Vacinar-se é uma questão ética!

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“Querido internauta… não! Querido leitor! Aqui quem fala, é ela… a Pfeizer!” Parafraseando @nossomenino, venho, nesta coluna, contar que, enfim, fui vacinado. Tomei a primeira dose da vacina contra a Covid-19, de graça, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Eldorado, em Londrina. Aparte ter sido muito bem atendido e ter demorado menos de dez minutos para a imunização, poderia ter sido qualquer uma das vacinas disponíveis, desde que testadas e comprovadas sua eficácia.

Infelizmente, não é todo mundo que pensa assim. Na fila da vacinação, uma mulher perguntou à outra: “qual você tomou?”, a qual responder, diante da constatação de que era Pfizer: “ainda bem, porque não queria tomar a Coronavac!”. É que eu estava longe e não quis causar qualquer confusão, mas, digo para ela o seguinte: se todos nós tivéssemos tomado a Coronavac seis meses atrás, milhares de vidas teriam sido poupadas. Entretanto, nós temos um governo corrupto que só foi atrás de vacina que poderia gerar propina.

Pior ainda: tem gente que nem a vacina quer tomar, induzidos por discursos rasos compartilhados pelo WhatsApp ou por estelionato racional mesmo. Immanuel Kant, filósofo prussiano, dizia que toda pessoa ética e moralmente boa tem o dever de agir de acordo com princípios considerados benéficos para todo ser humano, caso virassem lei universal. Entretanto, uma pessoa que escolhe não tomar vacina não está pensando na coletividade. E, portanto, também seria hipócrita exigir o imperativo categórico em outras situações cotidianas.

Lendo sobre o assunto, encontrei o pensamento da professora doutora Maria Clara Dias, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que diz que “uma pessoa que decide não se imunizar não pode universalizar sua máxima de ação sem que seja contraditória”. Isso significa dizer que essa atitude, ao não poder ser universalizada, não é moral. Portanto, para ela e para mim, vacinar-se é uma ação ética. Já pensou se alguém, individualmente, resolvesse não mais seguir as regras de trânsito, desrespeitar as leis universais ou perder o bom senso? Pois bem. É o mesmo princípio. Se tudo isso atrapalha o coletivo, a não imunização também.

E não custa nada lembrarmo-nos de Kant: “Aja como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal”. Não imunizar-se, então, jamais deve se tornar uma lei universal.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Acervo Pessoal

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