Por Flávio Caetano de Paula Maimone
Você é antirracista? O 13 de Maio deve ser um dia de reflexões sobre a escravidão no Brasil e no mundo porque, se há um dia como marco, é também um reconhecimento de que por – séculos – pessoas negras foram sequestradas, retiradas de suas famílias, de seu país, para serem escravizadas, torturadas, assassinadas. Ser antirracista, hoje, é fundamental porque, é óbvio, o racismo ainda está presente, enraizado e precisa ser combatido.
O racismo no mercado de consumo ainda é um problema estrutural que afeta milhões de pessoas em suas experiências de compra. Se é estrutural, é também pessoal, individual e cultural.
Os consumidores precisam se lembrar que têm um papel crucial na transformação desse cenário, pois suas escolhas e exigências podem impulsionar mudanças significativas dentro das empresas. Para que o combate ao racismo no varejo seja efetivo, é fundamental que os consumidores adotem condutas antirracistas e pressionem as marcas a fazerem o mesmo.
Por que o consumidor precisa ser antirracista?

Empresas respondem a demandas de mercado e se moldam conforme a expectativa dos clientes. Quando consumidores se posicionam contra práticas discriminatórias e priorizam marcas que promovem diversidade e inclusão, incentivam o setor a adotar condutas mais responsáveis. Um exemplo disso é o Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro, lançado pela L’Oréal em parceria com a organização Black Sisters in Law. Esse código apresenta normas de conduta moral para que lojas de luxo garantam atendimento respeitoso e igualitário a clientes negros. A conduta da empresa tem como foco o lucro, sim. Afinal, esse é o foco de toda empresa. Que estimulemos as empresas a terem foco no lucro sendo antirracista.
Como os consumidores podem agir?
Aqui estão algumas maneiras de exercer um consumo antirracista:
Denunciar práticas racistas: Caso presencie ou vivencie discriminação em estabelecimentos comerciais, é essencial registrar e divulgar o ocorrido.
Priorizar marcas comprometidas com diversidade: Optar por empresas que possuem programas e políticas claras de inclusão racial.
Exigir representatividade nos produtos e serviços: Marcas devem oferecer produtos que atendam a diversidade da população.
Educar-se sobre consumo consciente e letramento racial: Informar-se sobre questões raciais e dialogar com amigos e familiares sobre a importância de um consumo responsável e com letramento racial.
Exemplos de avanços no mercado
O Código de Defesa do Consumidor Negro é uma demonstração de luta por equidade racial no consumo. Além disso, outras empresas têm adotado medidas relevantes, como campanhas publicitárias mais inclusivas, capacitação antirracista para funcionários e a ampliação do catálogo de produtos voltados para pessoas negras.
A transformação do mercado depende da pressão coletiva e individual. Quando consumidores exigem mudanças, as empresas precisam se adaptar para atender a essas expectativas. Dessa forma, o consumo consciente e antirracista não apenas combate desigualdades, mas também molda um futuro mais inclusivo para todos. Seja antirracista.
Flávio Henrique Caetano de Paula Maimone

Advogado especialista em Direito do Consumidor, sócio do Escritório de advocacia e consultoria Caetano de Paula & Spigai | Sócio fundador da @varbusinessbeyond consultoria e mentoria em LGPD. Doutorando e Mestre em Direito Negocial com ênfase em Responsabilidade Civil na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Diretor do Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (BRASILCON). Associado Titular do IBERC (Instituto Brasileiro de Estudos de Responsabilidade Civil). Professor convidado de Pós Graduação em Direito Empresarial da UEL. Autor do livro “Responsabilidade civil na LGPD: efetividade na proteção de dados pessoais”. Colunista do Jornal O Londrinense. Instagram: @flaviohcpaula
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