, apesar de Sepultura e Ramones ter sido em baixo de chuva e muita chuva, mas na verdade ninguém estava nem ai para a chuva. E naquele dia não teve pra Viper, Ramones ou Sepultura. Aquele dia foi do Raimundos, que quebrou tudo em um show de pouco mais de 50 minutos e botou a galera pra “pogar” tanto, que levantou um poeirão que não dava pra enxergar o palco. Lembro de uma entrevista na época que o Andreas, guitarrista do Sepultura concedeu, que ele comentou sobre isso. Que aquele dia foi o dia do Raimundos, que não teve pra ninguém.
Eu tenho que confessar. Tirando Camisa de Vênus e não escuto mais nenhuma banda citada acima, nada contra, mas estou preferindo o underground. Estou feliz com ele.
E o meu Rock? Vai bem, obrigado! Obrigado, não! Palavra chata, tanto no sentido de obrigação como no de agradecimento, que pra mim acaba sendo tudo a mesma merda. Então…. meu Rock vai bem, Valeu!
Feliz Dia Mundial do Rock atrasado, apesar do dia do Rock ser todo dia o ano inteiro.
Bora pro Rock!
Rogerio Rigoni

Foi comerciante a vida toda, se rebelou e assumiu seu lado de escultor. A música que sempre foi sua paixão! Rock and roll na vida e na arte!
Foto: Acervo pessoal


Uma resposta
Uauuu ficou muito bom, massa como dizem história musical, mostrando a trilha sonora da sua Vida. Desejo muito sucesso no seu Programa de Rádio. Vamos em frente, abraço.