Triste realidade que precisa ser mudada!

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Por Fábio Luporini

As eleições presidenciais no Brasil de 2022 revelam que nossa democracia e nossa maturidade política ainda estão longe de serem fortes ou ideias. Isso porque as discussões entre os eleitores não se dão em um nível de razoabilidade e, muito menos, nos levam a decidir entre o que mais pode contribuir para a sociedade, mas, de um lado e de outro, entre o que nós não queremos. E, em ambos os lados, é ridículo ver pessoas defendendo políticos, quaisquer que sejam, já que esses agentes públicos são “contratados” para trabalhar por nós.

Vamos fazer um paralelo. Não se costuma ver por aí, nesse nosso Brasil, patrões, chefes, líderes e gestores brigando com familiares, amigos e colegas de trabalho por pessoas que eles mesmos contrataram para trabalhar em suas empresas. O que se vê é justamente uma cobrança para que esses colaboradores entreguem um rendimento e rentabilidade cada vez melhores. Deveria ser assim com políticos. Por isso, repito: é ridículo ver pessoas defendendo quem deveria trabalhar pelo nosso país.

Enquanto a gente cria monstros narcisistas que se perpetuam no poder, enriquecem e transmitem os cargos eletivos como se fossem heranças, os cofres públicos vão sendo saqueados, os serviços de atendimento à população vão sendo sucateados ou privatizados e os direitos, renegados ou negligenciados. Então, em vez de votar por saúde, segurança, educação, emprego e renda, a gente vota contra esse ou contra aquele, contra ideologias algumas delas inventadas e por um salvador da pátria que não existe.

E, assim, vamos nos tornando indiferentes às pessoas revirando o lixo à procura de comida e às pessoas passando fome na rua e mendigando. Pensamos somente no nosso mundinho, ou como se diz nas redes sociais, na nossa própria bolha, algo que a internet ajudou a potencializar. O voto é individual, mas, deve ser pensado no coletivo. Está faltando um pouco disso. As reações e comentários das pessoas pós-pleito mostram como estamos nos tornando intolerantes com quem pensa e vota diferente. Triste realidade que precisa urgentemente ser mudada.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Arquivo/TSE

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