É fato que a humanidade, em todas as épocas e eras de sua história, de alguma forma valorizou certo padrão estético e de beleza. Tão verdade quanto as diferenças de tipos. Na Grécia antiga, o ideal era o corpo atlético masculino, registrado em inúmeras estátuas preservadas até hoje. Já na Idade Média, por sua vez, o corpo gordo feminino representava fertilidade e saúde. Entretanto, foi na contemporaneidade que o ser humano conheceu a maior pressão e valorização dos padrões estéticos e de beleza. Infelizmente.
A estética, na filosofia, é um ramo de estudo da natureza e dos fundamentos da beleza, considerando o julgamento e a percepção do que se considera belo em cada tempo e período do mundo. E tudo isso leva em conta os fenômenos, as emoções, as técnicas, as obras, a criação e tantas outras manifestações artísticas e estéticas. Nos tempos atuais, a padronização da beleza está nos filmes, nas telenovelas, nas séries, no telejornal, nas revistas, nas propagandas, nas celebridades, nas fotos das redes sociais e em todos os outros espaços da vida.
Por um lado, essa padronização é terrivelmente prejudicial à sanidade mental das pessoas, que se frustram ao não corresponderem uma expectativa social inconscientemente pretendida pelas pessoas. Daí a necessidade de tantos tratamentos de beleza, de tantos procedimentos estéticos e de tantos consultórios psiquiátricos e psicológicos lotados de gente com depressão causada por essa incongruência entre padrão e expectativa. Na contemporaneidade essa excessiva preocupação com a beleza tornou-se ruim para as pessoas.
Por outro lado, é louvável a iniciativa de muitas pessoas e grupos que querem romper com os padrões sociais de beleza. E que estão livres dessa pressão social que impõe um jeito de ser ou de agir. Gente que não liga para um corpo sarado, que não se preocupa com um corpo depilado e que não está nem aí para a aparência, mas, sobretudo, preocupa-se mais com a essência das pessoas. Que mundo vivemos, não? Tomara que mais gente consiga se libertar das amarras padronizadas. Sejam estéticas ou não.
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.
Foto: O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli/Reprodução da Internet

